Anubis: O segundo álbum dos australianos
Resenha - A Tower of Silence - Anubis
Por Tiago Meneses
Postado em 25 de maio de 2016
Nota: 9 ![]()
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"A Tower os Silence" é o segundo álbum dos australianos da ANUBIS. Um país que apesar de pouco conhecido por exportar bandas de rock progressivo, mostra que também possui o seu valor dentro do gênero. Como é costume da banda, a música é liderada principalmente por fortes guitarras e sintetizadores. Às vezes com assinaturas de tempos complexos e em outras vezes a melodia domina com uma progressão de acordes mais simples. O álbum possui paisagens sonoras de temas pungentes e também gloriosas e longas pausas instrumentais. A banda agracia o ouvinte com uma variação de tons tensos e menos tensos sob uma atmosfera sonora que varia o estilo entre o de bandas clássicas sinfônicas e bandas de Neo-Prog.
O álbum é conceitual onde o tema é sobre uma garota de 11 anos presa em um limbo e que viveu e morreu em um asilo para menores na Inglaterra do século 19. Então que muitos anos depois, um grupo de adolescentes invade um dos edifícios abandonados, mais precisamente na parte das enfermarias e começam uma sessão de um jogo levando à aparição da garota, que passa a contar sua vida, morte e sua incapacidade de passar para qualquer forma de vida após a morte. O álbum pode servir como uma metáfora sobre qualquer tipo de aprisionamento, seja depressão, perda ou doença terminal. O tema de ser apanhado entre dois lugares no desconhecido é o conceito central. No caminho, o álbum aborda a alienação, a divisão social entre ricos e pobres e até mesmo o próprio conceito de vida após a morte.
O álbum começa através de "The Passing Bell', uma peça épica simplesmente majestosa. Uma avalanche de estruturas magníficas, cheias de momentos ímpares e fluindo de maneira orgânica abrangendo muitas ressonâncias emocionais. Particularmente adoro a forma como a faixa muda os seus segmentos. Algumas passagens nos fazem remeter a KING CRIMSON, outros momentos mais suaves a PINK FLOYD, coros ao estilo GENESIS de ser, enfim, mas sempre soando do seu jeito e jamais simplesmente emulando esse e/ou outros grandes medalhões. Todos os instrumentos executados de forma inspirada sob um vocal bastante emotivo. Mas vale destacar principalmente a partir de por volta dos treze minutos em que uma guitarra gilmouriana toma a frente em um solo lindo sobre um belo piano e a faixa finaliza em uma harmonia hipnotizante.
"Archway of Tears" começa com um delicioso trabalho acústico. Possui uns vocais limpos, apaixonados e vibrantes. Tem clara influência em bandas de neo progressivo como IQ, ARENA e PENDRAGON. Frases acústicas casam muito bem com o mellotron. Música de cadencia simples, mas não deixa de ser uma ótima faixa.
"This Final Resting Place" é uma música de melodia forte. Um órgão faz excelente cama de fundo. A faixa possui um som dinâmico que é gerado utilizando várias camadas instrumentais desde o já citado órgão, aliado a outros timbres de teclas e uma guitarra poderosa. Glockenspiel também da um toque agradável. Trata-se da música do álbum com maior reflexão sobre a morte.
"A Tower of Silence", música homônima ao álbum, é uma faixa melancólica com letras fortes sobre a tragédia da morte e do espírito que olha em silêncio para fora de sua torre invejando os seres humanos que vivem. Inicia com um bonito piano, uma guitarra sobre um órgão exuberante também dão o tom enquanto a percussão vai se moldando. Possui uma mudança de camadas de picking guitar e sintetizadores acústicos. A letra é sobre a forma que lidamos com a dor e como o tempo tem o poder de ameniza-la. É uma faixa de musicalidade bem dentro do conceito do álbum, onde sentimos a tristeza e reflexões de um espírito que está preso em uma tumba sepulcral e não é capaz de detectar os sentidos humanos. Uma canção assombrosa que tem o poder de crescer cada vez mais em quem a ouve.
A faixa mais curta do álbum é "Weeping Willow". Possui uma bela musicalidade, harmonias suaves, melodia extremamente agradável principalmente por parte dos vocais quando cantados em camadas. Também carrega uma sonoridade space pontuada por uma guitarra acústica e teclados atmosféricos.
"And I Wait for my World to End" inicia-se através de uma sonoridade espacial e que logo dá início a um forte riff de guitarra, um baixo pulsante alem da bateria enérgica em um tempo incomum. Tem uma melodia memorável em uma ponta incrível com guitarra distorcida e um vocal aos moldes de ROGER WATERS em sua maneira mais "maníaca" de cantar. O refrão gruda facilmente na cabeça. Excelente faixa.
"The Holy Innocent" é uma música de mudança métrica com um ritmo constante. Aqui é um lamento da protagonista implorando desesperadamente por ajuda devido ao fato de não conseguir ouvir uma voz que a chame e a leve pra um lugar melhor, ficando somente paralisada. Possui um piano lindo unido a uma guitarra igualmente bela que cria uma atmosfera extremamente melancólica. A música carrega uma mistura de PORCUPINE TREE e IQ em determinadas partes. Carrega instrumentação forte e vocais emotivos de uma personagem que está presa e enterrada pra sempre em um mundo agoniante. A música termina com um solo de saxofone simplesmente sensacional, levantando a faixa a outro nível, trazendo sem sombra de dúvidas a parte mais bela de todo o álbum, transformando essa canção em um clássico da banda. A forma como o saxofone e teclado vão desaparecendo remete um pouco ao usado pelo PINK FLOYD em Money. Um momento apoteótico.
O álbum finaliza com a faixa "All That Is". É uma suíte dividida em três partes. A primeira, "Light of Change", tem como instrumento dominante o mellotron até que entram riffs mais acentuados de guitarra e uma bateria esporádica. Também possui vocais reflexivos e um órgão hammond que complementam bem a música, alem de sintetizadores oníricos que conduz a faixa para a segunda parte. O segundo capítulo, "The Limbo of Infants", é a parte mais simples, possui uns vocais de boa cadência, enérgicos, pouco depois a música sofre outra quebra pra que entre na última parte. "Endless Opportunity" finaliza a faixa e o álbum. Possui ótimas entonações corais, lindas harmonias em crescente fazendo desse final algo espiritualmente edificante. Ótimo solo de guitarra seguido de um belo coral. Tudo soa como se finalmente os anjos tivessem chegado e libertado o espírito sepultado.
Um álbum belíssimo de narrativa extremamente condizente com sua musicalidade. "A Tower of Silence" é uma peça pouco conhecida, mas com potencial de se tornar um verdadeiro clássico do rock progressivo sinfônico.
MÚSICOS:
Robert James Moulding - vocal, guitarra, teclados adicionais
Douglas Skene - guitarra elétrica, backing vocals
Dean Bennison - guitarra acústica, clarineta, backing vocals
David Eaton - teclado, backing vocals
Nick Antoinette - baixo, backing vocals
Steven Eaton - bateria, percussão, backing vocals
CONVIDADOS:
Martin Cook - flauta (faixa 4), saxofone (faixa 4 e 7)
Becky Bennison - vocal adicional (faixa 8)
Katrina Shaw - vocal adicional (faixa 8)
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