Weezer: Nerds quarentões com orgulho

Resenha - Everything Will Be Alright in the End - Weezer

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Por Fábio Cavalcanti
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Nota: 10


Uma das coisas mais bacanas no som do Weezer, em seus quatro primeiros álbuns, era a inconfundível aura 'nerd' que permeava suas canções, além do uso (até então inusitado) de guitarras pesadas em cima de melodias e letras "fofinhas" - algo que viria a influenciar até o estilo 'emo', vale ressaltar. Sendo assim, a cada novo álbum lançado pelo quarteto norte-americano, apenas uma pergunta nos vinha à cabeça: "Será que isso soa como Weezer?".

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Todos nós sabemos da importância das mudanças de sonoridade ao longo das discografias de bandas de rock, mas a qualidade medíocre dos álbuns mais ousados do Weezer - "Make Believe" (2005) e "Red Album" (2008) - apenas prova que, no caso dos caras em questão, ninguém precisa de grandes mudanças. O nono álbum do grupo, curiosamente intitulado "Everything Will Be Alright in the End" (2014), nos mostra o Weezer que gostamos de escutar.

Acima de qualquer frescura, a velha fórmula de guitarras altas, bateria firme, solos sutis, letras propositalmente ingênuas, e espírito jovem estão de volta em grande estilo! Podemos notar o conforto de Rivers Cuomo e sua "turma colegial já quarentona" ao executar novos hinos do indie rock, como as envolventes "Ain't Got Nobody" e "Lonely Girl", canções que nos levam a um hipotético baile em que todos dançam ao som do rock 'n' roll (sim, igual ao clipe de "Buddy Holly"!).

E o que falar do excelente single cadenciado "Back to the Shack", com sua descarada homenagem à simplicidade de uma boa música? E a diversão não acaba por aqui, pois "The British Are Coming" e "Da Vinci" não geram mais do que uma emoção completa e quase juvenil, com suas "curvas melancólicas" que lembram o melhor daquilo que Rivers Cuomo e sua trupe fizeram em seu glorioso passado.

Faixas como "Eulogy for a Rock Band" e "Cleopatra" trazem algumas pequenas surpresas melódicas e estruturais, mas sem fugir da marca registrada do grupo. E o que falar do ritmo solto e espírito 'glam rock' de "I've Had It Up to Here", além das brincadeiras pseudo-épicas presentes na trilogia conclusiva formada pelas faixas "I. The Waste Land", "II. Anonymous" e "III. Return to Ithaka"? Diversão garantida em todos os sentidos, meus caros!

Com ótimas músicas, ausência de pontos fracos, e uma produção limpa e refinadíssima, o Weezer provou que a evolução musical se resume apenas na entrega de trabalhos de qualidade. E se me permitem o devaneio, não quero pensar que "tudo ficará bem no fim", como o título do álbum sugere. Prefiro pensar que "tudo ficará bem neste inspirado recomeço". E que venham novas coleções de pérolas sonoras desses pequenos grandes 'nerds' no futuro!

Confira o álbum completo ou suas faixas de destaque:

Músicas:
1. Ain't Got Nobody
2. Back to the Shack
3. Eulogy for a Rock Band
4. Lonely Girl
5. I've Had It Up to Here
6. The British Are Coming
7. Da Vinci
8. Go Away
9. Cleopatra
10. Foolish Father
11. I. The Waste Land
12. II. Anonymous
13. III. Return to Ithaka




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Sobre Fábio Cavalcanti

Baiano, sempre morou em Salvador. Trabalha na área de Informática e ¨brinca¨ na bateria em momentos vagos, sem maiores pretensões. Além disso, procura conhecer novas - e antigas - bandas dos mais variados subgêneros do rock. Por fim, luta para divulgar, sempre que possível, o pouco conhecido cenário rocker da tão sofrida ¨Terra do Axé¨.

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