Moda de Rock: as violas seguem extremas no segundo cd.
Resenha - Viola Caipira Instrumental II - Moda de Rock
Por Willba Dissidente
Postado em 01 de dezembro de 2016
Nota: 9 ![]()
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Formado em 2007 pela dupla responsável pelo MATUTO MODERNO, o projeto MODA DE ROCK foi idealizado por professores de viola caipira ZÉ HELDER e RICARDO VIGNINI como forma de levar a viola caipira ao universo jovem. Instrumento de 10 cordas que é tocado comumente em dedilhado, a dupla tem por meta fazer versões instrumentais de nomes clássicos do Metal / Rock internacional. Um primeiro disco, chamado "Viola Extrema" foi lançado em 2011, alcançando sucesso de crítica e público, gerando um DVD e shows por todo Brasil, além de EUA e Argentina; países esses onde a viola caipira nunca tinha pisado. Acusados de ridicularizar a viola, ou deturbar o Rock, o que esses violeiros prepararam no seu segundo álbum?
Para entender o trabalho do MODA DE ROCK é preciso ter em mente que o som da dupla não é exatamente a viola caipira de TIÃO CARREIRO, assim como Rock não é violão clássico. Se faz mister também esclarecer que mais de duas violas foram usadas, aproximando a gravação de um disco de rock, com overdubs, dobras, slides e percussões. O saudoso violeiro RENATO ANDRADE comprovou que a viola é um instrumento fora do comum, por conseguir emular nas dez cordas sertanejas muitos outros instrumentos; ainda assim, para dar um potencial à mais nas músicas, o MODA DE ROCK faz uso de vários pedais de guitarra acopladas às violas, principalmente nas mãos de Vignini, como, distorção, satuaração, whah-whah e diversos outros.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
Ainda que as músicas caipiras sejam notórias porem serem tristes, o MODA DE ROCK conseguiu exprimir diversos sentimentos distintos ao longo desse cd instrumental, como alegria ("I want to break free"), intensidade ("Refuse / Resist), calma ("Why Worry"), Solidadão ("Diary of a Madman" e "Paint it Black"), pânico ("Raining Blood") etc. A dupla foi realmente muito criativa e cativante nos arranjos, além de demonstrarem bom gosto por manterem as melodias de voz, refrões e convenções de todas as músicas originais. Certamente, quem já as conhece será tentado a cantar junto, acompanhar com palmas, assim como quem conhecer uma música pelos 'covers' do MODA DE ROCK, ira procurar a original já a sabendo solfejar. As únicas diferenças notórias entre os rocks e as versões caipiras são os solos; dupla virtuosa aproveitou para mostrar serviço nesse quesito.
Outro mérito dos violeiros foi conseguirem usar técnicas amplamente difundidas pelos guitarristas de Rock pesado na viola, como as introduções de "Thunderstruck" (que lembra muito a faixa título da banda BARÓN ROJO, de 1980) e "Aces High" (inclusive música de abertura nos shows), com seus Hammer On, Pull Off's e Two Hands; já que o braço de uma viola caipira passa muito longe de ser o ideal para tocar esses estilos. A introdução "Laguna Sunrise" do "Vol. IV" do BLACK SABBATH teve participação de Adriano Magoo no acordeão; talvez um instrumento que ainda os violeiros não descobriram como copiar. Até o ritmo de bateria, como em algumas músicas como "Fade To Black", foi feito nas palhetadas na viola.
Já citamos várias das canções do álbum, mas podemos destacar "We Want the Airwaves", cover inusitado do THE RAMONES (segundo Zé Helder, "ele foi o único punk da cidade de Cachoeira de Minas), com solos muito interessantes que inexistem na original, além da faixa do SLAYER, por ser a mais rápida e variada e "Paint it Black" dos THE ROLLING STONES, por ter uma melodia sombria em crescendo.
Encerrando, o álbum vem em digipack com encarte de 04 páginas com fotos (ainda que devessem ter explorado mais o cenário do retrato de contra-capa, que é muito bonito). O cd "Moda de Rock II" é patrocinado pelo Proac / SP e o Governo Estadual de SP, além de financiamentos privados. A arte da capa recorda um filme de terror asiático. Que tal então, incluir um LOUDNESS no próximo? A mídia é em cd original prateado prensado com ilustração que lembra as clássicas capas de "Draw the Line" do AEROSMITH e "Who's Next" do THE WHO. Essas são sugestões para um próximo trabalho, pois em seu segundo registro de estúdio, o MODA DE ROCK continua sendo interessante, justamente por apresentar um universo diferente ao ouvinte de Rock / Metal, mas ainda assim com muitas referências conhecidas.
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