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Death Angel: O melhor álbum desde o retorno em 2001

Resenha - Evil Divide - Death Angel

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Por Carlos Garcia
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9

Death Angel: Um dos pioneiros da Bay Area, formado em meados dos anos 80 por integrantes descendentes de filipinos, que também eram primos, é um dos mais importantes nomes berço do Thrash Norte Americano, e embora não tenha conseguido o mesmo êxito comercial de conterrâneos como Metallica e Megadeth, provavelmente por alguns problemas, como trocas constantes de formação, e alguns acidentes de percurso (incluindo um acidente literalmente, onde o baterista da época, Andy Galeon, se feriu gravemente, ficando um ano em recuperação) e essa busca constante em uma sonoridade diferente e agregando vários elementos mais melódicos, além de funk e jazz, mas certamente exerceu influência sobre integrantes dessas bandas e outras bandas de Thrash, pela sua sonoridade técnica e mais complexa, produzindo sempre material de qualidade.

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A separação da banda em 1991, justamente quando estava em seu auge, tendo um hiato de 10 anos, também foi um fator determinante para que não figurassem num mesmo patamar que outras bandas da época, lembrando que foi uma das primeira a assinar com uma major, no caso a Geffen Records, com a qual lançaram o excelente "ACT III" (1990), mostrando muita diversidade e técnica.

Depois do retorno em 2001, para o "Thrash of the Titans", evento para arrecadar fundos para o tratamento de Chuck Billy (Testament), que havia sido diagnosticado com câncer. O que era para ser apensa um show, acabou motivando o retorno, pela boa resposta do público. A banda assina com a Nuclear Blast e em 2004, mesmo ano em que toca no Wacken também, lança "The Art of Dying", e segue lançando material de qualidade, principalmente após 2009, onde estabilizou a formação que está até hoje e nos traz este "The Evil Divide", destacando o trabalho da dupla Cavestany e Osegueda, únicos remanescentes da formação dos anos 80 (Osegueda entrou em 84)

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"The Evil Divide", que traz uma bela capa, a qual lembra o icônico cartaz do filme "Silêncio dos Inocentes", mostra que o Death Angel, assim como queria Rob Cavestany desde seu início, é uma banda que não para de buscar novos elementos para o seu Thrash Metal intrincado, embora não viesse mais transitando tanto para elementos estranhos ao Metal, segue evoluindo sem perder sua principais características, e este novo álbum já traz novas surpresas e variações, em momentos mais limpos e técnicos, mas também o peso e agressividade do estilo estão sempre ali. Não esquecendo o conteúdo ácido das letras de Osegueda, que escreveu todas as letras, menos "The Moth", que foi escrita por Rob Cavestany. Uma das grandes duplas do Metal mundial.

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Incrível como eles parecem se superar a cada álbum, e após o ótimo "The Dream Calls Blood" (2013), "The Evil Divide" não é menos que excelente. E respondi o porquê de achar isso no parágrafo anterior, eles simplesmente não param de buscar evolução e melhora em suas composições. "The Moth", a faixa de abertura é uma porrada Thrash naquele estilo Bay Area, alternando trechos velozes e diretos, com outros mais intrincados, e aqueles backing vocals e refrãos grudentos já característicos da banda; "Cause for Alarm", inicia com um baixo distorcido e veloz, abrindo caminho para o peso e velocidade, em riffs diretos, quase Hardcore, mas sempre havendo intervenções de pura técnica, ou seja, mesmo em músicas mais diretas, eles colocam elementos que jamais deixam a música repetitiva.

Se em "Act III" Castevany levou o Death Angel à caminhos mais ousados, desde o primeiro álbum após o retorno em 2001 a banda se restringiu mais a variar dentro do gênero, mas neste novo play já podemos encontrar novos elementos, como na excelente "Lost", que segue uma linha mais melodiosa, uma quase balada, com vocais muito expressivos de Osegueda. Ah sim, detalhe para algumas bases com mais groove. "Father of Lies" e "Hell to Pay" e "It Can be This" seguem por caminhos mais conhecidos do Thrash do grupo, sempre peso, velocidade e técnica, com a terceira apostando em mais cadencia.

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"Hatred United/United Hate", tem excelentes e intrincados riffs, com mais melodias, trechos até próximos ao Melodic Death, e embora mais melódica, Osegueda não poupa fúria em seus vocais. A faixa reserva também muitos trechos instrumentais mais complexos e diferentes, além da participação de Andreas Kisser (Sepultura); "Break Away" é mais um bom Speed Thrash, com aqueles elementos de Hardcore, principalmente nos backing vocals; "The Electric Cell", é carregada de variações de andamento, destacando a cozinha bem quebrada da dupla Carrol/Sisson, principalmente na primeira parte, além dos sempre ótimos riffs e refrãos, que deixam as músicas sempre com aquele "gancho".

"Let the Pieces Fall", é uma aula de Thrash técnico e empolgante, com impressionante trabalho da dupla de guitarras Cavestany/Aguilar, escorada pelo peso e técnica da cozinha. O tantinho mais de ousadia ficou para o bônus, com a versão para "Wasteland", do The Mission, que ficou muito boa, ganhando, naturalmente mais peso, mas mantendo aquela aura soturna.

Fidelidade ao Thrash oitentista, mas sem ficar preso ao passado, ou datado, o Death Angel segue produzindo grandes álbuns, sem parar no tempo, pois enquanto muitas bandas daquela época acabaram mudando sua sonoridade, Cavestany, Osegueda e companhia souberam evoluir sem perder suas principais características. Para mim, o melhor álbum da banda desde o retorno em 2001, e superior ao que muitas contemporâneas suas, e de mais "renome", vêm lançando. Compre já!

Track-list:

The Moth
Cause for Alarm
Lost
Father of Lies
Hell to Pay
It Can't be This
Hatred United/United Hate
Breakway
The Electric Cell
Let the Pieces Fall
Wasteland


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Sobre Carlos Garcia

Antes de tudo sou um colecionador, que começou a cair de cabeça no Metal e Classic Rock quando o Kiss esteve no Brasil em 1983, a partir daí não parei mais. Criei fanzines, como o Zine Barulho, além de colaborar com outros zines e depois web zines e sites, como os saudosos Metal Attack e All the Bangers. Atualmente sou um dos editores e redator do Road to Metal. O melhor de tudo são as amizades que fazemos, além do contato e até amizade com alguns de nossos heróis.

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