Brutallian: Um grande nível de excelência
Resenha - Blow On The Eye - Brutallian
Por Hugo Alves
Postado em 03 de dezembro de 2016
Brutallian é uma banda maranhense formada em 2002 pelos ex-integrantes de outras duas bandas (Ácido e Skylord) Pablo Barros (vocais), Rhodes Johnson (guitarra), Carlos Jacer (baixo) e Mauro de Aquino (bateria). A formação durou até 2010, quando a banda decidiu pausar suas atividades por tempo indeterminado. O retorno se deu em 2013, mas as baquetas foram passadas para Daniel Mamede (ex-Fúria Louca) que permaneceu até meados de 2014 (e foi quem gravou o disco), deixando o posto para Rayan Oliveira, que permanece até hoje. No final do mesmo ano, Carlos Jacer passou as cordas mais graves para o experiente Fabio Matta, que integra a banda até o momento.
A banda lançou no ano passado seu debut "Blow on the Eye" de forma audaciosa, considerando que não houve qualquer lançamento de demo ou mesmo material promocional anterior a isso. O disco é distribuído pela Voice Music e foi produzido por Felipe Hyily, Cid Campelo e pela própria banda. A arte da capa, simples e direta (e que remete timidamente ao clássico "Vulgar Display of Power" do Pantera) é de autoria do baixista Fabio Matta. A seguir, a resenha do disco, faixa a faixa.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
Precedida pela introdução "A Prelude to Aggression", vem a faixa-título "Blow on the Eye" e aqui já cabe um elogio a todo o disco: o som da guitarra de Rhodes Johnson está absurdamente bem gravado em todo o CD, o que é um deleite aos ouvidos! Voltando à faixa-título, o que se ouve é um Thrash Metal com toques de Heavy Metal clássico, com estrofes berradas e um refrão simples, sucinto, mas muito poderoso, daqueles pra galera cantar alto no show erguendo grandes copos de cerveja. Não tem como um disco de Metal em geral começar melhor, sinceramente!
A seguir, "Black Karma" que, pela força cavalar do refrão cadenciado e com ótimos coros "out get out", classifico sem medo de errar como uma das melhores canções que já ouvi nosso Metal brasileiro produzir. Por sua vez, "Primal Sigh" vai surgindo devagar, num crescendo de coçada de palheta nas cordas mais graves da guitarra e groove no chimbal para, quando começa de vez, parecer a sucessora mais natural possível a "Black Karma" (verdade seja dita: saber construir uma tracklist também ajuda muito no sucesso de um disco). O que mais me agradou nessa faixa foi o resultado do vocal de Pablo Barros – imagine o Andre Matos cantando Thrash Metal e carregando um pouco mais de drive nas cordas vocais e você vai entender a dimensão do que esse cara faz aqui!
Eu tenho uma queda gigante por canções mais sentimentais, daquelas que tocam o coração mesmo, e sinceramente não esperava por isso nesse disco – não que isso fosse torna-lo pior, nem de longe. Mas em "Psycho Excuse" os caras devem ter misturado "Planet Caravan" e "Zeitgeist" do Black Sabbath com "Soldier Side" e o início de "Question" do System of a Down num liquidificador e temperado com a cara deles, ficou absurdamente bom (só achei curtinha, poderiam ter desenvolvido mais, porque o tema é realmente muito bom)! Logicamente que a pauleira impera e "You Can’t Deny Hate" chega chutando a bunda de quem ouve. Os riffs são muito bem truncados e a bateria de Daniel Mamede é quem dita as regras aqui – o bicho é um ignorante no melhor sentido da palavra, desce o braço sem dó e sem perder um nada de técnica!
A seguir, vem "Hell is Coming with Me" e aqui foi onde eu consegui sentir a banda mais coesa, os quatro integrantes como unidade mesmo. Tudo casa muito perfeitamente e não há um destaque dentre eles, há apenas o grande resultado, que é um Metal poderoso (principalmente na ponte e no refrão), dá até pra imaginar a galera dançando loucamente essa nos shows! Vem "The Scoundrel" e eu adorei o instrumental nessa canção, mas senti que as linhas melódicas vocais poderiam ter sido melhor trabalhadas. Que me desculpe a banda, parece que o vocal destoa do resto, de um modo geral. Mas volto a falar do instrumental: geralmente, você vai chegando ao fim de um disco e vai se deparando com vários fillers, mas isso definitivamente não acontece aqui. O disco melhora muito conforme você vai avançando, é incrível!
Prova disso é a última faixa do disco, a excelente "Pain Masterpiece". Pra mim, tem a melhor letra do disco e a constante mudança de andamento e de ritmos é um show à parte. Forte candidata a canção de encerramento dos shows dos caras, tamanha a força dessa canção.
A Brutallian tem uma grande e longa história e o ápice disso tudo vem a ser este debut. Ele lembra muito a mesma energia, a mesma intensidade e a mesma vibração que grandes debuts têm, como um "Iron Maiden", um "Kill ‘em All" ou até mesmo um "Appetite for Destruction"; quero dizer que as canções mostram a história da banda, canções que compõem um primeiro disco geralmente são as melhores canções que os músicos escreveram até aquele ponto. Fica a torcida para que os próximos trabalhos da banda sejam lançados com igual (talvez superior) nível de excelência.
Outras resenhas de Blow On The Eye - Brutallian
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Rafael Bittencourt, fundador do Angra, recebe título de Imortal da Academia de Letras do Brasil
Iron Maiden fará show em Curitiba na turnê de 50 anos "Run For Your Lives"
A música que Regis Tadeu mandaria ao espaço para representar o melhor da humanidade
As 5 músicas pesadas preferidas de Mille Petrozza, frontman do Kreator
O álbum do Iron Maiden eleito melhor disco britânico dos últimos 60 anos
Morre Clarence Carter, intérprete de música que virou hit em tradução do Titãs
A música sobre John Lennon que Paul McCartney ainda acha difícil cantar ao vivo
O álbum do Aerosmith que deveria marcar um retorno importante, mas deixou a desejar
O álbum do Pink Floyd que Roger Waters achava que só ele poderia conduzir
Evanescence lança vídeo oficial da música "Who Will You Follow"
10 bandas de rock que já deveriam ter se aposentado, segundo o Guitars & Hearts
Membros do Angra e Korn jogam tênis na casa de Ronaldo Fenômeno: "Quão doido é isso?"
O disco do Metallica que transformou Lars Ulrich em inimigo eterno
O melhor cantor de blues de todos os tempos, segundo Keith Richards
Os dois melhores álbuns dos anos 1970, segundo David Gilmour
John Frusciante: "Anthony Kiedis não sabe nada de música"
Sebastian Bach: descrevendo o horror de urinar com Phil Anselmo
Os 100 maiores hinos do rock progressivo segundo leitores da Classic Rock

"Out of This World" do Europe não é "hair metal". É AOR
"Operation Mindcrime III" - Geoff Tate revela a mente por trás do caos
O Ápice de uma Era: Battle Beast e a Forja Implacável de "Steelbound"
"Acústico MTV" do Capital Inicial: o álbum que redefiniu uma carreira e ampliou o alcance do rock
Biohazard fez a espera de treze anos valer a pena ao retornar com "Divided We Fall"
Metallica: em 1998, livrando a cara com um disco de covers
Death: Responsáveis por elevar a música pesada a novo nível
