Abacab: Phil Collins assume o comando do Genesis

Resenha - Abacab - Genesis

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Por Roberto Rillo Bíscaro
Enviar correções  |  Comentários  | 

Nota: 7

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Com Duke (link para a resenha, ao final desta), o Genesis sentiu o doce sabor do sucesso de massa. O batera-vocalista Phil Collins escalara o Everest das paradas com sua estreia solo de 1981, Face Value. Mike Rutherford e Tony Banks tinham motivos para seguir com a transformação da banda, senão pela tentação da grana, pelo perigo mesmo, porque bandas prog eram demitidas como moscas pelas gravadoras. Abacab (setembro de 1981) definitivamente marcou a transição do Romantismo prog para uma espécie de Modernismo rock de arena.

O nome meio dadaísta não significa nada. Originalmente, a faixa-título era dividida em seções batizadas com letras. Muda aqui, corta lá; num momento a ordem das seções era a,b,a,c,a,b.

Até a capa fugiu ao padrão progressivo-mitológico de Selling England By The Pound ou Trick of the Tail (links para as resenhas, ao final desta). A arte abstrata dava ar mais moderno ao grupo, que queria competir com seus pares reinantes da New Wave e do pós-punk. E não é que se deram bem? Abacab ficou meses nas paradas e colocou a banda no circuito das turnês em grandes estádios. Collins e Co. – com suas caras de semipapais comuns – rivalizavam a adulação popular com os gatinhos do Duran Duran ou do Spandau Ballet.

Abacab deixa para trás os rococós progressivos, os longos solos de teclado e abraça sonoridade mais agressiva, onde bateria e vocais estão em proeminência. Embora os membros sempre hajam negado, Collins assumia a chefia. A produção abandona meios-tons pantanosos para se tornar representante típica do lustre da época. Redondinha, bem ao gosto dos ascendentes yuppies.

Os sete minutos da faixa-título são desnecessários. A tentativa de soar meio metal até traz bons momentos (não metais), mas a pouca variação no instrumental enjoa após o quarto minuto. No Reply At All é delícia funkeada, com metais do Earth, Wind and Fire, então no auge de seu reinado. Nada a ver com o trabalho prévio do Genesis, enfurecendo fãs antigos, que vaiavam a banda em alguns shows da turnê de Abacab, quando material do álbum era executado. Até o sotaque de Phil está mais americanizado para garantir maior aceitação no mercadão ianque. Note como ele pronuncia can’t nessa faixa e compare com o can’t britânico dos sete minutos prog que valem a pena de Dodo/Lurker.

Confiante e avalizado pelo grande público, Phil bota a alma para fora quando canta. A produção, o sucesso e a experiência desabrocharam vocalista seguro e versátil. Ele abre o berreiro na rutherfordiana balada Like it or Not e faz diversas vozes em Dodo/Lurker e na ótima Me And Sarah Jane, que poderia ser definida como Tony Banks sobrevoa a Jamaica no inverno. Salpicos de reggae num puro clima Tony.

Em Man on the Corner, o Genesis prova que aprendera tanto de produção que pôde assumir a tarefa nesse álbum. O instrumental vai se adensando conforme o pathos aumenta, culminando com a poderosa bateria e os gritos de Collins. A necessidade/vontade de se contemporanizar resulta no maior tropeço, a infantiloide Who Dunnit. Punkosa, tentando ser palhaça, com letra besta. Constrangedora.

O Genesis entrara para vencer no jogo pop oitentista. Perdeu fãs “históricos”, mas ganhou legião de admiradores de última hora, que desconheceriam para sempre a era Gabriel ou mesmo os primeiros álbuns da Collins. Abacab colocou o grupo na linha de frente. Parecia outro, se comparado ao Genesis de cinco anos antes. Era outro universo, se voltássemos sete anos e tomássemos The Lamb Lies Down on Broadway (link para a resenha, ao final desta).

Abacab foi o último álbum a merecer algum respeito pela crítica. Os próximos seriam massacrados, mas Banks, Collins e Rutherford imperariam pelos dez anos seguintes.

youtube player
Inscreva-se no nosso canalWhiplash.Net no YouTube

Tracklist
1. Abacab (7:01)
2. No Reply At All (4:40)
3. Me And Sarah Jane (5:59)
4. Keep It Dark (4:31)
5. Dodo / Lurker (7:28)
6. Who Dunnit? (3:22)
7. Man On The Corner (4:26)
8. Like It Or Not (4:57)
9. Another Record (4:28)
613 acessosGenesis: Caindo de boca no pop, com Duke
1667 acessosGenesis: "Selling England", o álbum do qual John Lennon gostava
1549 acessosGenesis: a Gênese da era Collins
1667 acessosGenesis: "Selling England", o álbum do qual John Lennon gostava

GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato.

Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Trolls e chatos que quebram estas regras podem ser banidos. Denuncie e ajude a manter este espaço limpo.

Phil CollinsPhil Collins
Hospitalizado após cair e bater a cabeça

275 acessosGenesis: "Mama" em versão Metal por Leo Moracchioli91 acessosThe Watch: sétimo LP traz a guitarra de Steve Hackett94 acessosNad Sylvan: LP com participação de Steve Hackett e estrelas prog1261 acessosGenesis: vídeo com o clássico maior da banda ilustrado0 acessosTodas as matérias e notícias sobre "Genesis"

BandasBandas
Audiófilos elegem as maiores da história do rock

King DiamondKing Diamond
Revelando qual o seu cantor preferido

Ozzy OsbourneOzzy Osbourne
Obcecado pelo 1º disco de Phil Collins?

0 acessosTodas as matérias da seção Resenhas de CDs e DVDs0 acessosTodas as matérias sobre "Genesis"

Rolling StoneRolling Stone
As melhores faixas que fazem parte de álbuns ruins

NirvanaNirvana
Ronaldinho Gaúcho em homenagem a Nevermind

ACDCACDC
Dave Evans: "Aquela coisa Glam foi idéia do Malcolm!"

5000 acessosPensadores e autores que inspiraram o Heavy Metal: Friedrich Nietzsche5000 acessosSeparados no nascimento: Ian Hill e Stênio Garcia5000 acessosIvete Sangalo: "Ouço muito SOAD, Linkin Park, Slipknot e Rush"5000 acessosGuns N' Roses: estúdio e ao vivo, expectativa e realidade5000 acessosCinema: o melhor e o pior dos rockstars em filmes5000 acessosSepultura: ouça versão original de "Roots, Bloody Roots"

Sobre Roberto Rillo Bíscaro

Roberto Rillo Bíscaro é professor universitário e edita o Blog do Albino Incoerente desde 2009.

Mais matérias de Roberto Rillo Bíscaro no Whiplash.Net.

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria, e não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será removido. Conheça a nossa Política de Privacidade.

Em fevereiro: 1.218.643 visitantes, 2.740.135 visitas, 6.216.850 pageviews.

Usuários online