Flying Colors: Menos pop, mais prog
Resenha - Second Nature - Flying Colors
Por Doctor Robert
Postado em 27 de setembro de 2014
Menos pop, mais prog. Essa é a principal impressão passada pelo Flying Colors em seu segundo registro de estúdio: parece que o supergrupo abraçou de vez sua verve progressiva, deixando um pouco de lado a identidade criada no primeiro álbum, de produzir música acessível de qualidade. Se no disco de estreia o quinteto parecia trabalhar mais em prol da música para ser cantada junto, desta vez resolveram se esmerar mais nos arranjos e mostrar mais suas qualidades como instrumentistas. Segundo o baterista Mike Portnoy, eles nunca pararam para discutir o direcionamento que o álbum teria: "apenas fizemos o que fazemos". Para um trabalho que começou a ser composto via Skype (devido aos compromissos dos músicos com suas outras bandas), o resultado final não deixa de impressionar.
Produzido pela própria banda, e contando com arte gráfica de Hugh Syme (Rush, Dream Theater, Megadeth) na capa e encartes, "Second Nature" já escancara os novos rumos na abertura com "Open Up Your Eyes" e seus 12 minutos de um instrumental de alta qualidade: Dave LaRue e Mike Portnoy arrebentando na introdução, Neal Morse viajando durante toda ela em seus teclados e emuladores de melotron... Fica a sensação de se estar ouvindo uma música do Transatlantic, tamanha a diferença do que nos habituamos a ouvir do grupo. Mas não se assuste, é um grande tema – afinal, diferente não significa ruim, ok?
A segunda faixa, "Mask Machine", foi a primeira a ser divulgada dias atrás através de vídeo clipe. Com algumas pitadas de Muse (a começar pelo baixo cheio de efeitos na introdução), parece ser uma sequência melhorada de "Shoulda Coulda Woulda" (do primeiro disco), ficando cada vez mais nítido ao ouvinte que aqui não teremos nenhuma "Kayla" ou "The Storm". O que então vem a seguir?
Bom, é a partir da terceira faixa que "Second Nature" vai ficando cada vez melhor: "Bombs Away" traz uma grande interpretação de Casey McPherson com seus vocais dramáticos, e um solo excepcional do grande Steve Morse. Neal Morse também brilha, mostrando toda sua influência de Genesis e Tony Banks no solo de teclado.
"The Fury Of My Love" resgata o clima intimista das belas baladas do primeiro disco, com um feeling à flor da pele em mais um belo trabalho de McPherson e dos dois Morses. "A Place in Your World" merece destaque, lembrando em sua introdução ecos do Yes da década de 1980 (com Trevor Rabin) e do Kansas. Aqui Neal Morse divide os vocais principais com Casey McPherson, sobrando ainda espaço para Portnoy soltar a voz na ponte antes do solo. Grande momento!
"Lost Without You" é a faixa mais curta e com mais cara de "single" para rádios. Boa, mas um momento menor. "One Love Forever", a faixa seguinte, traz um clima totalmente diferente, meio celta com melodias exóticas e marcantes, e é seguida pela belíssima "Peaceful Harbor", de longe uma das melhores de todo o disco, tema grandioso que culmina com um coral gospel ao seu final.
Encerrando tudo, outra pérola: "Cosmic Symphony", exuberante e épica suíte dividida em três partes, no melhor estilo progressivo clássico, desfilando em seus 11 minutos um pouco de tudo o que o Flying Colors faz de melhor – instrumental de qualidade, vocais primorosos, melodias para se cantar junto, descambando num final bluesy e sentimental, em outro show à parte de Steve Morse. Uma baita música!
Alguns podem dizer que "Second Nature" não chega a ser tão bom quanto o trabalho de estreia – e realmente não é. Mas ficar preso a essas comparações seria injustiça com este lançamento. O abandono da levada mais pop mudou um pouco a identidade do Flying Colors. Porém, isso sinaliza também que o grupo não se ateve a uma fórmula pronta, o que é bem positivo, pois evita comodismos e clichês. Impressiona pela qualidade das composições e pela química dos músicos, que mesmo com tão pouco tempo para se reunirem, conseguiram lançar um dos melhores discos do ano.
Quem já era fã vai gostar, com certeza. Quem torceu o nariz da primeira vez, não vai ser agora que mudará de opinião...
Flying Colors – Second Nature
Produzido por Flying Colors
• Steve Morse – guitarra, violão
• Casey McPherson – vocais, guitarra
• Neal Morse – teclados, vocais
• Dave LaRue – baixo
• Mike Portnoy – bateria, vocais
Músicos convidados:
• The McCrary Sisters – vocais de apoio em "Peaceful Harbor" e "Cosmic Symphony"
• Chris Carmichael – cordas em "The Fury of My Love" e "Peaceful Harbor"
• Shane Borth – cordas em "Bombs Away"
• Eric Darken – percussão em "One Love Forever"
Faixas:
1. "Open Up Your Eyes" (12:24)
2. "Mask Machine" (6:06)
3. "Bombs Away" (5:03)
4. "The Fury of My Love" (5:10)
5. "A Place in Your World" (6:25)
6. "Lost Without You" (4:46)
7. "One Love Forever" (7:17)
8. "Peaceful Harbor" (7:01)
9. "Cosmic Symphony" (11:46)
• I. "Still Life of the World"
• II. "Searching for the Air"
• III. "Pound for Pound"
Outras resenhas de Second Nature - Flying Colors
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Como uma canção "profética", impossível de cantar e evitada no rádio, passou de 1 bilhão
O disco nacional dos anos 70 elogiado por Regis Tadeu; "hard rock pesado"
A música do Angra que Rafael Bittencourt queria refazer: "Podia ser melhor, né?"
O álbum "exagerado" do Dream Theater que John Petrucci não se arrepende de ter feito
Playlist - Uma música de heavy metal para cada ano, de 1970 até 1999
As duas músicas do Metallica que Hetfield admite agora em 2026 que dão trabalho ao vivo
A música de Raul Seixas que faria ele ser "cancelado" nos dias de hoje
A música feita pra soar mais pesada que o Black Sabbath e que o Metallica levou ao extremo
Registro do último show de Mike Portnoy antes da saída do Dream Theater será lançado em março
Alter Bridge, um novo recomeço no novo álbum autointitulado
A contundente opinião de Anders Fridén, vocalista do In Flames, sobre religião
Cinco discos de heavy metal que são essenciais, segundo Prika Amaral
A banda de rock que lucra com a infantilização do público adulto, segundo Regis Tadeu
Max Cavalera só curtia futebol até ver essa banda: "Virei roqueiro na hora"
O guitarrista que Dave Grohl colocou acima de Jimi Hendrix, e que Brian May exaltou
A música do Queen que Brian May pensou que era uma brincadeira
O clássico do rock com o melhor som de bateria de todos os tempos, segundo Phil Collins
Tina Turner revela o rockstar pelo qual ela "sempre teve um crush"


Com "Brotherhood", o FM escreveu um novo capítulo do AOR
Anguish Project mergulha no abismo do inconsciente com o técnico e visceral "Mischance Control"
Motorjesus pisa fundo no acelerador, engata a quinta e atropela tudo em "Streets Of Fire"
Metallica: em 1998, livrando a cara com um disco de covers
Whitesnake: Em 1989, o sobrenatural álbum com Steve Vai



