A banda que definiu os EUA nos anos 1960, segundo Robert Plant
Por Gustavo Maiato
Postado em 11 de maio de 2026
Robert Plant cresceu fascinado pela música americana. Antes de se tornar vocalista do Led Zeppelin, ele foi um jovem inglês impactado por discos que chegavam dos Estados Unidos. Um dos primeiros choques veio com Elvis Presley. Ao lembrar a primeira vez que ouviu "Hound Dog", Plant disse que algo mudou de imediato. "Foi como um ópio. Alguma coisa aconteceu quando ouvi o som daquele disco" (via Far Out).
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Esse encanto não parou no rock and roll dos anos 1950. Na década seguinte, Plant passou a acompanhar soul, psicodelia, folk rock e outros sons que vinham dos EUA. Entre todos esses nomes, uma banda ganhou lugar especial para ele: The Byrds. Em entrevista à BBC, no programa Tracks Of My Years, o cantor escolheu "Chestnut Mare", faixa de 1970, e explicou por que o grupo simbolizava aquele período.
"Os Byrds eram espetaculares com David Crosby e Roger McGuinn", afirmou Plant. Ele lembrou que a banda havia passado por transformações e relido várias músicas de Bob Dylan, como "Mr. Tambourine Man". Para o vocalista, esse diálogo entre folk, rock e poesia ajudava a traduzir uma América que chegava ao Reino Unido como uma espécie de mensagem musical.
Ao falar de "Chestnut Mare", Plant foi ainda mais claro. Segundo ele, a canção "resume o modo como os americanos estavam enviando mensagens naquela época". O cantor descreveu essas mensagens como "belas mensagens musicais" vindas de uma cultura que jovens britânicos só conseguiam entender parcialmente.
Plant também brincou com a distância entre aquela paisagem americana e sua realidade na Inglaterra. "Não havia muitas éguas castanhas correndo pelo Black Country", disse, em referência à região onde cresceu. A frase mostra como o imaginário dos Byrds parecia distante, mas ao mesmo tempo irresistível para ele.
O fascínio faz sentido. Os Byrds ajudaram a definir o folk rock nos anos 1960, com harmonias vocais, guitarras de 12 cordas e versões de Dylan que levaram poesia e eletricidade ao rádio. A influência do grupo passaria por bandas como Crosby, Stills, Nash & Young, The Flying Burrito Brothers e, décadas depois, até nomes do rock alternativo britânico.
A importância do The Byrds
A avaliação de Robert Plant sobre os Byrds dialoga com a importância histórica da banda. Formado em 1964 por David Crosby, Roger McGuinn e Gene Clark, o grupo uniu folk norte-americano, rock e elementos de country em uma linguagem nova para a época. A sonoridade, marcada pela guitarra Rickenbacker de 12 cordas de McGuinn e pelos arranjos vocais, ajudou a criar o que depois seria chamado de folk rock. O sucesso veio em 1965, com "Mr. Tambourine Man", versão de Bob Dylan que chegou ao primeiro lugar nas paradas.
A partir daí, os Byrds ampliaram sua influência com discos como "Turn! Turn! Turn!", "Fifth Dimension" e "Younger Than Yesterday", este último apontado como um de seus pontos altos. A banda também avançou rumo à psicodelia e ao country rock, especialmente em "Sweetheart of the Rodeo", de 1968. Por isso, quando Plant diz que os Byrds representavam as "mensagens musicais" que os Estados Unidos enviavam ao mundo nos anos 1960, a frase resume bem o papel do grupo: eles ajudaram a transformar o rock em um espaço de poesia, experimentação e identidade americana.
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