Wings: "Wild Life" e a sua importância para a carreira de McCartney
Resenha - Wild Life - Wings
Por André Luiz Paiz
Fonte: 80 Minutos
Postado em 01 de outubro de 2017
Nota: 7 ![]()
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1971. Paul McCartney estava empolgado. Com bons resultados de seu álbum anterior, o excelente RAM, não via a hora de se arriscar novamente a produzir um novo trabalho. Só que, além da empolgação, Paul queria mais, queria voltar aos palcos. Assim, concluiu que era o momento de formar uma nova banda.
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Com a nova idéia em mente, Paul rapidamente pensou no baterista Denny Seiwell, que fizera um excelente trabalho nas sessões de RAM. Também convidou o vocalista/guitarrista do The Moody Blues, Denny Laine, que viria a ser o fiel escudeiro de Paul durante toda a trajetória do grupo. Estaria Paul buscando por um novo John Lennon? Sabe-se lá...
Por fim, com todo o apoio oferecido por Linda durante os momentos difíceis, Paul a queria por perto e decidiu que lhe ensinaria a tocar teclado, para que pudesse fazer parte do grupo.
Diante da empolgação de Paul, o álbum foi gravado em pouco mais de uma semana, com algumas faixas registradas somente em um único take. As sessões ocorreram no lendário Abbey Road Studios, com Tony Clarkin e Alan Parsons como engenheiros.
Vale considerar que a empolgação de Paul o trouxe de volta à música com vigor e criatividade, porém algumas decisões não foram tão acertadas. O álbum não foi bem recebido, apesar de ter vendido bem. A imprensa considerou o trabalho imaturo, pouco trabalhado e bem abaixo do que poderia sair das mãos de um ex-Beatle. De fato, o primogênito da banda possui bons momentos, mas também alguns não tão bons.
"Mumbo" abre o álbum como uma faixa praticamente registrada ao vivo. Paul está cantando muito bem no disco e sua performance é o que salva. Uma faixa simplesmente legal para acompanhar uma "jam" dos músicos e só.
"Bip Bop" é muito pouco perto do que Paul já compôs. Na minha opinião, a pior do disco.
O cover "Love Is Strange"(Mickey & Sylvia) causa uma impressão melhor, pois possui belas vocalizações, mas nada que impressione. "Wild Life" é uma boa faixa, que protesta contra maus-tratos aos animais. Curiosamente ela lembra um pouco das contribuições de Lennon nos últimos trabalhos dos Beatles com: "I Want You (She's So Heavy)", "Yer Blues", etc. "Some People Never Know" eu adoro. Acho uma linda faixa, com uma melodia belíssima. Lembro de ter lido em algumas fontes que é mais uma faixa com letra direcionada a John Lennon.
"I Am Your Singer" também vai bem, no dueto de Paul e Linda. Uma bela faixa. "Tomorrow" é um dos hits do álbum e uma das melhores. Lembra um pouco dos trabalhos anteriores de Paul.
Encerrando o álbum, "Dear Friend" soa tristemente como um pedido de desculpas a John Lennon, após seu revide extremamente agressivo em "How Do You Sleep?", no álbum "Imagine". Paul parece questionar se realmente valia a pena...
As versões mais recentes possuem algumas faixas que foram lançadas como singles na época. A faixa de protesto "Give Ireland Back To The Irish", a balada "Mary Had A Little Lamb", a quase "Blackbird": "Mama's Little Girl" e "Little Woman Love", gravada nas sessões de RAM. Todas dentro da média.
Após o lançamento, Paul pegou sua turma, um ônibus, e saíram em turnê pelas universidades do Reino Unido. Simplesmente queriam tocar e sentir novamente a sensação de "começar do zero". Imaginem que interessante, um produtor batendo na porta de uma faculdade e dizendo: "Olá, temos Paul McCartney e sua banda no ônibus e gostaríamos de tocar para vocês".
Wild Life tem sua importância, pois aqui nascia uma banda de destaque, que faria no futuro com que Paul McCartney conquistasse novamente o mundo. A primeira vez após o final dos Beatles.
Tracklist:
Mumbo 3:54
Bip Bop 4:14
Love Is Strange 4:50
Wild Life 6:48
Some People Never Know 6:35
I Am Your Singer 2:15
Tomorrow 3:28
Dear Friend 5:53
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