Crimson Dawn: bela mistura de Doom, Power e Prog Rock italiano

Resenha - Chronicles of an Undead Hunter - Crimson Dawn

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Por Bruno Rocha
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Nota: 9

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

A cidade de Milão, na Itália, além de ser conhecida como "Capital da Moda", é dona de um dos maiores clássicos do futebol mundial: Milan X Internazionale. De uns tempos para cá, infelizmente, ambos os times têm se mostrado combalidos e distantes da briga pelos títulos italianos de futebol. Champions League? Nem pensar! Contudo, se há algo que os milaneses podem se orgulhar nos dias mais recentes, com certeza é da banda CRIMSON DAWN.

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Os italianos têm um jeito especial e que só eles conhecem de fazer Heavy Metal. Tanto na linha melódica, como RHAPSODY OF FIRE e LABYRINTH, quanto na parte extrema, como FLASHGOD APOCALYPSE e SADIST, além de serem donos de uma interessante e desconhecida cena Black Metal na região da Sicília, por exemplo. As influências de música clássica e o forte uso de melodias típicas e medievais tornam o Metal italiano muito atraente, empolgante e interessante de se acompanhar. Tais elementos embelezam o Epic Doom Metal executado pelo Crimson Dawn.

Fundada em 2005, o sexteto pratica o Epic Doom ensinado pelo CANDLEMASS, temperado com o tradicional charme do Heavy Metal italiano. As melodias de guitarras, as linhas de teclado à la DEEP PURPLE e os vocais tenores fazem esta banda se destacar no meio de um cenário quase saturado que é o Epic Doom, onde várias bandas procuram somente imitar CANDLEMASS e SOLITUDE AETURNUS (este último, principalmente).

Infelizmente, este é o problema de várias bandas que não molduram suas propostas musicais a fim de definir uma identidade para a banda. Muitas ainda conseguem soar empolgantes e convincentes, mesmo que para isso achem que precisam escancarar suas influências sem dó nem piedade. Mas, no final das contas, o que separa homens de meninos é a identidade da banda, que o fará se destacar em meio as outras mil que não lapidam as suas. Seja competentíssimo para trabalhar suas influências, mas torne-se conhecido pelo o que você é, não pelo o que você escuta. Ponto para o CRIMSON DAWN, que se mostra uma banda de composições envolventes e emocionantes e de arranjos de muito bom gosto!

A banda milanesa sacramenta-se como destaque do Doom Metal épico com seu segundo álbum de estúdio, "Chronicles of an Undead Hunter", lançado este ano via gravadora Punishment 18. Após a intro "Twilight of the Wandering Souls", temos o Doom Metal de "Eternal Is The Dark", uma ótima composição, mas que não funciona bem como música de abertura, vaga esta que deveria seria melhor aproveitada pela música seguinte, "Neverending Rain". Esta peça é um Heavy Metal cavalgado e que abriria o disco derrubando portas! Já podemos destacar aqui as dobras de guitarra-teclado à la DEEP PURPLE (uma forte influência, diga-se de passagem!) e os vocais de Antonio Pecere, um cantor com muita técnica e qualidade, da escola de tenores de Fabio Lione (ANGRA, ex-RHAPSODY OF FIRE).

As demais músicas seguem os padrões descritos nas anteriores. Músicas épicas, duelos guitarra-teclado, influência do clássico, do Folk e do Rock Progressivo italiano. Eis a receita que o CRIMSON DAWN segue para que sua música se torne única e peculiar. "The Suffering" lembra as músicas lentas que o STRATOVARIUS costuma encaixar no final de seus álbuns. Em seguida, chega a emocionante "The Skeleton Key", com seu riff que nos convida a acompanhá-lo com coros de "ôoos...", e com uma passagem Folk cantada em italiano. Ganhou clipe.

"Gaze Of The Scarecrow" e "Dark Ride" são as mais épicas e longas do álbum. Ambas possuem estruturas Doom em suas primeiras metades, e depois descambam para um ritmo acelerado do meio para o fim. A primeira, em especial, traz uma soberba interpretação de Pecere e um duelo de arrepiar entre o guitarrista Dario Beretta e o tecladista Emanuele Laghi.

Até para quem não se identifica com as atmosferas do Doom, este é um ótimo trabalho para se conhecer e se admirar. Prova disso é a música "Checkmate In Red", um Metal Tradicional na linha dos representantes da NWOBHM, em especial SAXON. Para quem já habita as catacumbas do Doom, eis aqui uma banda diferenciada, mas que mantém as essências do gênero maldito em suas entranhas, entranhas essas que são expelidas na última música, "To Live Is To Grieve", onde o Doom mais estrangulante dá as caras. A única ressalva é a de que as guitarras precisariam sair menos abafadas. A ideia de um timbre pesado e sujo é ótima; também faz parte do "script identidade" do CRIMSON DAWN. Mas é algo que ainda precisa ser melhor trabalhado em estúdio. Baixo e bateria trabalham com muita força e harmonia. Guitarras-bases não deixam brechas e teclados dão o molho especial do Rock Progressivo italiano que tempera o Heavy/Doom deste grande grupo.

E que a Itália continue sempre revelando bandas para fomentar ainda mais sua rica e admirável safra. O CRIMSON DAWN chegou e já mostrou que fará sua parte pelo Doom Metal. Ou do Heavy/Power... Dos dois. Diferentemente de Milan ou Internazionale, aqui, os dois estilos ganharam este clássico! É festa milanesa com certeza!

Chronicles of an Undead Hunter - Crimson Dawn (Punishment 18 Records, 2017)

Tracklist:
01. Twilight of the Wandering Souls (Intro)
02. Eternal Is The Dark
03. Neverending Rain
04. The Suffering
05. The Skeleton Key
06. Gaze Of The Scarecrow
07. Dark Ride
08. Checkmate In Red
09. To Live Is To Grieve

Line-up:
Dario Beretta (guitarra solo)
Luca Lucchini (bateria)
Antonio Pecere (vocais)
Alessandro Reggiani Romagnoli (baixo)
Emanuele Laghi (teclados)
Marco Rusconi (guitarras)




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Sobre Bruno Rocha

Cearense de Caucaia, professor e estudante de Matemática, torcedor do Ferroviário e cafélotra. Entrou pelas veredas do Heavy Metal na adolescência e hoje é um aficionado e pesquisador de todos os gêneros mais tradicionais desta arte e de suas épocas. Tem como forte o Doom Metal, não obstante o sol de sua terra-natal.

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