Grace Potter: Vocalista dos Nocturnals expõe raízes oitentistas
Resenha - Midnight - Grace Potter
Por Roberto Rillo Bíscaro
Postado em 03 de dezembro de 2015
Até agosto, Grace Potter tinha sido mais reconhecida pelas suas propensões blues rock e por ser vocalista do The Nocturnals, formada no início do século. A banda tem raízes no hard rock e muita influência blues. A parceria em projetos com os Rolling Stones e o astro country Kenny Chesney sempre aproximou a norte-americana do mundo suado do rock’n’roll.
O lançamento do primeiro solo, Midnight, pode ter surpreendido alguns: metade da dúzia de faixas é quase puro pop anos 80. A disposição das canções faz com que a primeira metade seja basicamente pop e a segunda, ainda que não como o trabalho dos Nocturnals, aproxime-se mais do que se esperava de Potter. Ma non tropo.
Ouvintes poderão querer usar ombreiras e polainas enquanto dançam de passinho ao som de Alive Tonight, com seu solo de guitarra que a primeira ouvida parece de sax, instrumento-símbolo da saxodécada. A funkeada Your Girl parece que emprestou do ABBA o riff de teclado que Madonna já usara em Hung Up. E por falar em Madge, não é que Delirious parece egressa da fase Lucky Star, lá da primeira metade dos 80’s? È a canção mais "ousada" de Midnight: depois do balanço pop, há um minutinho no qual Grace grita e grita sobre base mais rock. Estraga uma canção pop delícia; quem for dançar ao som de Delirious dificilmente quererá perder tempo parado com esse experimentalismo, fia. Diverte imaginar o que indie/blues rockers pensarão do rock à Kesha de Instigators; punkete para fazer flash mob, gravar vídeo dançando de roupa de grife rasgada e postar no Youtube.
Midnight é praticamente todo envolto em sensibilidade pop, mesmo em seus momentos menos agitados como Empty Heart ou Low, que não deixam de lembrar pop rock em sua vertente 80’s. Veja se o deslizamento viajante de Nobody’s Born With a Broken Heart não seria perfeita para ouvir num estádio com isqueiros acesos (hoje, celulares, sorry). O momento mais Nocturnals é a faixa-enceramento, Let You Go, comovente balada ao piano, muito orgânica, meio country.
Midnight tem elementos de blues, country, gospel, mas está tudo a serviço do pop de inclinação oitentista. Grace Potter aproveitou estar sozinha para fazer um álbum onde pudesse apresentar suas outras influências, como ser humano multifacetado que é, que somos todos (esperançosamente). O resultado foi muito agradável, vale ouvir.
Esta playlist promete o álbum completo:
Tracklist
1. Hot To The Touch
2. Alive Tonight
3. Your Girl
4. Empty Heart
5. The Miner
6. Delirious
7. Look What We've Become
8. Instigators
9. Biggest Fan
10. Low
11. Nobody's Born With A Broken Heart
12. Let You Go
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