Bob Margolin: Compêndio das variadas facetas do guitarrista
Resenha - My Road - Bob Margolin
Por André Espínola
Postado em 16 de fevereiro de 2016
O guitarrista de blues Bob Margolin é uma conexão direta com o passado; um passado, diga-se de passagem, bem majestoso. Entre 1973 e 1980, Margolin foi o guitarrista da banda de ninguém menos que Muddy Waters, durante uma fase de grande sucesso comercial para Waters, com a parceria com Johnny Winter, produzindo dois grandes álbuns, Hard Again, de 1977, e I’m Ready, de 1978, ambos vencedores de Grammys. A partir da década de 90, "Steady Rollin’" Bob Margolin, como também é chamado, passou a consolidar uma carreira solo com álbuns sempre muito elogiados e explorando os limites do gênero blues (Not Alone, de 2012, e em parceria com Ann Rabson, In North Carolina, de 2006, Up & In, de 1997 e My Blues & My Guitar, de 1995, são alguns itens de sua discografia que vale muito a pena conferir). Em 2016, Margolin lança mais um disco, chamado My Road, que destaca a trajetória desse guitarrista que tem muito que contar e muito mais ainda a oferecer com seu talento. Em várias das doze faixas do disco, Margolin adota o tom autobiográfico para falar um pouco da sua relação com o blues. A banda é enxuta, sem muito refinamento, o que provoca algumas canções "simplistas", mas memoráveis.
"My Whole Life" resgata sua trajetória na vida e no blues, que o levou ao momento em que se encontra agora. É um blues direto, bem no estilo de Muddy mesmo, repleta de solos de guitarra alternados pela gaita. "For every note I play there are 50 years of shows, 2 million miles of highways and a passion that just grows". Uma declaração ao blues. Na romântica "More and More", Margolin adota a voz mais melódica, enquanto o som fica mais enxuto, sem a gaita e apenas a guitarra, baixo e bateria, assim como em "I Shall Prevail".
A simplicidade atinge um nível memorável em dois claros momentos: em "Goodnight", um belíssimo blues rural de raiz tocado e cantado por um inspirado Margolin. Um dos pontos alto do disco, sem dúvida, a ser somado com "By By Baby", de Nappy Brown, na qual o dueto entre Margolin e Chuck Cotton é acompanhado apenas pela gaita. Um trabalho de harmonia magnífico entre os dois. Perfeito. "Low Life Blues" a coisa fica animada mais uma vez, com Ted Walters tocando gaita do jeito do mestre Little Walter no melhor estilo do Chicago Blues. No final da letra, uma grande lição para todos os amantes do blues: "well, you can call me a low life, but i’ll leave the high life too, cause if I’d never hit bottle, wouldn’t know all the things I do". Tocou bem na essência, Mr. Margolin.
"Young and Old Blues" é uma divertida visão sobre o choque de gerações, sobre envelhecer. A imagem que Margolin utiliza é ficar impressionado com B. B. King, um homem tão velho, tocar e cantar o blues como ele toca e canta. Em seguida, sua banda estava tocando tão alto numa escola para um monte de adolescentes que eles nem conseguiam conversar. Como Margolin diz, o novo e o velho depende de que lado você olha. É coisa pra quem gosta de música de velho, como se diz. Já "Ask Me No Question" lembra um pouco Johnny Cash, principalmente com a voz grave de Margolin. É o momento de depressão antes da festa de sábado a noite, que não tarda a chegar com "Feelin’ Right Tonight". Hora de curtir, não importa o que lhe digam. Já "Devil’s Daugher" é para depois da farra, arrastada, cheia de solos de slide, sombria, deixando no ponto para uma dança com a filha do capeta.
"Heaven Mississippi" é um show à parte, para deixar todo fã de blues emocionado, pela quantidade de referências a essa terra que é tida como o Berço do Blues, o "paraíso", o segregado, o racista Estado do Mississipi, que forneceu as condições para as experiências compartilhadas pela comunidade negra, que acabaram potencializadas no blues. Como bom conhecedor, Margolin acerta em cheio nas referências, pagando tributo especial a seu mentor, Muddy Waters, que é quem o guia nessa jornada: "Heaven Mississippi, the blues i love was there, heaven, heaven Mississippi old school blues fill the air". Robert Johnson, Pinetop Perkins, Muddy Waters, Hubert Sumlin, Jimmy Rodgers, Willie "Big Eyes" Smith, Junior Wells, Freddie King, é por causa de todos esses e muitos outros, que Margolin enfim atesta: "in heaven Mississippi the blues will never die".
My Road é um álbum que atinge o seu objetivo: mostrar um pouco da carreira desse guitarrista que já tem onze discos solo, inúmeros projetos e participações especiais e está num momento especial em sua vida, sendo uma figura respeitável na cena do blues, com uma agenda frequente de shows e consistentes álbuns lançados. Ou seja, My Road é um compêndio das variadas facetas desse grande guitarrista do blues, mas mantendo-se sempre na sua maior paixão: o bom e velho blues.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Com mais de 140 shows, festival Welcome to Rockville anuncia atrações para 2027
O plano de Nicko McBrain para voltar ao estúdio no próximo álbum do Iron Maiden
Tony Iommi considera injusto comparar Jorn Lande a Ronnie James Dio
Shows do Social Distortion no Brasil são adiados para 2027
O único membro do Metallica que saiu por conta própria, segundo Lars Ulrich
Os 50 artistas de rock e metal mais ouvidos de todos os tempos no Spotify
Dark Dimensions Festival anuncia primeiras bandas
Aerosmith realiza primeiro dos dois shows comemorativos; veja setlist e convidados
A cirurgia que membros do Metallica, Slayer e Megadeth precisaram fazer, diz Hetfield
O que Nicko McBrain fez para não desabar diante dos fãs no adeus ao Iron Maiden
A música do Lynyrd Skynyrd que Dave Mustaine colocou no Metallica sem Lars Ulrich perceber
O que Nicko McBrain pensava ao ver Bruce Dickinson no palco antes da saída
Edu Falaschi retoma "Mi'raj & The Legacy Tour" e lança vídeo com os bastidores de clipe
A canção que mudou a vida de Jimi Hendrix e completou 60 anos de gravação
Como um solo de Ace Frehley ajudou Marty Friedman a mudar de vida após uma viagem que deu ruim
A surpreendente opinião do lendário Jimmy Page sobre a banda Cidade Negra
A condição imposta por Andreas que fez Derrick desistir de tocar guitarra no Sepultura
Como foi criada a bela capa de "Youthanasia", clássico do Megadeth

"Gates of Twilight", a estreia certeira do Wings of Steel
"From The Dark"; "apenas" um disco solo de Tony Iommi que evoca o Black Sabbath com Dio
Nunslaughter retorna disparando blasfêmia de grosso calibre no ótimo "Satanic Chaos Legions"
Immolation mantém a extremidade intacta com "Descent"
The Hellacopters revê sua transformação em "Cream Of The Crap! Volume 3"
O ocultismo britânico ganhou novos contornos com "Woodland Rites" do Green Lung
Biohazard retorna afiado com "Divided We Fall"
Tyketto recupera o fôlego com "Closer to the Sun", seu primeiro disco em uma década



