Indiscipline: Power trio feminino denso, acridoce e pesado
Resenha - In My Guts - Indiscipline
Por Marcos Garcia
Postado em 27 de agosto de 2014
Nota: 9 ![]()
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Um dos eventos interessantes em termos de Metal e Rock'n'Roll nos últimos 30 anos é a inserção de mulheres em bandas, sejam como uma integrante (inclusive com muita história em nosso país), ou seja como uma banda inteira. E as meninas sempre mostram que tem algo para conceder ao gênero, um toque todo delas, que muitas vezes é brilhante. Nomes como RUNAWAYS, DORO, JOAN JETT, VOLKANAS, e mais recentemente CRUCIFIED BARBARA, NERVOSA e outras tem dado muito o que falar. Mas o trio carioca INDISCIPLINE tende a causar muito barulho na cena Metal/Rock brasileira, já que seu primeiro trabalho, o EP "In My Guts" é excelente.
Imaginem um power trio que faz um Rock'n'Roll sujo, denso, acridoce e pesado à lá AC/DC e MOTORHEAD, com doses generosas de ALICE IN CHAINS em sua fase mais pesada, mais aquelas melodias azedas e ganchudas, que tornam o trabalho de fácil assimilação.
Perceberam?
Sim, a banda está nesse nível, mostrando uma fúria ímpar, com muito sangue nos olhos, com ótimos vocais (backings raçudos, a voz de Alice muito bem postada, sabendo dar boas variadas de tons), guitarras ferozes em riffs bem "capirotescos" (daqueles que são bem pesados e amargos, mas que nos cativam na primeira ouvida. Maria Fernanda anda se mostrando uma das Primeiras Damas das seis cordas do Brasil), baixo e bateria firmes na marcação, criando uma boa base rítmica (Ana e Alice se entendem perfeitamente). O resultado final não soa complexo, mas ótimo, cheio vida e energia.
Com produção, gravação e mixagem feitos por Felipe Eregion no Estúdio AM no RJ, mais a masterização de Brendan Duffey no Estúdio Norcal (SP), a sonoridade é bem densa, um pouquinho esfumaçada e muito pesada, daquelas de doer os ouvidos dos não iniciados, mas é assim que precisa ser. Bandas que transitam nesse estilo precisam ter aquele clima de pub inglês. Mas não se preocupem: os instrumentos estão bem claros e audíveis separadamente, com timbres muito bem escolhidos. Já Rafael Tavares fez um ótimo trabalho gráfico, com uma capa perfeita, a cara do trabalho do grupo.
O INDISCIPLINE mostra que veio para ficar, uma vez que sua música, mesmo não buscando uma complexidade desnecessária, sangra em pura energia, mostrando que os arranjos foram bem pensados, que sua música não foi feita "liga amplificador-senta a pua-grava". Não, não, muito pelo contrário; percebe-se que as cinco faixas foram trabalhadas com muito ensaio e poeira de estrada.
O disco abre com "Devil in Me", uma faixa intensa e de andamento de velocidade mediana, repleta de riffs bem intensos e pesados e bom trabalho da base baixo-bateria. "Guts" é uma faixa bem ganchuda, também com velocidade não tão alta, e onde surge a influência bem acentuada de AC/DC, com os vocais muito bem postados. Já "Indiscipline" é uma cançãoum pouco mais acessível que as anteriores, raivosa e com riffs bem puxados para o Hard em vários momentos, fora um trabalho de baixo ótimo (uma lição aos que ainda acreditam que as quatro cordas servem apenas para fazer base). Um pouquinho mais raivosa, mas ainda de fácil assimilação, é "Deserving Hate", com boas mudanças de andamento e os riffs mais uma vez se mostrando ótimos (nos momentos mais lentos, é justamente onde a influência do ALICE IN CHAINS fica mais perceptível). Fechando, temos "Goodbye", já com um clima denso e pesado, um andamento empolgante e belo trabalho de baixo e bateria.
Um trabalho ótimo, bem pesado, mas de muito fácil aceitação, logo, comprem suas cópias e se divirtam!
Tracklist:
01. Devil in Me
02. Guts
03. Indiscipline
04. Deserving Hate
05. Goodbye
Banda:
Alice - Baixo, vocais
Maria Fernanda Cals - Guitarras
Ana de Ferreira - Bateria
Contatos:
http://www.indisciplineofficial.com/
http://www.facebook.com/indisciplineofficial
http://www.soundcloud.com/indisciplineofficial
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