Ronnie James Dio: Tributo ao mestre acerta brilhantemente
Resenha - This Is Your Life - Ronnie James Dio
Por Thiago El Cid Cardim
Postado em 04 de maio de 2014
O grande segredo para um álbum-tributo bem sucedido é a combinação da escalação de bandas/artistas representativos de fato (seja por sua história, seja pela relação direta com o homenageado, seja pela sua representatividade como revelação de destaque da cena) com a seleção de canções certas para cada talento. Pensando nestes dois fatores, senhoras e senhores, o disco This Is Your Life, estrelado tributo em homenagem ao saudoso mestre Ronnie James Dio, acerta brilhantemente.
Estão presentes nomes bastante relevantes da nova geração do rock pesado, além de grandes medalhões diretamente influenciados pelos trabalhos de Dio e alguns contemporâneos que dividiram a cena com ele. Difícil pensar em alguém que não fosse aceitar este convite - afinal, além de profissional tarimbado, que marcou época em cada uma das bandas pelas quais passou, Ronnie era conhecido por ser um dos sujeitos mais gente boa deste mercado, tratando a todos com humildade e respeito.
A bolacha abre com o Anthrax sentando paulada em Neon Knights - na opinião deste que vos fala, a grande canção da fase Dio no Black Sabbath e que, com todo respeito a Scott Ian e cia, qualquer banda teria que se esforçar muito para destruir. Entre os jovens, o Halestorm acerta com Straight Through The Heart, enquanto o Killswitch Engage dá uma forçadinha nos vocais com Holy Diver, que não precisaria de guturais tão exagerados naquele momento. Mas não chega a ser um momento que estrague o conjunto da obra. Quem faz bonito, de verdade, é Corey Taylor, que convoca o parceiro Roy Mayorga, do Stone Sour, para uma bela performance de Rainbow In The Dark, que ele deveria pensar seriamente em passar a colocar em seu repertório em definitivo.
Diretamente da Alemanha, os Scorpions são bastante respeitosos e fazem uma versão bastante similar à original de The Temple Of The King, enquanto a eterna musa Doro Pesch se entrega à emoção em Egypt (The Chains Are On). Emocionante também é ouvir Biff Byford, do Saxon, cantando Starstruck lado a lado com Lemmy, do Motörhead. Duas lendas juntas para celebrar outra lenda? Momento histórico.
O time de ouro formado por Simon Wright, Craig Goldy, Rudy Sarzo e Scott Warren, todos ex-companheiros de Dio em seus projetos, convoca seu velho amigo Glenn Hughes para uma linda versão quase soul de Catch The Rainbow. Outros parceiros de Ronnie, Jimmy Bain e Rowan Robertson, trazem Oni Logan (Lynch Mob) para entoar uma interessante versão de I. Mas quando o trio Vinny Appice, Doug Aldrich e Jeff Pilson precisou chamar alguém para cantar a sempre exuberante Man On The Silver Mountain, a missão coube a Rob Halford, o lendário gogó do Judas Priest, uma voz tão imediatamente reconhecível e cultuada quanto a de Dio. E ele evita jogar o vocal lá no alto e entrega uma performance bela, comedida e surpreendente.
Não é exagero dizer, no entanto, que o ápice do disco é mesmo o chamado Ronnie Rising Medley, uma reunião de trechos de quatro canções da era Rainbow, executadas com precisão e brilhantismo pelo Metallica. Enquanto desfilam A Light In The Black, Tarot Woman, Stargazer e Kill The King (esta última, aliás, merecia uma versão completa), eles mostram que são especialistas em entregar covers que, ao mesmo tempo em que são fiéis às versões originais, também ficam impregnados de tal forma com seu DNA que parecem que são suas desde sempre.
Se senti falta de alguém neste line-up? Como fã da banda, poderia dizer que talvez fosse uma pegada interessante representar a escola do power metal alemão com a versão do Blind Guardian para Don't Talk to Strangers. Apesar de já ter gravado um disco inteiro em homenagem a Dio (e ter arrumado uma bela duma treta com a esposa do dito cujo, ao ser acusado de aproveitador), também gostaria de ter visto Jorn Lande soltando a voz, já que Ronnie é, sem dúvida alguma, uma das principais - se não for A principal - influência de seu estilo vocal. O meu grande sonho para este disco, no entanto, era bastante ambicioso. Por se tratar de uma celebração à vida e de um projeto que pretende apoiar iniciativas de combate ao câncer, eu queria ver Ozzy Osbourne cantando em homenagem ao Dio.
Sim, eu sei que é uma loucura pensar numa coisa destas. Porém, confessem: não seria lindo ver a primeira voz do Black Sabbath deixando de lado as tretas com o seu sucessor definitivo, muitas vezes alimentadas por quem não tinha nada a ver com isso? O ciclo se fecharia. Não custa, senhores e senhoras, sonhar um pouco, não é mesmo?
De qualquer maneira, um disco imperdível. Item indispensável na coleção de qualquer fanático pela obra de Ronnie James Dio e mesmo de qualquer fã de metal que se preze. Simples assim.
PS: Jura mesmo que tem gente questionando a presença do duo Tenacious D neste disco? Não teria como ser diferente. Depois da homenagem na canção Dio, retribuída com a aparição dos dois no clipe de Push, eles se tornaram amigos do mestre. Jack Black é mais ator do que cantor. Mas sua versão para The Last In Line funciona bem que é uma beleza.
Tracklist:
1. Neon Knights - Anthrax
2. The Last In Line - Tenacious D
3. The Mob Rules - Adrenaline Mob
4. Rainbow In The Dark - Corey Taylor, Roy Mayorga, Satchel, Christian Martucci, Jason Christopher
5. Straight Through The Heart - Halestorm
6. Starstruck - Motörhead com Biff Byford
7. The Temple Of The King - Scorpions
8. Egypt (The Chains Are On) - Doro Pesch
9. Holy Diver - Killswitch Engage
10. Catch The Rainbow - Glenn Hughes, Simon Wright, Craig Goldy, Rudy Sarzo, Scott Warren
11. I - Oni Logan, Jimmy Bain, Rowan Robertson, Brian Tichy
12. Man On The Silver Mountain - Rob Halford, Vinny Appice, Doug Aldrich, Jeff Pilson, Scott Warren
13. Ronnie Rising Medley (com A Light In The Black, Tarot Woman, Stargazer, Kill The King) - Metallica
14. This Is Your Life - Dio
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