David Gilmour: Rattle That Lock é estupendo e fascinante
Resenha - Rattle That Lock - David Gilmour
Por André Floyd
Fonte: Confraria Floydstock
Postado em 29 de setembro de 2015
Na sexta-feira, dia 18, o mundo conheceu o novo álbum do guitarrista floydiano, David Gilmour, "Rattle That Lock", quebrando o seu hiato, sem lançar um álbum de inéditas desde "On A Island", lançado no seu aniversário de 2006, no dia 6 de março.
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Valeu a espera, o álbum é estupendo e fascinante. E ainda estou sendo injusto.
Todas as dez canções são de autoria de Gilmour, quer seja sozinho, ou em parceria com a esposa e escritora Polly Samson.
O disco se inicia trazendo um tema de aurora, "5 A.M." com som de pássaros ao Sol raiando e um instrumental hipnotizante, música climatizadora, prenúncio em acordes da obra de arte que se seguirá.
A faixa-título é também a mais radiofônica, mas no bom sentido. Não a toa fora a escolhida como música de trabalho, mostrada antes do lançamento do álbum. E o coral Liberty Choir, formado pelo projeto de ex-detentos de Wandsworth, onde Charlie, o filho de David Gilmour cumpriu pena, embeleza e muito a canção.
Ai vem algo que não sei explicar direito em palavras. A terceira faixa, "Faces Of Stone" é uma das canções do álbum que extrapolam o conceito de primorosa. Melodia de vasta beleza e serenidade, formada num primeiro momento pelo teclado, acordes de violão e a voz bem colocada de Gilmour, e, num segundo momento, pelo solo indescritível, inspiradíssimo, com sêlo Pink Floyd.
Outra canção galante, que esbanja harmonia e qualidade é "Dancing Right In Front Me", música bem gostosa de ouvir, especialmente quando flui até o solo da guitarra, seguido de um piano jazzistico.
A faixa mais longa do disco, com quase sete minutos, "In Any Tongue" é outra que classifico como também acima da perfeição, iniciando pelo muito bem sacado assobio, abrindo a música, uma das que poderiam perfeitamente integrar um álbum do Pink Floyd, com todos os elementos que um bom fã floydiano pode identificar, incluindo seu andamento, arranjo e claro, seu encantador solo tocado por David.
Não poderia faltar algo divino, instrumental e fodástico. Pois a música "Beauty" é isso. Já considerada por fãs como a melhor do disco, o que pode ser realmente considerado, pois é David Gilmour em essência, bases harmônicas de teclado com as notas na guitarra sendo produzidas fluidicadamente por David Gilmour e seus espetaculares pedais.
O título "The Girl In The Yellow Dress" sugere uma canção de puro jazz. E ela o é. Aqui ouvimos David Gilmour numa música que nos remete à atmosfera de um bar de jazz em Nova Orleans ou algo do tipo, com direito a contrabaixo e guitarra acústicos, piano, sax, baquetas com escovinha, e whisky na mesa, puro feeling, perfeito.
A canção "And Then...", a instrumental que fecha o trabalho com a idéia que uma vez se libertando das amarras e grades, e então, o que esperar daí, somente as reticências da vida dirão...
"Rattle That Lock" fora produzido pelo próprio David Gilmour e Phil Manzanera, do Roxy Music, que também o acompanha fazendo a segunda guitarra desde os tempos de Pink Floyd. Ainda conta com o convidado especial, o pianista e apresentador Jools Holland.
Nota: 11.
1. "5 A.M."
2. "Rattle That Lock"
3. "Faces of Stone"
4. "A Boat Lies Waiting"
5. "Dancing Right in Front of Me"
6. "In Any Tongue"
7. "Beauty"
8. "The Girl in the Yellow Dress"
9. "Today"
10. "And Then..."
Porque música é assunto para a vida toda!
Outras resenhas de Rattle That Lock - David Gilmour
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