Thunderspell: Heavy/Power Metal criativo e empolgante
Resenha - Battle Scream - Thunderspell
Por Fabio Reis
Postado em 14 de agosto de 2016
É difícil iniciar a análise deste trabalho sem mencionar a qualidade inegável que os grupos de Metal vem apresentando nas regiões norte e nordeste do país. Nos últimos anos tenho escutado registros fabulosos vindos destas localidades e a quantidade de bandas realmente boas e capazes de produzir discos magníficos, vem aumentado consideravelmente.
A cena nacional vem dia após dia se fortalecendo, ao menos no que diz respeito a boa música e uma outra menção que faço é com relação a gêneros. Se o Brasil tem uma tradição inabalável em modalidades extremas como o Thrash e Death Metal, a região Norte e Nordeste vem provando que nossas bandas podem gerar trabalhos tão sensacionais e relevantes, também em estilos como Hard Rock, Heavy Tradicional, Speed e Power Metal.
A Thunderspell foi formada em 2010, é original da cidade de Belém do Pará e este "Battle Scream", é a sua estréia no cenário nacional. O álbum apresenta um Heavy/Power Metal que além de muito bem executado, é criativo, empolgante e detentor de composições bem interessantes e diversificadas.
Quando se pensa em Power Metal, muitos associam nomes europeus como os de Helloween e Gamma Ray, detentores de musicalidades mais melodiosas, porém o que temos aqui é aquele Heavy/Power mais próximo das características da escola estadunidense, onde bandas como Jag Panzer e Agent Steel, se destacaram com um som mais visceral e direto.
"Battle Scream" é composto por nove faixas de altíssimo nível e a variedade de ritmos existente no disco é uma das características que fazem da audição algo muito agradável. Para quem gosta de comparações, em músicas mais rápidas como "Black Flames" e "Battle Scream", senti uma influência muito forte do debut do Viper, o clássico "Soldiers Of Sunrise" (1987). É claro que esta é apenas uma das referências e em outros momentos, a Thunderspell se envereda por outros caminhos, todos de muito bom gosto e com muita competência.
As excepcionais "Lady In Black" e "Let Me Live The Metal", possuem ritmos mais cadenciados e belíssimos refrões, nos mostrando toda a capacidade do grupo em tecer faixas marcantes. Outras duas que merecem destaque são "Link Of Steel" e "Shadowzone", a primeira uma cacetada com direito a coros épicos e solos de tirar o fôlego, a segunda, escolhida como faixa de abertura por motivos óbvios, dona de um refrão que gruda na mente e que após poucas audições, fica ecoando no subconsciente.
Os músicos formam um time absurdamente funcional e também se destacam individualmente. Os timbres e vocalizações de Leo Rodrigues são equilibrados e as notas mais altas são usadas sabiamente de forma moderada, não transformando as composições em um festival de agudos e demonstrações desnecessárias de técnica. A parte rítmica comandada pelo baixista Bruno Gibson e o baterista Paulo Wallace impõe respeito, sendo uma das maiores responsáveis por imprimir peso e consistência nas faixas. Por último, o trabalho de guitarras da dupla Hugowar e Bruno Tavares apresenta grandes riffs, linhas matadoras e ótimos duelos de solos.
Importante deixar claro que todas as canções de "Battle Scream" são ótimas. Não me lembro de muitos álbuns do estilo que foram lançados no Brasil e obtiveram grande destaque, se analisarmos os anos mais recentes a escassez é ainda maior. Talvez por esse conjunto de fatores, o primeiro registro do quinteto paraense soe tão bem e merece todas as ressalvas positivas recebidas.
Além de indicar a audição, peço a atenção de todos a este nome, mantendo este nível de trabalho, tem tudo para se tornar uma das maiores revelações do gênero e desde já, é um dos grupos mais promissores da cena.
Integrantes:
Leo Rodrigues (vocal)
Bruno Gibson (baixo)
Paulo Wallace (bateria)
Hugowar (guitarra)
Bruno Tavares (guitarra)
Faixas:
1. Shadows Zone
2. Wild Spirit
3. Black Flames
4. Lady In Black
5. Battle Scream
6. Thunder Spell
7. Let Me Live The Metal
8. Link of Steel
9. Blade of Death
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