Belle and Sebastian: Escrevendo sobre o Amor
Resenha - Belle and Sebastian Write About Love - Belle and Sebastian
Por Roberto Rillo Bíscaro
Postado em 28 de abril de 2015
Nota: 10 ![]()
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Em outubro de 2010, os escoceses do BELLE AND SEBASTIAN lançaram ‘Belle and Sebastian Write About Love’. Os vocais delicados assumidos por mais de um membro, as letras agridoces, detalhistas e algo cínicas de Stuart Murdoch, a sonoridade sessentista, que teima em permanecer, com melodias preciosas, lotadas de detalhes e multi-instrumentais, tudo leva detratores a afirmar que a banda é insossa, derivativa e os fãs a louvarem o luxuoso pop de câmara.
O oitavo álbum do BELLE AND SEBASTIAN não mudou opiniões. A sonoridade continua a mistura de folk rock com a da Swinging London dos anos 60: guitarras de surf rock; lindas harmonias vocais oriundas da Motown; flashes de rock alternativo dos anos 80. Murdoch e sua turma não vieram pra mudar, ao contrário, voltaram ao estilo original, deixado ligeiramente de lado em The Life Pursuit (2006). Belle and Sebastian Write About Love é BELLE AND SEBASTIAN até o mais minúsculo osso e, por isso, fenomenal. Conciso e homogêneo, suas 11 faixas exalam excelência, frescor, ternura, melancolia, sem jamais cair de qualidade.
O álbum abre com I Didn’t See It Coming, com os vocais de fada de Sarah Martin. Pandeiros, guitarra 60s, que se tornam mais incisivas e o vocal meio que se dissolvendo lisergicamente no meio da canção, numa melodia cujo tempo vai crescendo. Quando Stuart desfere o fatídico e fatal "make me dance/I want to surrender", a gente já está flutuando e jogando flores em quem estiver ao redor. I Want the World to Stop, com sua guitarra dedilhada de 12 cordas, baixo gordo e rebolativo, órgão vintage e luxuriante orquestração não deixa os pés parados e os dedos sem estalar. I’m Not Living in the Real World, com sua harmonização vocal perfeita com direito a eco, caberia tranquilamente nalgum álbum psicodélico inglês de fins dos anos 60, tipo FLAMING YOUTH (primeiro grupo de PHIL COLLINS, que lançou apenas um álbum, Ark 2).
Na melancólica The Ghost of Rockschool, Murdoch afirma ter visto Deus em diversos lugares. Deve ser verdade. Só isso explica o esplendor celestial de I Can See Your Future, novamente com os vocais de sílfide de Sarah Martin.
O álbum fecha com Sunday’s Pretty Icons, com guitarra que orgulharia Johnny Marr. Os vocais e a melodia não me deixam esquecer de Being Boring, do PET SHOP BOYS. Ambas parecem ter sido cortadas da mesma pedra filosofal. Apenas o talhe é distinto. THE SMITHS e PSB juntos? Só BELLE AND SEBASTIAN pode realizar essa façanha e fazer com que soe sem forçar a barra.
1. "I Didn't See It Coming" 5:02
2. "Come on Sister" 3:53
3. "Calculating Bimbo" 4:21
4. "I Want the World to Stop" 4:33
5. "Little Lou, Ugly Jack, Prophet John" 4:33
6. "Write About Love" 2:53
7. "I'm Not Living in the Real World" 3:09
8. "The Ghost of Rockschool" 4:34
9. "Read the Blessed Pages" 2:43
10. "I Can See Your Future" 3:50
11. "Sunday's Pretty Icons"
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