Belphegor: mantendo a essência obscura e adicionando brutalidade
Resenha - Totenritual - Belphegor
Por Francisco Silva Júnior
Postado em 25 de setembro de 2017
Nota: 8 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Alguns sites especializados e fãs se perguntaram se a banda austríaca BELPHEGOR ainda faria um trabalho relevante após o mediano "Conjuring the Dead", de 2014. Já começo esta resenha dizendo que a resposta é SIM, para alegria dos fãs de metal extremo. Quem conhece a banda sabe que eles definitivamente não se acomodam na sua forma de fazer música, já que demonstram a cada álbum uma busca incessante por músicas cada vez mais técnicas, polêmicas e brutais.
O 11º álbum da banda austríaca se chama "Totenritual" (ritual dos mortos) e apresenta toda a essência do BELPHEGOR, demonstrada ao longo da carreira, de maneira ainda mais brutal. As letras continuam tratando dos mesmos temas de sempre: satanismo, sadomasoquismo, blasfêmias, etc. O casamento entre death e black metal continua sendo feito com perfeição: a banda é mestra na arte de unir a atmosfera soturna do black metal à brutalidade do death metal, agradando aos fãs de ambos os estilos. Se por um lado "Totenritual" apresenta um som ainda mais brutal que nos álbuns anteriores, se aproximando mais do death metal, por outro carrega uma atmosfera ainda mais obscura, como se pode perceber nos lyric vídeos de divulgação e também na sinistra capa do álbum, deixando claro que a essência natural da banda é definitivamente o black metal.
Apesar das semelhanças, "Totenritual" apresenta diferenças importantes para o seu antecessor,"Conjuring the Dead". Em primeiro lugar, a banda utilizou uma afinação mais grave de cordas, que aliada aos vocais mais cavernosos do vocalista Helmuth, bem no estilo Brutal Death Metal e já presentes no álbum anterior, nos dá como resultado um álbum ainda mais extremo. No novo trabalho é possível perceber um cuidado maior na gravação dos vocais. Enquanto os vocais mais graves (guturais) continuam com Helmuth, os vocais mais "rasgados" (grunhidos) agora são em boa parte de Serpenth (baixista), conforme foi mostrado em um dos vídeos das gravações.
Outro ponto a se destacar é o fato de Helmuth parecer bem mais à vontade para criar seus solos e melodias sombrias na guitarra. A banda retoma parte da forte carga melódica presente no álbum "Blood Magick Necromance", mas com mais agressividade e peso. É uma das poucas no metal extremo que consegue impor altas doses de melodia sem perder sua agressividade. Mais um ponto a se destacar é que a produção de "Totenritual" é nitidamente melhor que no álbum anterior. Tudo soa mais claro, moderado e menos confuso.
O primeiro single do álbum, "Baphomet", provavelmente será a música preferida dos fãs mais casuais, já que sua estrutura favorece isso. Tem uma introdução matadora e refrão forte. Com certeza será tocada em todos ou na maioria dos shows das turnês de "Totenritual". Sem dúvidas, uma das melhores do álbum, com direito a videoclipe bem polêmico (assista a seguir).
Algumas músicas são iniciadas com trechos de filmes de terror, o que colabora ainda mais para a atmosfera pesada e obscura do álbum. Como por exemplo, "Devil's Son" e "Swinefever - Regent of Pigs", que são músicas típicas do BELPHEGOR. Ótimos riffs, pancadaria do início ao fim e boas dose de melodia. Duas boas músicas. A primeira é mais direta, mas se encerra na calmaria de um trecho acústico. A segunda é mais dinâmica, com alternância de vocais, e também mais empolgante.
A música "Apophis – Black Dragon" tem algumas similaridades com "Baphomet", inclusive no refrão. Começa rápida e com bastante melodia, mas desacelera para uma atmosfera mais densa e arrastada. É uma música que também deve ser tocada nos shows e seu refrão lento é daqueles para o público cantar erguendo os punhos cerrados.
