Higher: Músicos tarimbados e proposta inovadora
Resenha - Higher - Higher
Por Fabio Reis
Postado em 16 de setembro de 2014
Para entender melhor a história do Higher, vamos voltar ao ano de 1995, quando Cezar Girardi e Gustavo Scaranelo fundaram a banda Second Heaven. O grupo não vingou e encerrou as atividades em 1997, não deixando nenhum registro. Os músicos optaram por se dedicar aos estudos acadêmicos de música e seguiram carreiras fora do Metal, se tornando grandes nomes nos segmentos de Jazz e Música Instrumental.
Quase 20 anos depois, uma conversa telefônica, serviu para fazer pulsar novamente a chama do Heavy Metal nos músicos e a paixão pelo gênero fez nascer uma nova banda, o Higher. Com instrumentistas já experientes e amadurecidos, unidos apenas pela vontade de tocar o que amam, trouxeram a bagagem adquirida em outros estilos e criaram um novo conceito para o gênero.
Na maioria das vezes em que músicos extremamente habilidosos e cheios de virtuose se juntam para um trabalho ligado ao Metal, o que presenciamos geralmente, é uma quantidade de solos e passagens instrumentais sem fim, improvisos em demasia e músicas gigantescas. Características que acabam por não agradar a maioria do público, tornando o trabalho cansativo e sem muito brilho.
Nas ocasiões em que se focam na musicalidade, apostam nas composições e não na técnica exacerbada, o resultado acaba quase sempre sendo satisfatório. Este é exatamente o caso do Higher, que mesmo com toda a qualidade e categoria de seus músicos, se preocuparam em compor faixas onde a técnica é percebida, mas em nenhum momento se torna um exagero, as músicas são intrincadas, porém de fácil absorção.
O que chama a atenção neste "Debut" é o desprendimento da banda a rótulos. Não tentam soar parecidos com nenhum outro grupo e não fazem questão de se enquadrar em um único estilo ou subgênero. Fazem Metal e ponto. Cada música possui características próprias e detêm uma gama de elementos que as tornam extremamente originais. Fato este, que é uma verdadeira raridade em bandas novas. Soar diferenciado em um gênero musical onde praticamente todas as ideias já foram experimentadas é uma tarefa no mínimo digna de nota.
As faixas "Lie", "Keep Me High" e "Time To Change" são as mais pesadas. Com um show da "cozinha" composta por Andrés Zuniga (baixo) e Pedro Rezende (bateria), são possuidoras de andamentos complexos, soam diretas e sem firulas demasiadas.
"Climb The Hill", "Like The Wind" e "Make It Worth" são mais cadenciadas, donas de ótimas variações rítmicas e possuem uma característica em comum: Grandes refrões.
Em "Illusion" temos um dos pontos altos do trabalho, cheia de coros, uma performance perfeita do vocalista Cezar Girardi e um belíssimo solo. A balada "Break The Wall" é de extremo bom gosto e possui um andamento bem agradável. "The Sign", uma das melhores e mais empolgantes músicas da banda, rápida, direta e com linhas de guitarra bem construídas, além de um solo matador de Gustavo Scaranelo. Fecha o trabalho da forma como começou, em alta.
Pode se dizer que a formula encontrada pelo Higher é extremamente satisfatória. Precisei de diversas audições em sequência para captar os detalhes e absorver toda a musicalidade da banda, mas foi extremamente recompensador. Trata-se de um álbum moderno, sem modismos, bem tocado, criativo e inspirado.
Um último ponto a ser destacado é o conceito ideológico por trás da banda. Possuem uma filosofia bem interessante, com pensamentos relevantes e inteligentes. Quem explica este conceito, é o guitarrista Gustavo Scaranelo:
"Quando decidimos iniciar esse projeto, nos perguntamos: de quais ideias nossa música seria veículo? A conclusão foi instantânea: aproveitar a vida e seus desafios para tornar-se uma pessoa melhor é algo que eu e o Cezar sempre valorizamos, e, para nós, isso talvez justifique a vida humana. Desse conceito nasceu o nome Higher: o ser humano lutando por uma condição mais elevada. A força e o vigor que o heavy metal sempre nos transmitiu fez dele um veículo digno. Não queremos passar a idéia de que estamos nessa condição mais alta, apenas estamos nessa briga pela autotransformação. Não somos detentores de nenhuma verdade, e esperamos que as pessoas recebam nossa mensagem e nos vejam como cúmplices nessa jornada da evolução humana. O respeito é o princípio de qualquer postura madura, é possível, e necessário, discordar sem desrespeitar. Todas as letras foram escritas depois dessas definições, a concepção gráfica do disco e a composição do material novo também foram baseados nessa idéia. Não existe Higher sem esse conceito."
Concluindo, considero este álbum de estreia, um dos ótimos lançamentos do Heavy Metal nacional no ano. Certamente coloca a banda em destaque e chama a atenção pela sua complexidade. Com músicos tarimbados e uma proposta inovadora, pode-se dizer que o Higher veio pra ficar. Recomendo.
Faixas:
1- Lie
2- Illusion
3- Keep Me High
4- Climb The Hill
5- Like The Wind
6- Break The Wall
7- Time To Change
8- Make It Worth
9- The Sign
Integrantes:
Cezar Girardi (vocal)
Gustavo Scaranelo (guitarra)
Felipe Martins (guitarra)
Andrés Zúñiga (baixo)
Pedro Rezende (bateria)
Curiosidade: O guitarrista Felipe Martins entrou na banda após as gravações do álbum, pela necessidade de mais uma guitarra para as apresentações em palco e é aluno de Gustavo no EM&T (Escola de Música e Tecnologia) desde os 12 anos de idade.
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