Shadow Gallery: O segundo ato do agora sexteto estadunidense
Resenha - Carved in Stone - Shadow Gallery
Por MATHEUS BERNARDES FERREIRA
Postado em 30 de outubro de 2013
Segundo ato do agora sexteto estadunidense Shadow Gallery. Kevin Soffera substitui a máquina de batuques e Sr. Wehrkamp chega para somar sua guitarra e teclado ao agregado metálico. Enfim temos um bom trabalho de masterização, todos os instrumentos parecem estar em seu devido tom, principalmente os vocais.
Temos 14 faixas sendo que 5 delas são interlúdios curtos que pouco adicionam ao todo, que servem apenas para espaçar as músicas principais. Soma-se também uma faixa escondida contendo uma demonstração ambientada do Sr. Wehrkamp entrando no banheiro com seu sintetizador e compondo uma música para o dia de ação de graças. Sobram então 8 faixas para serem analisadas detalhadamente.
Cliffhanger é disparado a melhor faixa do álbum. Sr. Baker melhorou demais seu vocal, com timbre mais afinado e de maior alcance, ele utilizou efeitos de voz para adicionar profundidade às melodias conseguindo excelentes resultados. A batida ganhou destaque na composição que, junto dos firmes riffs de guitarra, determinaram a pegada da música. Um baterista de carne e osso faz muita diferença, definitivamente. Som limpo e cristalino, power metal de primeira, que lamentavelmente tem uma passagem instrumental no fim da música que soou um tanto vaga e perdida, sem saber onde pretende chegar. O final em "fade out" só ajuda a apontar esse descaminho.
Em Crystalline Dream novamente o som dos instrumentos está bastante limpo e o vocal no tom correto, talvez excessivamente correto, beirando o comodismo. As guitarras e a batida ditam as regras aqui. Belos versos, refrão marcante e primoroso solo de teclado. Só faltou evolução, já que a música ficou repetitiva e previsível. Outra vez o "fade out" fechando a faixa não parecia ser a melhor opção.
Piano e voz são tudo o que temos em Don't Ever Cry, Just Remember. Nenhum riff de guitarra significativo, solos genéricos e tediosos, nem o solo de flauta no meio da música pareceu inspirado. Ritmo muito lento e melodia grudenta. Ótima música para se ouvir abraçadinho com a sua namorada. Fuja daqui se estiver se estiver procurando por metal.
Tudo indica que a fórmula piano-voz é o tema desse álbum e é o que temos na primeira metade de Warcry. Agora o ritmo está mais saltitante e as melodias mais felizes que a média. Na segunda metade da música as guitarras aparecem e a música toma um rumo diferente, bastante interessante. Se tiver paciência vale à pena esperar.
Celtic Princess é um interlúdio maior do que os demais e, não à toa, possui nome próprio. Tempos aqui um belo trabalho instrumental acústico em piano e guitarra que serve perfeitamente aos seus propósitos: servir de passagem entre duas boas faixas.
Deeper Than Life é a faixa mais agressiva do álbum. Excelente riff de guitarra sobreposto por um assombroso teclado gera uma sensação singular de poder e pressão. Refrão eficiente e uma batida incansável credenciam essa música à melhor do álbum. Poderia ter sido melhor se tivesse mais evolução e menos repetição. Mesmo assim uma bela apresentação.
Quando pensamos que o álbum vai embalar depois de uma ótima música, vem outro balde de água fria na cabeça. Se Don’t Ever Cry, Just Remember e Warcry já foram cansativas pela monotonia, em Alaska Sr. Ingles e Cia. provam que possuem uma predileção especial por comporem músicas toscas travestidas de bonitinhas. Falta tudo aqui. Guitarras e bateria inexistem. Até para uma música acústica Alaska é medíocre. Melodia pobre, manjada e repetitiva são sinônimos de fiasco.
Ghostship é a música mais decepcionante do álbum. Dos mais de 20 minutos de duração, metade disso é composto de interlúdios sem inspiração, monótonas passagens acústicas e outros enchimentos de lingüiça. E o pior, a outra metade está longe de ser brilhante. A primeira parte The Gathering the Night Before começa até que bem, com boa pegada e riffs interessantes, mas é só o Sr. Baker abrir a boca e tudo começa a sair dos trilhos. As melodias simplesmente não se encaixam com o ritmo da música. Parecem com hinos de igrejas carismáticas, com alguma perversão do Helloween do Pink Bubbles. Em Voyage temos uma bela apresentação instrumental, mas muito curta e que logo cai na apatia e nulidade musical que se segue em Dead Calm e Approaching Storm. Em Storm chegamos à única parte interessante da música quando chegam aos ouvidos galopadas um tanto genéricas à la Maiden. Então Sr. Baker comete a infelicidade de tentar incorporar Bruce Dickinson e cantar no tom de Fly of Icarus. O resultado foi deplorável. Felizmente a parte cantada é curta e o espetacular trecho instrumental que segue ajuda a esquecer esse vexame. A instrumental Enchantment não é nada mais que um treinamento de piano que sabe-se lá porque editaram no meio dessa música. Finalmente Legend abre com versos super felizes acompanhados por acordes de piano mais felizes ainda que evoluem apenas para nos levar ao mundo da felicidade plena. Serviria perfeitamente para aberturas de programas infantis tipo Teletubbies ou Backyardigans, jamais num álbum com pretensões metálicas.
Em comparação ao primeiro álbum homônimo do Shadow Gallery, temos em Carved in Stone um enorme aperfeiçoamento na execução das composições. Todas as faixas soam muito bem lapidadas devido à melhoria técnica dos músicos e do bom trabalho de mixagem do álbum. A mais notável melhoria está nos vocais de Mike Baker, que atingiram a maturidade e deixaram de dar à música aquele sofrível caráter de amadorismo. As guitarras e a bateria não estão mais abafadas, o contrabaixo continua discreto, mas é eficiente quando aparece, e os teclados em nenhum momento destoam do resto da música. Agora, é o piano que tem a maior presença dentre todos os outros instrumentos, novamente, o que por si só não é um ponto negativo. Porém, as linhas de piano e voz soam genéricas e repetitivas, por melhor que fossem executadas. Eis a questão chave desse álbum. Por mais que as execuções das músicas estejam um passo à frente em comparação ao último álbum, a falta de inspiração e ousadia na composição caracterizam dois passos para trás.
Testemunhei uma boa aceitação deste álbum pelo público feminino, portanto recomendo este álbum para novas adeptas que desejam entrar no maravilhoso mundo do metal, mas que possuem ouvidos delicados demais para apreciar pancadaria excessiva.
Shadow Gallery
Carved in Stone, 1995
Prog Metal (EUA)
Lista de músicas:
Cliffhanger (8:41)
Interlude1 (0:40)
Crystalline Dream (5:44)
Interlude 2 (0:43)
Don't Ever Cry Just Remember (6:29)
Interlude 3 (1:03)
Warcry (5:59)
Celtic Princess (2:05)
Deeper Than Life (4:32)
Interlude 4 (0:18)
Alaska (5:18)
Interlude 5 (0:18)
Ghostship (21:47)
TG94 (faixa escondida) (7:24)
Tempo total: 71:01
Músicos:
Brendt Allman / guitarra, vocal
Mike Baker / vocal principal
Carl Cadden-James / contra baixo, contra baixo sem trastes, vocal, flauta
Chris Ingles / piano, teclado
Kevin Sofera / bateria
Gary Wehrkamp / piano, guitarra, sintetizador, vocal
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