Kalisia: Um álbum quintessencial aos fãs do death metal melódico
Resenha - Cybion - Kalisia
Por Matheus Bernardes Ferreira
Postado em 19 de agosto de 2016
Cybion é o primeiro álbum da banda francesa de death / prog metal melódico Kalisia. Levando em conta que foram passados quase 15 anos do lançamento da primeira demo da banda, Cybion é provavelmente um dos álbuns que mais tempo levou para ser produzido na história do metal, o que gera grande expectativa sobre ele. O homem por trás desse projeto atende por Brett Caldas-Lima, músico multi-instrumentista que demonstra todo seu virtuosismo principalmente na guitarra, onde destaca sua colossal sequência de riffs melódicos com pegada death técnico-intempestivo que se recusam a cair na mediocridade. Soma-se também seu vocal gutural destruidor. Juntos, riffs e vocal gutural formam a espinha dorsal death metal do álbum, presente em todas as músicas. Entretanto, o álbum vai muito além desse rótulo.
Por mais que Brett use e abuse do seu ótimo gutural, ele não se limita nele. Não só porque tem frequentemente ao seu lado a bela voz de Elodie Buchonnet fazendo contraste entre vocal masculino-feminino, mas porque ele usa e abusa dos efeitos eletrônicos, tanto em sua voz quanto na de Elodie. Impressiona a quantidade e diversidade de efeitos de vozes espalhados por toda composição. Temos vozes sintéticas de todos os tipos imagináveis, incluindo efeitos no próprio gutural, permitindo Brett alcançar selvagerias extraordinárias. Também encontrarmos algum canto lírico, canto limpo suave e narrações de diversos tipos. Tudo cantado em inglês, francês e numa fictícia língua alienígena, em interpretação aos diversos personagens e entidades indefinidas presentes na futurista história conceitual do álbum. Não, não temos dois vocalistas, mas sim uma miríade de gargantas, ora orgânicas ora sobre-humanas, cantando, dialogando, sibilando, gemendo, vociferando, ao fogo alto da mais frenética pegada death metal melódica.
José Ricardo Peret | Gustavo Anunciação Lenza | Roberto Luis Pertsew | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Luis Alberto Braga Rodrigues | Reginaldo Manuel Soares de Faria | Paulo Eduardo Farias | Thomas Wisiak | Rogerio Antonio dos Anjos | Miguel Angelo Leal | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
A influência instrumental de Cybion é extremamente vasta. O cerne é uma mistura de death metal melódico (Arch Enemy), algumas passagens de black metal sinfônico (Emperor), riffs técnicos e quebrados (Dream-Theater) e a já citada utilização de efeitos sintéticos (Cynic). Não por acaso, a versão especial deste álbum acompanha um segundo disco com covers das bandas acima citadas. Entretanto, a influência que mais se destaca, tanto pela quantidade quanto pela qualidade, é da utilização do sintetizador, seja como simples acompanhamento de fundo, seja com efeitos soltos pelas músicas, solos, orquestrações, usado nas vozes ou mesmo nas batidas. O tecladista Laurent Pouget bebeu diretamente da fonte do conterrâneo Jean Michel Jarre.
Temos também considerável utilização do piano, violino, flauta, saxofone e outros instrumentos mais exóticos, adicionando ao álbum sonoridades que transcendem os limites típicos do metal, mas que nunca chega descaracterizá-lo ou transformá-lo numa abominação musical. Ao longo de todo o álbum temos alguns poucos interlúdios acústicos ou passagens suaves e não-metálicas como jazz e música ambiente, mas o forte mesmo desses caras é a paulada.
A mixagem é outro ponto forte do álbum. O som está limpo, translúcido, não havendo a sobreposição das guitarras e vocais aos demais instrumentos. A pegada é agressiva e rápida a maior parte do tempo, com infernais blast-beats hora ou outra e o uso constante do pedal duplo. Excelente trabalho do baterista Laurant Bendahan. Até o contrabaixista Thibaut Gerard conseguiu seu espaço espalhando vários solos pelo álbum e conseguindo criar ótimas linhas compassadas com a batida, que se destacam principalmente quando o som das guitarras foge de foco.
O álbum parece ser mais longo do que realmente é, muito por causa da quantidade extraordinária de alternâncias rítmicas não só entre as faixas, mas inclusive dentro delas mesmas. Paradoxalmente, o álbum soa uniforme ao apresentar um continuum de músicas curtas que não possuem delimitação precisa, dando a impressão de que o álbum todo se constitui de uma única e gigantesca faixa, o que dificulta um pouco de o ouvinte entrar no álbum. A organização da sequência das músicas por ordem alfabética certamente foi pensado no intuito de facilitar o ouvinte a se orientar no decorrer das músicas. Recomendo muito ouvir este álbum acompanhando sua excelente história conceitual que muito me lembrou o conto "A última pergunta", de Isaac Asimov, e que serve tanto de meio de imersão musical quanto de guia ao vasto material.
O perfeccionismo é a grande característica de Cybion, talvez por isso tenha demorado tanto tempo para ser lançado. Não existe passagem de preenchimento, riff genérico ou que não pareça inspirado, solo sem sentido ou qualquer outra deficiência técnica na execução. Por isso não temos destaques individuais, positivos ou negativos, que mereçam menção. O álbum é nivelado por cima. Mas para não ficar em cima do muro, destaco as duas últimas faixas do álbum, talvez por serem as mais épicas. Recomendo aos fãs da música progressiva que não se incomodam com vocal gutural. Aos fãs do death metal melódico, um álbum quintessencial.
kalisia
Cybion, 2009
Death / Prog Metal (França)
Lista de músicas:
Introduction / Domination (1:48)
Aspiration Above (2:28)
Arken Bringer (3:24)
Alien Choice (2:39)
Awkward Decision (4:20)
Blinded Addict (5:35)
Beyond Betrayal (3:34)
Blessed Circle (5:14)
Black Despair (3:28)
Blurred Exile (3:10)
Cast Away (5:04)
Crisis Bleedings (2:05)
Confined Contender (4:07)
Circuits Distortion (2:03)
Contact Experience (3:24)
Devices Awakening (2:52)
Down Below (3:08)
Distant Chronicles (3:51)
Digital Disclosure (5:28)
Deserved Eternity (3:19)
Tempo total: 01:11:11
Músicos:
Brett Caldas-Lima / vocal, guitarra, programação
Bruno Michel / guitarra
Thibaut Gerard / contrabaixo
Laurent Pouget / teclado
Laurent Bendahan / bateria
Elodie Buchonnet / vocal feminino, flauta, saxofone
Músicos Convidados:
Angela Gossow / vocal
Arjen Lucassen / vocal
Paul Masvidal / guitarra
Tom MacLean / guitarra
Andy Sneap / guitarra
David Scott McBee / vocal
Christophe Godin / guitarra
Ludovic Loez / vocal
Charly Sahona / guitarra
Sonm / vocal
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