Sleater-Kinney: Voltando em grande estilo após dez anos
Resenha - No Cities To Love - Sleater-Kinney
Por André Espínola
Postado em 29 de janeiro de 2015
Sleater-Kinney, formada pelo powertrio feminino, encabeçado por Carrie Brownstein, Corin Tucker e Janet Weiss, é uma das referências para o rock alternativo do final da década de 90 e da primeira metade da primeira década dos anos 2000, lançando discos impressivos como Dig Me Out, de 1997, All Hand On The Bad One, em 2000 e The Woods, em 2005, tendo se separado no auge de sua popularidade na cena punk/indie norte americana. Cada uma das três trilharam caminhos diferentes, trabalhando em variados projetos, dentre os quais o principal foi a banda Wild Flag (com Carrie e Janet juntas) e a carreira solo de Corin Tucker, além da colaboração da baterista Janet Weiss com Stephen Malkmus, na banda The Jicks. Desde 2013 que rumores sobre uma possível volta rondava as integrantes, que nem confirmavam nem negavam. Dez longos anos depois, o trio lança neste mês o novo álbum, chamado No Cities To Love, que mostra exatamente porque uma banda como Sleater-Kinney fez tanta falta para a música durante esse tempo que ficaram separadas.
A faixa de abertura, "Price Tag", é verdadeiramente um prelúdio, uma nota de abertura, (já que Corin anuncia "It's 9am We must clock in / The system waits for us") para o que está por vir: uma representação da sociedade em que vivemos, seu consumismo exacerbado, suas contrações, seus valores, sua energia, sua decadência. "I was blind by the money / I was numb from the greed / I'll take God when I'm ready / I'll choose sin till I leave". É imediatamente seguida por "Fangless", que conta a independência e a força da mulher diante de um coração partido, diante de um homem que não a tratou como deveria, e agora, depois de ter ficado devastada, levanta-se ainda mais autoconfiante.
"Surface Envy", sem dúvida umas das melhores faixas do disco, tem tanta energia revigoradora que parece um grito de libertação, cheio de fúria, liberdade, tensão, prestes a explodir, como no refrão: "We win, we lose, only together do we break the rules". "No Cities To Love" celebra exatamente a falta de raiz diante de um mundo fluido, solto e louco, inconstante e vazio. Então para elas não tem nada disso de bairrismo. "It's not the city, it's the weather we love! It's not the weather, it's the nothing we love!"
O álbum continua com "No Anthems", com um ritmo maravilhoso desaguando num refrão melódico e poderoso, novamente com a letra fazendo ligações interessantes e inusitadas. Em "Bury Our Friends" um verso resume a grande contradição da vida nesses dias em que vivemos: "This dark world is precious to me". Uma relação concomitante entre amor e ódio, vergonha e orgulho, desprezo e admiração. No Cities To Love vai chegando ao final, mas não perde a força. "Hey Darling" sem dúvidas é uma das mais poderosas músicas do álbum e também um dos seus destaques, com o seu refrão pesado, furioso e brutal. "Fade" é, por fim, a luta da consciência sobre o papel que desempenhamos no palco do mundo. "Oh what a price that we paid / My dearest nightmare, my conscience, the end".
É impressionante como, depois de dez anos estando separada, com suas integrantes experimentando novos caminhos e novos sons, uma banda volte em tão grande estilo como Sleater-Kinney voltou em No Cities To Love. Sem dúvida, é algo a celebrar. Não é todo mundo que consegue captar o zeitgeist do seu tempo e desenvolver suas manifestações culturais de uma forma tão crua, direta e ainda assim, tão natural, tão simples.
Tracklist:
01 – Price Tag
02 – Fangless
03 – Surface Envy
04 – No Cities To Love
05 – A New Wave
06 – No Anthems
07 – Gimme Love
08 – Bury Our Friends
09 – Hey Darling
10 – Fade
André Espínola
Blog O Filho do Blues
http://ofilhodoblues.blogspot.com.br/
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



U2 anuncia álbum "Carnaval de Luz" e divulga o single "Silencio"
O baterista que conseguiu a façanha de ser tratado como deus por John Bonham e Neil Peart
Assista ao trailer oficial de "Ozzy & Black Sabbath: Back to the Beginning"
"Faltou o Agostinho Carrara!" - Fãs reagem à nova foto do Sepultura
Ex-baterista do Black Sabbath considera Tony Iommi um dos músicos mais fáceis de lidar
Steve Harris nunca cogitou encerrar o Iron Maiden
O cantor promessa do rock que Digão do Raimundos achou chato após três músicas
Família de Andre Matos pede que fãs não façam conteúdos de IA com sua imagem
A estrela de Hollywood que ajudou a transformar uma canção em clássico do Guns N' Roses
O grave erro que o Oasis comete no palco, de acordo com Mick Jagger; "Isso não se faz"
Qual banda do Big Four do thrash metal possui a discografia de estúdio mais extensa?
O músico que Jack Black sempre quis ser e pelo qual era "obcecado"
Motörhead anuncia edição remixada do álbum "Orgasmatron"
Dave Grohl revela quem é, na sua opinião, o maior frontman de todos os tempos
Bruce Dickinson revela característica explosiva do Brasil que o atrai tanto
Red Hot Chili Peppers: as melhores músicas segundo o Loudwire

Depois da ressurreição, Marilyn Manson declara vingança em novo álbum
Relevante como nunca, Totalitär retorna após vinte anos com EP furioso
Herman Frank - O motor barulhento, rápido e construído para rodar
Entre nostalgia, legado e recomeços, Beseech apresenta seu 7º álbum de estúdio
Veterano Sacrifice mostra que continua afiado como nunca no ótimo "Volume Six"
O álbum pesado e melancólico do Soilwork que ajudou a salvar a minha vida
Metallica: And Justice For All é um álbum injustiçado?



