Attractha: O álbum de estreia da banda

Resenha - No Fear to Face What's Buried Inside You - Attractha

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Por Hugo Alves
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

A banda paulistana ATTRACTHA foi formada em meados de 2007 e conta com um histórico tortuoso de trocas constantes de vocalistas – certamente o integrante mais difícil de encontrar, principalmente considerando os quesitos “qualidade” e “personalidade” –, mas também traz em sua bagagem diversas vitórias, como lançamentos de singles e vídeo clipes que fizeram considerável sucesso em vários países ao redor do mundo. Uma biografia repleta de tanta luta, tantas reviravoltas positivas e tantas conquistas resultou no debut intitulado “No Fear to Face What’s Buried Inside You”, lançado em Setembro de 2016 pela Dunna Records.

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Produzido por Edu Falaschi (ex-vocalista das bandas Venus, Mitrium e Angra, atual vocalista da banda Almah) e mixado e masterizado em Los Angeles, CA, Estados Unidos por Damien Rainaud (que também já produziu as bandas Fear Factory, DragonForce e Babymetal), o material surpreende já pela arte gráfica. A capa é uma digipack muito diferente, que abre em formato de cruz, e vai desvendando o título do disco ao mesmo tempo que vai nos apresentando os integrantes da banda. O acabamento do encarte, que vem em formato de pôster, também é uma grata recompensa a quem adquire a “bolachinha” digital.

Atualmente, a banda conta com Cleber Krichinak (vocalista), Guilherme Momesso (baixista), Ricardo Oliveira (guitarrista) e Humberto Zambrin (baterista), que gravaram nove faixas que misturam muito peso, agressividade, melodia e técnica, tudo na medida certa, sem exagerar em ponto algum, o que torna a audição leve e agradável mesmo para os ouvidos mais exigentes – e sabemos que o público do Metal não se contenta com pouco. Nem mesmo a experiência anterior de Cleber como vocalista da banda Kings of Steel (tributo oficial brasileiro ao Manowar) passa por cima da unidade que os músicos formam como banda, demonstrando grande versatilidade, originalidade e forte identidade por parte do cantor.

O disco conta com nove canções, a iniciar por “Bleeding in Silence”, uma verdadeira pedrada de pouco mais de quatro minutos que, se não é usada pela banda para iniciar seus shows, é forte candidata nesse sentido. O grande destaque aqui, não desmerecendo o trabalho dos demais músicos, é Humberto Zambrin, que simplesmente destrói no pedal duplo e na condução durante os compassos mais agressivos. Em seguida, “Unmasked Files (Revisited)”, o single que precedeu o lançamento do disco, mantém a agressividade inicial do álbum, com versos bastante marcantes e novamente uma grande apresentação de Cleber Krichinak.

A terceira faixa é “231” e, se havia agressividade nas duas faixas anteriores, essa vem pra quebrar narizes e queixos – o autor desta resenha sinceramente tomou um grande (e positivo) susto já nos primeiros segundos. É um show de pratos de ataque, pedais duplos, groove na condução, riffs nervosos construídos nas cordas mais graves e harmônicos que deixariam Zakk Wylde (ex-guitarrista de Pride and Glory e Ozzy Osbourne, atual guitarrista e vocalista de Black Label Society) orgulhoso e chamando Ricardo Oliveira de “meu filho bastardo”. A seguir, “Move on”, que segue em ritmo levemente mais cadenciado, mantém a qualidade do disco e tem outras ótimas linhas de guitarra, principalmente nos fills e harmônicos. Particularmente falando, é a melhor construída até aqui.

A quinta canção é “Mistakes and Scars”, muito boa, mas que parece uma continuação da faixa anterior, levemente mais acelerada – que se entenda isto como quiser, ou que seja ouvido o disco e que sejam tiradas as próprias conclusões. Já “No More Lies” (que não é cover do Iron Maiden, mas começa numa progressão na guitarra limpa que lembra muito alguns “lados B” deles no final dos anos 1980, mas que depois lembra muito alguma coisa de Led Zeppelin do meio da década de existência) surpreende: é um grande momento de calmaria no meio da barulheira, e novamente Cleber Krichinak carimba a marca de sua versatilidade. É, de fato, uma bela canção, com uma letra muito bonita e reflexiva, e um dos melhores momentos do disco. É também a mais longa faixa do trabalho, mas esses pouco mais de seis minutos não são sentidos dessa forma, haja visto a beleza da canção.

Este disco surpreende noutro quesito: a disposição das canções parece ter sido intencional, já que uma faixa parece ir levando à outra naturalmente. É a sensação que se confirma quando se passa para “Holy Journey”, que começa leve e cheia de mistério, só para dar lugar a “Victorious”, que chega com um riff muito marcante, radiofônico até, aliado a um grande groove de bateria e baixo – nem mencionei, mas é ridículo (no bom sentido da palavra) ouvir o trabalho de Guilherme Momesso – se esse rapaz toca baixo com os dedos, só podemos imaginar que deve ter algum motor nas mãos, por que é muito rápido, muito preciso e muito bonito o som que ele tira de seu instrumento musical.

Finalizando o disco, temos “Payback Time” que, ironicamente (ou não, quem sabe?) serve perfeitamente como fechamento para um show dos caras. Todos aqui jogam suas habilidades pro nível máximo. Uma faixa muito técnica, pesada (pra quê isso tudo, Humberto?!) e que só vem a corroborar a grande qualidade desta banda que finalmente nos agraciou com um full length. Agora é torcer para que os caras apareçam em nossas cidades – se a qualidade do show for como a do disco, os fãs de Metal podem certamente esperar por um show monumental de uma banda que só tende a crescer, melhorar e vir a ser um dos grandes nomes da nova safra do Metal nacional.

Tracklist:

01. Bleeding in Silence
02. Unmasked Files (Revisited)
03. 231
04. Move on
05. Mistakes and Scars
06. No More Lies
07. Holy Journey
08. Victorious
09. Payback Time

(Com agradecimentos especiais ao Rômel Santos.)

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Sobre Hugo Alves

Hugo Alves é formado em Letras (Português and Inglês) pela UNISO – Universidade de Sorocaba e futuro mestrando em Literatura ou Semiótica. Começou a escutar Rock aos 11 anos com “Bring Me to Life” do Evanescence, mas o que o tomou para sempre para o Rock and Roll foi “Fear of the Dark” (versão ao vivo no Rock in Rio), do Iron Maiden, banda que, ao lado de The Beatles, considera como favorita, amando quase que igualmente os sons de Viper, Angra, Shaman, Andre Matos, Rush, Black Sabbath, Metallica, etc. Foi vocalista das bandas Holygator e Bad Trip, iniciantes em Sorocaba/ SP, e também toca guitarra e baixo. Outra de suas paixões é a Literatura, pela qual desenvolveu o gosto pela escrita e comunicação.

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