Gamma Ray: Elevando seu estilo já consolidado a um novo patamar
Resenha - Empire of the Undead - Gamma Ray
Por Lucas Fernandes Corrêa
Postado em 02 de maio de 2014
Nota: 8 ![]()
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Acho que em todos os meus anos de metaleiro dedicado, eu nunca vi um álbum com uma história tão curiosa quanto o Empire of the Undead, o décimo primeiro álbum de estúdio do Gamma Ray.
É que, em novembro de 2013, o estúdio do Gamma Ray, na Alemanha, foi completamente devastado por um incêndio misterioso. Para piorar, a trupe de Kai Hansen estava, literalmente, a meio mundo de distância, fazendo uma turnê pela América do Sul, e só poderia voltar para a sua terra natal em dezembro.
Praticamente tudo foi devastado além da recuperação na tragédia, com uma única exceção: as fitas em que estavam gravadas o material do Empire of the Undead, que foram encontradas intactas. Incrível, né? Parece até coisa daqueles diabéticos e-mails motivacionais feitos no Power Point que todo chefe adora mandar para os funcionários.
Não sei como anda a sua espiritualidade, delfonauta, mas para mim este é um sinal de que Odin, em seu trono de Valhalla, achou que este CD seria muito tremendão e resolveu salvá-lo de tão cruel destino. E se foi isso mesmo, então o velho caolho acertou em cheio.
Empire of the Undead é provavelmente o álbum mais pesado de toda a história do Gamma Ray. De certa forma, ele segue a mesma linha "mamãe, eu sou malvado" do Majestic, só que potencializado. Eu confesso que fiquei um pouco preocupado com o disco, pois durante as entrevistas, Kai Hansen declarou que ele teria "uma pegada mais thrash" e embora isto se realize em alguns momentos, não chega a afetar a sonoridade que os fãs tanto amam. Mas chega de enrolação. Vamos para o faixa-a-faixa.
IT’S UP TO YOU TO BE FORGOTTEN
O disco abre com Avalon, que já de cara se tornou a minha faixa favorita. Com quase 10 minutos de duração, esta canção possui tudo que faz os metaleiros pirarem o cabeção: um começo calmo que vai aumentando gradualmente, teclados até dizer chega, riffs cavalgantes, letras sobre um reino encantando e um refrão grudento cantado em coro, feito sob medida para se cantar em shows.
Hellbent é outra daquelas canções "manowarizadas" sobre o poder do metal correndo em nossas veias que o Gamma Ray adora fazer de tempos em tempos. E como todas as músicas desse tipo, ela é bastante empolgante. É nesta faixa que o novo baterista, Michael Ehré, mostra toda a sua habilidade com as baquetas, espancando os bumbos e pratos sem dó nenhuma.
Pale Rider também é muito legal e tem uma pegada bastante agressiva, mas não tão pesada quanto a anterior. Em compensação, a letra é totalmente malvadona. Para você ter ideia, o refrão dela é "burn, motherfucker / feel the flame". Por outro lado, Born to Fly já é uma música mais calma e alegre, que fala sobre águias voando sobre arco-íris, lembrando mais aquele Gamma Ray dos três primeiros álbuns.
As duas canções seguintes, Master of Confusion e Empire of the Undead, já haviam sido lançadas previamente no EP Master of Confusion e pouquíssimas coisas foram alteradas aqui. Sinceramente, eu achei as duas as músicas mais fraquinhas do álbum. A faixa título ainda tem um solo muito legal lá pela metade, mas tirando isso, nenhuma delas conseguiu prender minha atenção.
Time for Deliverance é a mandatória balada semi-acústica que toda banda de power metal coloca em seus álbuns. A melodia dela é muito bonita, mas me dá a sensação de estar ouvindo uma canção de natal. Não que isso seja ruim, apenas engraçado.
A faixa seguinte, Demonseed, tem uma das introduções mais bizarras que eu já vi em um álbum do Gamma Ray, aonde uma mulher com voz chorosa faz um monólogo desesperado. Sim, delfonauta, isso não faz sentido nenhum. Porém, se você conseguir superar esta extravagância de alguns segundos, escutará uma das músicas mais tremendonas do disco. A parte em que Kai retoma os vocais depois do solo é simplesmente espetacular.
Seven é uma canção que reúne tudo o que o faz o Gamma Ray uma banda tão legal, o que por si só já vale a pena. Esta também é a faixa com o melhor solo de guitarra do álbum.
E o disco encerra com I Will Return, que é sem dúvidas a música mais pintuda do Gamma Ray. Ou vai me dizer que uma música que começa com o Arnold "Fucking" Schwarzenegger falando "I’ll be back" não é pintuda?
No final, Empire of the Undead não é um disco revolucionário, que mudou os conceitos da banda como o Land of the Free ou o Somewhere Out In Space, mas apresenta um Gamma Ray elevando seu estilo já consolidado a um novo patamar. Em questão de performance, todos os músicos estão um degrau acima do que já foi feito anteriormente, em especial a voz de Kai.
É gratificante saber que, mesmo depois de 25 anos de banda nas costas, o Gamma Ray ainda continua mostrando que ainda são apaixonados pelo que fazem. Principalmente em uma época em que várias bandas com a mesma idade estão fazendo álbuns cada vez mais fatigados e que só confirmam que essas bandas precisam se aposentar.
CURIOSIDADES:
- A versão europeia do álbum vem com a faixa bônus Built a World.
- Você pode encontrar três versões diferentes do Empire of the Undead por aí. A arte da capa é a mesma para todas elas, mas as cores mudam. As edições em digipak e vinil também têm algumas faixas extras, além da supracitada, mas são apenas músicas já conhecidas tocadas "ao vivo" no estúdio.
- Um dos maiores pecados da minha vida foi ter ido ao fatídico show do Helloween e Gamma Ray que quase matou o Corrales sem nunca ter ouvido Rebellion In Dreamland. Não me perdoo até hoje por isso.
Matéria originalmente publicada no site Delfos
http://www.delfos.jor.br
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