A música "Totenkult - Exegesis Of Deterioration" é uma música muito intrincada, cheia de mudanças de andamento, o que destaca ainda mais timbragem pesada das guitarras. É uma música muito bem construída e um dos destaques do álbum. Já "Totenbeschworer" é uma bela música instrumental que traz calmaria ao álbum, como uma espécie de pausa para enegrecer ainda mais a atmosfera. Mas não traz pontos a favor nem contra para o álbum. Apenas estaria melhor colocada se fosse a primeira do tracklist.
"Spell of Reflection" tem uma introdução tipicamente death metal e seus versos são acompanhados com uma base melódica que casa perfeitamente com a proposta da música. Créditos para Helmuth. É outro grande destaque do álbum. "Embracing a Star" é a música mais sombria e com certeza a mais black metal do álbum. A música que finaliza e dá o nome ao registro é uma continuação acelerada de "Embracing a Star" e termina com melancolia e sons macabros.
Um dos grandes destaques do álbum é sem dúvidas o novo baterista "Bloodhammer", que executou com perfeição tudo o que foi exigido no álbum. Sua versatilidade é impressionante.
"Totenritual" supera seu antecessor em praticamente todos os quesitos. É um disco que apresenta tudo que o BELPHEGOR tem de melhor: um ótimo trabalho de guitarras, agressividade nas alturas e produção limpa, deixando todos os instrumentos perfeitamente audíveis e apreciáveis. É um álbum mais fácil de ouvir do início ao fim e mais consistente que seu antecessor. Mesmo que não supere em qualidade outros registros da longa discografia da banda, "Totenritual" vai agradar não apenas aos fãs da banda, mas também aos fãs de metal extremo em geral.
Website:
http://www.belphegor.at
Origem: Áustria
Lançamento: 15 de setembro de 2017
Selo: Nuclear Blast Records
Gênero: Blackened Death Metal
Formação:
Helmuth Lehner - guitarra/vocal
Serpenth - baixo/vocal
Simon "BloodHammer" Schilling – bateria
Tracklist:
1. Baphomet
2. The Devil's Son
3. Swinefever – Regent of Pigs
4. Apophis – Black Dragon
5. Totenkult – Exegesis of Deterioration
6. Totenbeschwörer (instrumental)
7. Spell of Reflection
8. Embracing A Star
9. Totenritual
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



As bandas "pesadas" dos anos 80 que James Hetfield não suportava ouvir
O melhor cantor do rock nacional dos anos 1980, segundo Sylvinho Blau Blau
A música feita na base do "desespero" que se tornou um dos maiores hits do Judas Priest
"Um baita de um babaca"; o guitarrista com quem Eddie Van Halen odiou trabalhar
O melhor disco de thrash metal de cada ano da década de 90, segundo o Loudwire
A voz que Freddie Mercury idolatrava; "Eu queria cantar metade daquilo", admitiu o cantor
A melhor música de cada disco do Megadeth, de acordo com o Loudwire
Agenda mais leve do Iron Maiden permitiu a criação do Smith/Kotzen, diz Adrian Smith
As cinco bandas de rock favoritas de Jimi Hendrix; "Esse é o melhor grupo do mundo"
A música de rock com a melhor introdução de todos os tempos, segundo Dave Grohl
A banda punk que Billy Corgan disse ser "maior que os Ramones"
O ex-integrante do Megadeth com quem Dave Mustaine gostaria de ter mantido contato
Os 15 discos favoritos de Bruce Dickinson, vocalista do Iron Maiden
A importância do jogador de futebol Kaká para os evangélicos, segundo Rodolfo
Os guitarristas mais influentes de todos os tempos, segundo Regis Tadeu
O álbum que para Andreas Kisser tem "a maior música já escrita no Rock"
Roger Waters responde que música do Pink Floyd ele gostaria que tocasse em seu velório
Bill Hudson: "No Brasil, se você não tocar com ex-membro do Angra, ninguém vai ouvir"


O fim de uma era? Insanidade e fogo nos olhos no último disparo do Megadeth
Alter Bridge, um novo recomeço no novo álbum autointitulado
Com "Brotherhood", o FM escreveu um novo capítulo do AOR
Em 1977 o Pink Floyd convenceu-se de que poderia voltar a ousar



