Leo "Bud" Welch: Aos 82 anos, ainda mais vigoroso
Resenha - I Don't Prefer No Blues - Leo "Bud" Welch
Por André Espínola
Postado em 07 de abril de 2015
Leo "Bud" Welch, foi recebido com entusiasmo pelo cenário musical do blues, logo no início de 2014, com o seu álbum de estreia chamado de Sablouga Voices. Ainda que tenha mostrado no seu trabalho um som muito interessante, mesclando o estilo do Chicago Blues com o Gospel tocado nas Igrejas batistas pelo Sul dos Estados Unidos, outro detalhe certamente não passou despercebido e trouxe uma sensação de extraordinário ainda maior: o som vigoroso do blues elétrico ouvido em Sablouga Voices vinha de um senhor no auge dos seus 81 anos, que passou a grande parte de sua vida trabalhando anonimamente durante o dia e tocando em festas e igrejas.
A preciosidade da estreia vinha junto com um sentimento de que infelizmente não veríamos uma longa carreira de Leo "Bud" Welch; possivelmente aquele seria o único registro de sua carreira tardia. Essa sensação foi logo refutada – ou pelo menos parte dela – com o lançamento, pouco mais de um ano depois, do seu segundo álbum, chamado I Don’t Prefer No Blues, um registro ainda mais vigoroso e impactante do que o seu antecessor. As resenhas são unânimes: já é um clássico contemporâneo do blues.
O novo álbum veio de um acordo de Welch com a gravadora Fat Possum’s Big Legal Mess, que acertaram que depois de lançar o álbum de blues-gospel (Sablouga Voices), "Bud" Welch gravaria o seu outro lado, a versão secular do blues. E é exatamente isso que é visto em I Don’t Prefer No Blues. Com exceção da faixa de abertura – e uma das melhores do disco - "Poor Boy", que ainda demonstra um pouco do coral do blues gospel e a penúltima faixa "Pray On" (que de gospel só tem a letra), é o profano que comanda no restante do álbum. "Girl In The Holler" é tão intensa que é praticamente irrelevante o fato de ser tocado por um senhor de 82 anos, sensação que impregna durante praticamente todo o disco, especialmente em "Too Much Wine", "I Woke Up". Leo "Bud" Welch escolhe a dedo alguns outros clássicos do blues, como "Goin Down Slow", "Cadillac Baby" e "Sweet Black Angel". Seu som vai do Delta Blues do início da carreira de Muddy Waters ao blues elétrico, improvisado, ao vivo, sujo e cheio de riffs de R.L. Burnside e engana-se quem possa vir a achar que o elemento idade não tem influência alguma no conjunto final: Leo Welch vivenciou tudo isso. É uma autenticidade que somente a experiência de vida poderia passar.
O que realmente torna I Don’t Prefer No Blues um clássico atemporal do blues é a performance e a estrela de Leo "Bud" Welch: blues é emoção, sentimento, autenticidade, o momento; e é tudo isso que exala durante os trinta e cinco minutos da música desse senhor que passou tocando o blues no anonimato sua vida inteira. Ainda bem que agora ele está tendo a oportunidade de levar sua música ao mundo.
Tracklist:
01. Poor Boy
02. Girl In The Holler
03. I Don't Know Her Name
04. Goin' Down Slow
05. Cadillac Baby
06. Too Much Wine
07. I Woke Up
08. So Many Turnrows
09. Pray On
10. Sweet Black Angel
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