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Garota Rock n' Roll: indiferença apolitizada da lúxuria da The Mones

Resenha - Garota Rock n' Roll - Mones

Por
Postado em 27 de setembro de 2017

Com carreira iniciada no ano de 1999, a banda The Mones já tem alguns CD demos lançados e participação em inúmeros shows, festivais e eventos na cidade de Manaus. Contudo, somente no ano de 2015 que eles lançam seu debut com produção profissional. "Garota Rock n’ Roll" não tem apenas produção profissional, mas também ótimas músicas, caráter de quem está entrando na maturidade e filosofia puramente rocker.

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A abertura se dá com a hilária "Barriga de Cerveja". Poucos acordes, e canção reta, na mais fiel linha ramoníaca. Na sequência "Com a Cabeça Feita" mostra que eles poderiam variar, trabalhando um pouquinho mais as letras. Na terceira posição está "Bebaça Vômito" que é cantada pelo baixista e revela que não há mesmo variação nas temáticas. Em seguida o single do disco "Eu Estou Aqui", dá a deixa de que não se precisa de muita técnica vocal pra se fazer um rock bacana. A quinta faixa é "Correndo pro Bar" que levanta o questionamento: será que os rockeiros de Manaus só querem saber de beber e nada mais? A próxima é "Eu Não Quero Ser como os Outros" que tem apenas duas frases em sua letra, mas em compensação é uma das faixas mais cativantes de todo o CD. Posteriormente a faixa que nomeia o trabalho justifica todo o desleixo do grupo e dessa infame retórica. "Tão Louca Assim" segue a trajetória de sexo, álcool e rock. A penúltima é "Parece Ser" que apresenta a influência da fase CJ dos Ramones. Pra fechar a bolacha "Você me Faz Bem" deixando uma leve sensação de "quero mais".

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A masterização ficou a cargo de Davi Pacote Schvarcv Gomes, ex Tequila Baby. A arte gráfica traz letras, ficha técnica, contato, foto e caricatura dos músicos. The Mones acerta em cheio com "Garota Rock n’ Roll". São menos de 25 minutos destrinchando o mais cru do rock bebum onde a busca por algo mais trabalhado e inteligente é saciada pela indiferença apolitizada da luxúria.

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Sobre Mário Orestes Silva

Deuses voavam pela Terra numa nave. Tiveram a idéia de aproveitar um coito humano e gerar uma vida experimental. Enquanto olhavam, invisíveis ao coito, divagavam: - Vamos dar-lhe senso crítico apurado pra detratar toda sua espécie. Também daremos dons artísticos. Terá sex appeal e humor sarcástico. Ficará interessante. Não pode ser perfeito. O último assim, tivemos de levar à inquisição. Será maníaco depressivo e solitário. Daremos alguns vícios que perderá com a idade pra não ter de morrer por eles. Perderá seu tempo com trabalho voluntário e consumindo arte. Voltaremos numas décadas pra ver como estará. Assim foi gerado Mário Orestes. Décadas depois, olharam como estava aquela espécie experimental: - O que há de errado? Porque ele ficou assim? Criamos um monstro! É anti social. Acumula material obsoleto que chamam de música analógica. Renega o título de artista pelo egocentrismo em seus semelhantes. Matamos? - Não. Ele já tentou isso sem sucesso. O Deixaremos assim mesmo. Na loucura que criamos pra vermos no que dará, se não matarem ele. Já tentaram isso, também sem sucesso. Então ficará nesse carma mesmo. Em algumas décadas, voltaremos a olhar o resultado. Que se dane.
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