Eu Acuso!: Letras contestatórias aliadas a composições intensas
Resenha - Liberdade Presumida - Eu Acuso!
Por Felipe Cipriani Ávila
Postado em 01 de agosto de 2014
Nota: 8 ![]()
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O nome da banda Eu Acuso!, procedente de Porto Alegre (RS) e formada em 2012, se origina do manifesto redigido pelo respeitado escritor francês naturalista Émile Zola para o então presidente da república da França na época, Félix Faure, e publicado no jornal literário L’Aurore no longínquo ano de 1898. Com convicção quanto à inocência de Alfred Dreyfus, oficial da artilharia judeu que foi culpado por traição, sendo considerado informante dos alemães, fadado a passar talvez o restante dos seus dias na Ilha do Diabo, na Costa da Guiana Francesa, pela falta de evidências e provas cabíveis, escreveu esse manifesto com a finalidade de defendê-lo e mostrar que tudo não passava de uma conspiração política e antissemita contra o mesmo. Felizmente este foi anistiado e reabilitado posteriormente. Essa questão da injustiça é bastante abordada pelo grupo gaúcho em suas letras. O seu disco de estreia, "Liberdade Presumida", mostra bem isso, com um trabalho lírico muito inteligente e relevante, coligado a composições sólidas e pesadas.
A sonoridade do conjunto gaúcho é bem diversificada, mesclando Heavy Metal clássico a elementos de Rap e Funk, nos moldes de bandas como Rage Against The Machine e Stuck Mojo. Embora tenha sido formada apenas em 2012, os músicos já tocam há muito tempo juntos, em bandas como Os Margaridas, Bleque, e com atuação em vários nomes de peso da cena do estado do Rio Grande do Sul, como Sacrário, Leviaethan, Distraught, Alchemist, Kaus do Porto e Panic. O primeiro disco de estúdio mostra claramente esse entrosamento e experiência, com composições repletas de groove, peso e estilo bem consolidado. Certamente não é trabalho de novatos, o que é comprovado rapidamente no decorrer da audição.
O álbum abre com a faixa "A Verdade", já mostrando imediatamente para o que veio, com muito peso e energia. O refrão é intenso e nos conclama a refletir a respeito da hipocrisia que tanto faz parte da nossa sociedade. A mensagem é direta, porém bastante inteligente, consciente e contemporânea. Os temas seguintes seguem ótimo ritmo, com passagens muito marcantes, pesadas e enérgicas. "Idade Mídia", por exemplo, versa sobre a alienação midiática, enquanto que "Olho Por Olho/Sangue Por Óleo" aborda o conflito da Faixa de Gaza, com uma parede sonora muito poderosa. Não há, portanto, nenhum momento "morno", e o instrumental encorpado e forte se casa perfeitamente com as ótimas linhas vocais.
O resultado final, então, é bastante satisfatório, tanto no que concerne às críticas e bem fundamentadas letras, que abordam temas pertinentes e atuais, tocando bem fundo nas feridas, sem rodeios, quanto às composições, que vão direto ao ponto, transbordando peso do início ao fim! Confira por si só, pois não há como se arrepender!
Faça o download do material completo no site oficial do quarteto:
http://www.euacuso.com.br/
Formação da banda:
Sandré Sarreta – Vocal
Carlos Lots – Guitarra
Marcelo Cougo – Contrabaixo e vocal
Ale Mendes – Bateria
Faixas:
1 – A Verdade
2 – Bala Perdida
3 – Choque De Ordem
4 – Choveu Sangue Na Cidade
5 – Idade Mídia
6 – Lona Preta
7 – Mano Lugar
8 – Não Conte A Ninguém
9 – Olho Por Olho/Sangue Por Óleo
10 – Pela Janela Do Bunker
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