The Anderson-Ponty Band: Ex-Yes e Jean Luc Ponty no topo da forma
Resenha - Better Late Than Never - Anderson-Ponty Band
Por Roberto Rillo Bíscaro
Postado em 25 de dezembro de 2015
Nota: 9 ![]()
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Jean Luc Ponty é um violinista francês que nos anos 70 ajudou a popularizar o jazz rock, fusão entre os 2 gêneros, que teve importante marco com o álbum Miles in the Sky (1968), de Miles Davis, embora registros já existissem na Inglaterra sessentista. Jon Anderson foi vocalista do Yes em suas melhores encarnações. Os 2 tencionavam trabalhar juntos desde os anos 80, mas a parceria concretizou-se apenas ano passado com a The Anderson-Ponty Band.
Distantes do interesse de mercado das grandes gravadoras, os 70tões apresentaram o projeto à Kickstarter, empresa norte-americana especializada em crowdfunding, e o resultado pudemos comprovar em setembro, com o lançamento do CD/DVD Better Late Than Never. Quem compareceu à Wheeler Opera House, na chique Aspen, Colorado, em setembro do ano passado, comprovou antes a boa qualidade do trabalho dos veteranos e da experta banda que reuniram. O CD (esta resenha é sobre ele apenas) foi gravado ao vivo na ocasião.
Não é incomum decepcionar-se, quando artistas de alto calibre se reúnem, porque expectativas irrealistas são construídas. Não é o caso de Better Late Than Never. Só se desapontará quem esperar uma orgia prog sinfônica: o álbum tem forte influência jazzística, mas não é prog no sentido do que menos avisados esperariam de um ex-Yes. Também não é jazz. Trata-se de música com várias influências, que agradará até a fãs de MPB estilo Milton Nascimento. É uma festa de boa música.
O álbum tem canções de Ponty, do Yes, de Anderson-solo e composições da dupla para o projeto. No caso das do instrumental Ponty, Anderson acrescentou suas letras New Age de autoconhecimento e poder do amor e do indivíduo. É o caso de One in the Rhythm of Hope e de Mirage, que nos 80’s servia de música de fundo para quase qualquer coisa. Ela se transformou em Infinity Mirage e está mais orgânica do que o sintetizado original, e, emendada com Soul Eternal, que tem uma levada bastante comum em alguns ritmos nordestinos, reiterando que matrizes culturais viajam e purismos são bobagem.
Uma das diversões é identificar o que é de quem, como na Intro, com suas citações a Infinite Pursuit, do francês e And You and I, do ex-grupo do inglês. E a faixa do perfeito Close to the Edge volta mais tarde, bem concisa, folk e com lindo piano granulado.
As releituras das canções do Yes não desrespeitam a majestade dos originais. Talvez puristas reclamem da transformação de Time and a Word em reggae rasgado, mas embora esteja garantido o direito de se preferir a versão do LP de 1970, a levada Bob Marley ficou boa e mais apropriada ao tipo de trabalho e aos tempos de hoje. Owner of a Lonely Heart colocou o violino no papel da guitarra e Ponty esmerilha, como também em Roundabout, tão delirante quanto a versão de Fragile, mas distinta.
Ainda em excelente forma, Anderson e Ponty lograram um excelente trabalho. Como reza o título, Antes Tarde do que Nunca.
Tracklist
1. Intro (1:18)
2. A For Aria (4:34)
3. ICU (3:55)
4. Owner Of A Lonely Heart (5:04)
5. Listening With Me (5:39)
6. Time And A Word (5:30)
7. Infinite Mirage (3:48)
8. Soul Eternal (4:58)
9. Wonderous Stories (4:01)
10. And You And I (3:00)
11. Renaissance Of The Sun (6:36)
12. Roundabout (5:25)
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