Arandu Arakuaa: "Wdê Nnakrda", Tupi Metal dos bons!

Resenha - Wdê Nnakrda - Arandu Arakuaa

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Por Tarcisio Lucas Hernandes Pereira
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Nota: 8

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

O Heavy Metal é sem sombra de dúvida o estilo musical mais aberto à experimentações, inovações e misturas de todos os tipos. Do ponto de vista estritamente musical, é possível mesclá-lo com qualquer outra coisa. Olhando para a cena atual e passada, vemos que existe praticamente de tudo: bandas que misturam metal com jazz, metal com música erudita, metal com música latina, metal com new age... e, claro, metal com música indígena.

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Até aí nada de novo. O Sepultura há décadas havia feito isso com o emblemático "Roots".

Dito isso, chegamos ao "Wdê Nnâkrda", segundo álbum do Arandu Arakuaa, banda de Brasilia cuja a proposta é ir (realmente) fundo nessa mistura. Trata-se de um folk metal, mas um folk metal 100% tupiniquim.
Para quem não conhece ou ainda não ouviu falar, a principal característica do conjunto é o fato de todas as letras serem escritas em alguma linguagem indígena (tupi, xerente e xavante).

Só esse fator seria suficiente para despertar a curiosidade, mas o Arandu vai além: realmente entra de cabeça nessa mistura. Ao lado de vocais rasgados, quase Black metal, temos cânticos indígenas. Ao lado de guitarras pesadas, temos a viola caipira. Ainda que o disco "Roots" possa ser tomado como nosso referencial, compete aqui dizer que a banda tem sua própria personalidade e diferenciação.

Esse segundo lançamento difere do primeiro na medida em que aqui os contrastes entre as partes pesadas e as partes mais "folk" são mais demarcadas. De maneira geral, todas as músicas são repletas de contrastes, podendo ir do mais pesado Black/death metal a um som de florestas e cânticos em questão de segundos.

Deve-se ressaltar a qualidade musical do conjunto e dos músicos, individualmente. Não é apenas a estranheza da proposta que sustenta as músicas apresentadas. Trata-se, isso sim, de músicos de qualidade insuspeita, e de composições bem estruturadas e bem cuidadas.

A produção do disco, ainda que não tenha a mesma qualidade que os grandes nomes e medalhões do metal, não compromete de forma alguma, estando em um nível bastante aceitável.

É um disco para qualquer um? Certamente não. Headbangers mais tradicionais podem estranhar e torcer o nariz, uma vez que tudo soa realmente diferenciado. Mas para todos aqueles em busca de novidades e desafios, fica registrado essa dica.

Vida longa ao Arandu Arakuaa!

Tracks:

1."Watô Akwe" 2:09
2."Nhandugûasu" 4:34
3."Hêwaka Waktû" 4:50
4."Dasihâzumze" 4:08
5."Padi" 4:12
6."Wawã" 3:27
7."Ĩwapru" 3:50
8."Nhanderú" 3:03
9."Ĩpredu" 5:02
10."Sumarã" 4:45
11."Povo Vermelho" 5:25

Banda:

Nájila Cristina - vocais, maracá
Zândhio Aquino - guitarra, viola caipira, vocais, instrumentos indígenas, teclado
Saulo Lucena - baixo, vocais de apoio, maracá
Adriano Ferreira - bateria, percussão



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Sobre Tarcisio Lucas Hernandes Pereira

Tarcisio Lucas é formado em música-licenciatura pela UNICAMP. Fã de praticamente todos os subgêneros do Rock e do Metal, não dispensa também um bom Jazz ou erudito! Entre suas bandas favoritas estão: YES, Sepultura, Marillion, Mythological Cold Towers, Amorphis e Misfits.

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