RECEBA NOVIDADES ROCK E METAL DO WHIPLASH.NET NO WHATSAPP

Matérias Mais Lidas

imagemA música de Raul Seixas que salvou a carreira de Chitãozinho e Xororó

imagemPor que Lemmy odiava tocar "Ace of Spades" nos shows do Motörhead

imagemOmelete diz que heavy metal pertence agora à nova geração e não ao tiozão headbanger

imagemPaul McCartney quase foi atropelado ao tentar recriar famosa cena de capa de disco

imagemA atitude punk da Legião Urbana que causou irritação e deu trabalho na gravação

imagemOs 10 maiores álbuns da história do grunge, em lista do Brave Words

imagemO Raul Seixas não era nada daquilo que ele falava, diz ex-parceiro musical

imagemQual era a opinião de Tony Iommi sobre Ozzy Osbourne solo e Randy Rhoads em 1984?

imagemComo Tommy Lee e o Mötley Crüe ajudaram Axl Rose a escrever "November Rain"

imagemO brasileiro com a voz parecida com a de Axl Rose que viralizou no TikTok

imagemO conselho realista de John Petrucci para bandas que estão começando agora

imagemO hit dos Beatles que talvez seja sobre drogas e que "Jesus" acompanhou gravação

imagemO que faltou para o Overkill entrar no "Big Four" do thrash, segundo D. D. Verni

imagemQuatro músicas de artistas brasileiros que citam Os Paralamas do Sucesso

imagem5 motivos para assistir ao novo RockGol 2023 que estreia em fevereiro


Stamp

Iron Maiden: Fear of the Dark é um álbum forte e único

Resenha - Fear Of The Dark - Iron Maiden

Por Daniel de Paiva Cazzoli
Postado em 27 de fevereiro de 2014

Nota: 9

Em 11 de maio próximo, o álbum que marcou o fim da primeira passagem de BRUCE DICKINSON pela Donzela de Ferro completará 22 anos. Não é uma data simbólica, concordo. Mas sempre é tempo de dissertar um pouco sobre este trabalho que veio cercado de contratempos: a começar por suceder "No Prayer for the Dying", primeiro com Janick Gers, o guitarrista que gravou o primeiro álbum solo de Bruce, mas que não foi bem "digerido" por ter substituído a referência Adrian Smith; a arte gráfica, à época criticada pela pouca inspiração, já sem Derek Riggs; a produção derradeira do lendário Martin Birch; e a já citada saída de Bruce.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

O formato vinil duplo veio em bom momento. Com 3 faixas em cada um dos 4 lados do LP, "Fear of the Dark" chegou no limiar da despedida do velho formato e a consagração do CD. As letras impressas com letra clara no fundo escuro do encarte encerraram o período romântico da era fonográfica da banda, já que no trabalho seguinte de estúdio, "The X Factor", os fãs iriam definitivamente aderir à era digital.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Mas vamos ao que interessa: um mês antes do lançamento do LP (como é bom chamá-lo assim), mais precisamente em 13 de abril de 1992, "Be Quick or Be Dead" surgiu como primeiro single. Composta pela dupla Dickinson e Gers, essa música rápida e quase thrash metal abre o trabalho de forma agressiva, com a bateria explosiva de Nicko. Com uma abordagem lírica voltada para a corrupção e o jogo sujo de quem detém o poder, o desempenho de Bruce é um dos mais rasgados de sua carreira e é impossível ficar imune ao ataque sonoro perpetrado por essa faixa, que manteve o ritmo alucinante também no videoclipe exaustivamente exibido à época.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Também presenteada com um videoclipe, "From Here to Eternity", o 2º single, chega com uma veia bem rock’n’roll, trazendo um pouco da linha mais despojada que a banda lançou mão no álbum anterior. Composta pelo eterno líder Steve Harris, sua letra aborda uma visão irônica e até otimista do inferno, fazendo inclusive uma alusão à Charlotte, a prostituta imortalizada no primeiro álbum.

Na sequência, a primeira obra-prima, novamente concebida por Harris. "Afraid to Shoot Strangers", com seus quase 7 minutos, chega suave, com uma bela melodia de guitarras e a sempre firme sustentação do baixo. Já antecipando o esquema "início lento / peso e rapidez / fim lento" que configura a faixa-título, esta belíssima canção traz uma reflexão de alguém que está à espreita de cometer um crime, supostamente por esconder um ato justiceiro. Com letras de fácil assimilação, ela permanece poderosa até o fim. Não é à toa que na recente turnê que celebra o saudoso "Maiden England", a banda optou por incluí-la no repertório, mesmo soando um pouco deslocada. Seu apelo ao vivo é inquestionável.

"Fear is the Key" retoma a parceria de Dickinson e Gers. À primeira audição, há 22 anos, não assimilei tão bem a proposta inovadora da canção. Seu formato pouco usual e suas mudanças de ritmo servem de base para uma letra um pouco confusa, com o medo e a incerteza dos tempos atuais como tema, mas que agrada pelo solo de guitarra bem sacado. A próxima é "Childhood’s End", de Harris, que volta à duração abaixo de 5 minutos. Com seu ritmo marcante de baixo, é a primeira faixa menos inspirada do álbum, com refrão abaixo da média. Acaba se salvando pela letra, que faz uma análise bem interessante sobre o fim do período da inocência do ser humano e a situação caótica do meio ambiente.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

