República Popular: promessa da cena independente do Amazonas
Resenha - LIS - República Popular
Por Jorge Henrique Oliveira Leite
Postado em 30 de junho de 2017
Após uma estreia sólida com o álbum "Aberto Para Balanço" de 2015, os manauaras da República Popular retornaram no ano seguinte com seu segundo lançamento, o EP "LIS", contendo 7 faixas que recebem nomes de mulheres. Uma das características notórias do EP é que pela primeira vez a banda apresenta os demais integrantes como vocalistas, função que antes era exercida unicamente por Igor Lobo. Além disso, o disco mostra o grupo se afastando de suas influencias iniciais de música regional e rock sem firulas para passear pelos mais variados territórios musicais.
A primeira música, "Laura Lis", composta e cantada pelo guitarrista Vinitius Salomão, já se inicia mostrando que a banda pode soar boa mesmo longe das Toadas ou dos Baiões do seu primeiro lançamento, se valendo de recursos como bateria eletrônica, teclados e licks de guitarra sensuais que caem como uma luva na canção, fazendo com que a audição da mesma se torne uma experiência extremamente agradável.
A bela "Analu", composta e cantada pelo baterista Viktor Judah, já mostra um lado mais pueril e inocente que contrasta bem com a sensualidade de sua antecessora, onde a banda se utiliza de instrumentos como ukulele, escaleta e teclados (sendo este último um elemento muito presente por todo o EP, a despeito de seu uso ser quase inexistente no lançamento anterior). A música é bastante simples, mas cativa o ouvinte e se encerra com um coro simplesmente deslumbrante.
"Juliana" apresenta pela primeira vez a familiar voz de Igor Lobo de volta aos holofotes (apesar de a música ter sido composta por Vinitius Salomão). A canção flerta com o tecnobrega e abusa de teclados nos mais variados timbres do início ao fim.
A quarta faixa, "Cristina", se inicia com um solo de guitarra que poderia facilmente estar presente em alguma música do Guns N’ Roses, mas logo mostra sua verdadeira face, desaguando numa canção humorística com influencias de Brega Music, cantada pela voz sofrida do baixista Sérgio Leônidas, que narra como foi rejeitado pela moça homenageada.
"Teodora", a primeira música do EP efetivamente composta por Igor Lobo, apresenta a República Popular mais uma vez revisitando suas influências de música latina, com as quais as pessoas que ouviram o "Aberto Para Balanço" já são familiarizadas. "Teodora" destila acidez tanto no seu arranjo quanto na sua letra, sendo uma peça bastante intensa a despeito de sua curta duração.
A penúltima música no play, "Frida", composição conjunta de Igor Lobo e Vinitius Salomão, tem uma influência pesada de Disco Music e é cantada em primeira pessoa do ponto de vista de uma Drag Queen, sendo definitivamente um dos grandes destaques deste lançamento, tanto pela sua letra empoderadora quanto pelo seus arranjos de extremo refino e bom gosto, desde o vocal multi-camada até os teclados de Viktor Judah e uma linha de baixo absurda, cortesia de Vinitius Salomão (importante notar que todos os integrantes da República Popular são multi-instrumentistas e demonstram em "LIS" que são capazes de assumir com maestria as mais diversas posições).
"Anastácia e Sofia", a faixa que fecha o EP, apresenta na sua primeira parte a volta de Salomão aos vocais, sendo o momento do disco que mais se aproxima de um Rock N’ Roll puro que não tarda e logo é substituído na sua segunda parte por um delicado piano, por onde Judah assume os vocais de um dos melhores refrãos do EP sendo impossível não cantar junto depois da primeira audição, encerrando de maneira digna um dos melhores lançamentos independentes de 2016.
Tracklist:
1-Laura Lis
2-Analu
3-Juliana
4-Cristina
5-Teodora
6-Frida
7-Anastácia e Sofia
Ficha Técnica
Produzido por Viktor Judah
Gravação e Mixagem: Viktor Judah (Manaus, AM)
Masterização: Raphael Mancini (São Paulo, SP)
Arte: Dylan Ranna
República Popular é:
Igor Lobo - voz, violão, guitarra, baixo e teclados
Sérgio Leônidas - voz, baixo, guitarra e violão
Viktor Judah - voz, bateria, teclados, violão, guitarra, baixo, percussão e synths
Vinítius Salomão - voz, guitarra, baixo, violão, ukulele, cavaco, gaita e kazoo
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