Crematory: "Live Inssurrection", 17 faixas de puro deleite auditivo

Resenha - Crematory - Live Insurection

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Por Ivison Poleto dos Santos
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Faz um bom tempo que não ouço falar de álbuns ao vivo. Ou não percebo o seu lançamento. Talvez as duas coisas. Mas é que parece que depois de tudo o que foi dito sobre os famosos overdubbings em álbuns famosos e clássicos, sobre o "Speak Of The Devil" do Ozzy e tudo o mais, os álbuns ao vivo ficaram manjados e os fãs com muitas suspeitas. É natural. Talvez seja apenas uma daquelas fases de recesso. Só isso. Mas receber o "Live Insurrection" do Crematory foi realmente uma surpresa. O Crematory é uma banda com muitos anos de estrada que eu, simplesmente, não conhecia. Fazer o que, não conhecia. Passou batido como muitas outras grandes bandas dos anos 1990 que passaram batido. Vergonhoso talvez, mas fazer o que? Reconciliar-me com o Crematory e escrever uma resenha de "Live Insurrection". Certo?

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A minha primeira impressão com "Live Insurrection" foi um grande deja vú. A música do Crematory estava na minha cabeça há muitos anos mesmo nunca tendo ouvido nada da banda. Conheci o tipo de som que o Crematory faz pelas coletâneas da Planet Metal no final dos anos 1990. Foi nelas que escutei pela primeira vez a mistura de vocais guturais com vocais limpos em músicas que não exploravam a velocidade da luz, como eu estava acostumado a ouvir nas primeiras bandas de metal extremo. E eu me lembro de ter ficado extremamente surpreso e impressionado. O uso de teclados para dar aquela atmosfera de horror e densidade para mim era uma completa novidade. Por isso, a sensação de deja vú com este álbum do Crematory que utiliza os teclados com a mesma competência para dar um clima soturno às suas músicas como em "Ravens Calling".

Muitos falam que os anos 1990 foram um desastre para a música pesada. Eu discordo completamente. O Metal se realmente se dividiu em vários subgêneros, mas isso ao invés de o enfraquecer, fortaleceu-o. Essa mistura de vocais limpos com vocais guturais é simplesmente uma das coisa mais legais que já inventada no Metal. Os caras que começaram a fazer isso deveriam ganhar um monumento. O poder de músicas como "Pray" não me deixa mentir. O Crematory foi uma das bandas que conseguiu colocar os teclados como instrumento essencial para o Metal, e o resultado podemos verificar em "Live Insurrection" que possui músicas marcantes como "Everything", que é uma espécie de hino para o Crematory. E fica muito melhor ao vivo. "And everything I lost" não conhecendo o Crematory antes...

"Live Insurrection" possui dezessete faixas de puro deleite auditivo. Mais uma demonstração do que nossos amigos lusos chamam de beleza bestial. O liricismo de "Everything" é simplesmente tocante. Também devo ressaltar o trabalho que a banda faz com os efeitos. Em qualquer outra banda eles soariam ridículos, mas o Crematory consegue integrá-los à sua música de forma magistral. Parece que as guitarras ficam ainda mais poderosas, que a bateria bate mais forte..

Sem saber, foram bandas como o Crematory que me fizeram gostar de metal extremo com os seus contrastes musicais em músicas como "The Fallen", cujo solo de guitarra é tão simples e tocante que fica sensacional. Um realce também para "Höllenbrand", cujo instinto faz a mágica.

A primeira vez com o Crematory foi muito bacana. "Live Insurrection" foi lançado em 8 de setembro pela Steamhammer / SPV. Eu sinceramente espero que eles lancem mais.

Lista de músicas:

1 - Intro
2 - Misunderstood
3 - Fly
4 - Greed
5 - Tick Tack
6 - Instrumental
7 - Haus mit Garten
8 - Ravens Calling
9 - Pray
10 - Everything
11 - Instrumental
12 - Shadowmaker
13 - The Fallen
14 - Höllenbrand
15 - Die So Soon
16 - Kommt näher
17 - Tears Of Time

Assista ao vídeo ao vivo oficial de "Everything" aqui:




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Sobre Ivison Poleto dos Santos

Veterano das guerras metálicas. Pesquisador, escritor, resenhista, músico frustrado (por isso tudo o anterior). Ao contrário da opinião comum, acho que o melhor do Metal ainda está por vir e que existem grandes bandas novas por aí. Só procurar. No meu caso elas vêm até mim.

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