O terceiro single, lançado em 16 de setembro e composto por Bruce e Janick, é "Wasting Love". Uma autêntica balada e com apelo bastante comercial. Servindo como aperitivo da futura "Tears of the Dragon", de seu primeiro álbum solo pós-Maiden, a canção traz uma interpretação bastante emocional de Bruce, embora apresente uma letra fraca e hoje seja uma tarefa um tanto cansativa ouvi-la até o acorde final. Valeu para mostrar à banda que eles nunca precisaram desse tipo de faixa de fácil aceitação radiofônica. Coincidência ou não, a banda resolveu gravá-la um ano após o METALLICA, em seu multiplatinado álbum autointitulado, ter conquistado o mundo com "The Unforgiven" e "Nothing Else Matters". Mas no caso da banda inglesa, nem o videoclipe agradou.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Steve Harris compôs "The Fugitive". Musicalmente, é um trabalho menor do líder, com estrofes de poucas variações. Liricamente, é bem envolvente e certamente daria um ótimo roteiro de filme. A quase hard rock "Chains of Misery" vem logo depois, com Bruce dividindo a autoria com Dave Murray. Seu ritmo é contagiante e conta com uma performance irrepreensível de Dickinson, tanto nas estrofes propositalmente "largadas", quanto no refrão bem alegre. A letra não agrada, mas tampouco desmerece o bom trabalho da música.

"The Apparition" é de longe a mais fraca do álbum. Mesmo no interlúdio, com a breve mudança de andamento, a canção se perde em uma repetição de notas. A letra também não a salva. Ainda bem que, na sequência, vem a música que, na humilde opinião deste redator, é uma das mais injustiçadas de toda a carreira da banda. Novamente contando com Dickinson e Murray como autores, "Judas Be My Guide" é simplesmente espetacular. Desde o seu começo, com um tema crescente que desemboca em um solo maravilhoso, passando pelos versos cantados à perfeição, essa pérola ainda conta com um refrão de arrepiar. O solo do meio é inspiradíssimo. Pena que a banda nunca a tocou em shows.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

A penúltima música é novamente uma peça de rock’n’roll, ainda trazendo resquícios do álbum anterior. Harris, em parceria com Gers, novamente brinda o ouvinte com uma faixa bem descontraída e com letra deliciosamente irônica. O primeiro verso "O rebelde de ontem, tolo de amanhã" (The rebel of yesterday, tomorrow’s fool) já mostra a irreverência lírica.

Por fim, a faixa-título, que merece uma análise cuidadosa. O sucesso foi tão estrondoso que, quase um ano após o lançamento do álbum, uma versão ao vivo extraída de "A Real Live Dead One" foi lançada como single, chegando ao 5º lugar no Reino Unido. É a típica canção que nasceu para ser executada em grandes arenas. Ela traz todos os elementos típicos da Donzela: a introdução épica e pomposa, feita para cantar junto; o início sombrio e lento, invocando a clássica "Hallowed Be Thy Name"; as estrofes magistralmente interpretadas por Bruce; o refrão que a fez definitivamente se tornar atemporal e presença obrigatória desde que foi composta; e a duração longa, tipicamente Harris. Além dos atributos listados, ainda narra um típico roteiro de história em quadrinhos – o que efetivamente viria a se tornar algum tempo depois. Não haveria outra para fechar o LP, CD, ou seja lá qual for o formato. Foi a última canção composta pela banda que mereceu receber o rótulo de "clássica". Ótimas músicas viriam a ser compostas nos seis álbuns futuros, mesmo com Blaze Bayley, mas é notório que nenhuma se tornou obrigatória nas turnês vindouras.

"Fear of the Dark" é um álbum forte e único, que mostra uma banda entrosada. A ordem das faixas é um grande trunfo, pois não tem como ser fraco um disco que abre com uma paulada certeira e encerra com uma obra-prima que rivaliza com os maiores momentos da história da banda e deste gênero musical.

Faixas:
1. "Be Quick or Be Dead" (3:24)
2. "From Here to Eternity" (3:38)
3. "Afraid to Shoot Strangers" (6:56)
4. "Fear Is the Key" (5:35)
5. "Childhood's End" (4:40)
6. "Wasting Love" (5:50)
7. "The Fugitive" (4:54)
8. "Chains of Misery" (3:37)
9. "The Apparition" (3:54)
10. "Judas Be My Guide" (3:08)
11. "Weekend Warrior" (5:39)
12. "Fear of the Dark" (7:16)

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Formação:
Bruce Dickinson - vocal
Janick Gers - guitarra
Dave Murray - guitarra
Steve Harris - baixo
Nicko McBrain - bateria


Outras resenhas de Fear Of The Dark - Iron Maiden

Compartilhar no FacebookCompartilhar no WhatsAppCompartilhar no Twitter

Siga e receba novidades do Whiplash.Net:
Novidades por WhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps




publicidadeAdemir Barbosa Silva | Alexandre Faria Abelleira | André Silva Eleutério | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Daniel Rodrigo Landmann | Décio Demonti Rosa | Efrem Maranhao Filho | Euber Fagherazzi | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Filipe Matzembacher | Gabriel Fenili | Henrique Haag Ribacki | José Patrick de Souza | Julian H. D. Rodrigues | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Reginaldo Tozatti | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Vinicius Valter de Lemos | Wendel F. da Silva |
Siga Whiplash.Net pelo WhatsApp
Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Sobre Daniel de Paiva Cazzoli

Daniel é bancário, professor de Inglês e Português, fanático por Rock'n'Roll em quase todas as suas vertentes, tendo como início de tudo o quarteto fabuloso de Liverpool.
Mais matérias de Daniel de Paiva Cazzoli.