Running Wild: Novamente navegando em águas familiares

Resenha - Resilient - Running Wild

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Por Rodrigo de Marqui
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Nota: 9

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Muita expectativa foi gerada quando, surpreendentemente, Rolf Kasparek anunciou um novo álbum menos de 1 ano depois do lançamento do controverso Shadowmaker, o inesperado retorno depois da “despedida” em 2009, que resultou no álbum e DVD ao vivo “The Final Jolly Roger”, lançado em 2011. Muitos questionamentos foram feitos quando Rolf anunciou o lançamento de “Resilient,” seja sobre a polêmica da continuidade da bateria programada, seja sobre as motivações reais do líder da banda que poderiam afetar o resultado final do novo registro. A cada lançamento, mais e mais fãs pareciam não ter mais esperanças de ver um álbum realmente digno do legado construído na segunda metade dos anos 80 e primeira metade dos anos 90.
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Felizmente, “Resilient” navega de cabeça erguida nos mesmos mares nos quais navegaram os clássicos álbuns do passado. Mais experiente, mais focado, mais contido, com menos a provar ao mundo, Rock N´ Rolf nos mostra composições sólidas, alguns hinos instantâneos e um sentimento de que realmente estamos presenciando o renascimento de uma lenda que tinha desaparecido desde 1998, quando o último álbum considerado clássico foi lançado. O álbum abre convincente e emocionante com “Soldiers Of Fortune”, trazendo um turbilhão de sensações, com cavalgadas, refrões e solos que poderiam ter sido concebidos para qualquer um dos grandes álbuns da banda. Um início forte e vencedor, causando uma sensação positiva que, felizmente, permeia todo o álbum. A faixa-título coloca o pé no freio e nos mostra um Rolf visitando o início da carreira, com um riff principal que se encaixaria perfeitamente em "Gates To Purgatory". Uma boa faixa, mas não a melhor. “Adventure Highway” é um dos pontos altos do álbum, irresistível, com ataques precisos de riffs e uma bateria programada nos seus melhores momentos, desde que Rolf decidiu abandonar a ideia de contratar um baterista real. A música definitivamente traz de volta ao álbum o sentimento promissor causado pela faixa de abertura. A dinâmica da música lembra bastante o clássico de uma outra lenda do Heavy Metal, o Judas Priest, com “Hell Bent For Leather”! Um dos maiores destaques do álbum, facilmente.

É necessário um parágrafo à parte para tratar da música seguinte. Aqui temos o tipo de coisa que todo fã do RUNNING WILD esperava, com a fantástica “The Drift”, reminiscente dos tempos gloriosos de “Black Hand Inn”, ficando nada a dever aos maiores clássicos do RUNNING WILD. Aqui tudo beira a perfeição: riffs emblemáticos, ganchos pungentes, solo melódico e um final intenso fazem desta música um hino instantâneo que encabeçará a (longa) lista de hinos da banda e provocará arrepios nos fãs mais pessimistas com a capacidade de Rolf em criar outros momentos mágicos, os quais pareciam perdidos há muito tempo. A próxima música, “Desert Rose” é a composição mais incomum feita por Kasparek; incomum não necessariamente significa algo negativo. Uma balada (!!!) cheia de beleza e representada por um dos grandes solos do álbum. A música tem alguma influência de W.A.S.P e Thin Lizzy. Definitivamente uma música bem sucedida que encerra a primeira metade do álbum numa classificação acima da média. Eis uma prova do amadurecimento de Kasparek, enriquecendo a musicalidade da banda, mesmo tendo em vista que “Desert Rose” teoricamente é a faixa mais comercial da carreira da banda, não pensem em algo pop ou banal. Aqui estamos tratando de uma joia muito bem lapidada que apenas demonstra o quanto Rolf é um compositor de mão cheia.

“Fireheart” abre a segunda metade do álbum remetendo aos tempos de “Masquerade”, o que significa força e intensidade. Aqui Rolf Kasparek tem um de seus melhores desempenhos vocais de todo o álbum, vociferando a filosofia “selvagem” característica da banda, como que resumindo o tom do álbum: agressivo e cru, melódico e ao mesmo tempo direto. Somos presenteados com uma parede de riffs da mais alta classe, remetendo-nos ao clássico “Fistifull Of Dynamite” . A faixa seguinte, “Run Riot” mostra pela primeira vez na história do RUNNING WILD, um Kasparek cantando de maneira, digamos, “suave”, imediatamente após um grande solo. A música mantém a alta qualidade do álbum, apesar de não figurar entre os maiores destaques, a música não deixa a peteca cair e é muito convincente e original. “Down To The Wire” aparece, então, como a faixa mais fraca, o que não significa necessariamente uma coisa ruim. O problema é que a música, além de arrastada, não possui quase nada de notável, exceto pelo ótimo solo. É uma música que lembra muito “Black Shadow”, do penúltimo álbum, “Shadowmaker”. A atmosfera é muito parecida. Ela poderia muito bem ter sido substituída por “Payola & Shenanigans”, uma das duas faixas bônus do álbum.

Caminhando para a reta final, temos mais um dos potenciais futuros clássicos da banda: “Crystal Gold”. Esta música era o que os fãs procuravam, algo que fosse parecido, por exemplo, com “Bad To The Bone” ou “Freewind Rider”. E tanto melhor se fosse a junção destes dois mundos. Na verdade, a música poderia figurar tanto no álbum “Death Or Glory” quanto em “Black Hand Inn” sem maiores problemas. Aqui tudo representa os melhores momentos da carreira do RUNNING WILD, desde os riffs agressivos, passando por um fantástico e memorável refrão, culminando em um dos melhores solos do álbum, provavelmente rivalizando ou até superando o solo de sua “irmã” de 1989. Agora, o que os fãs esperavam de “Bloody Island”, o encerramento do álbum? Semanas antes do lançamento, um pequeno trecho desta música tinha sido liberado e gerado as mais altas expectativas para o álbum. De certa forma, “Bloody Island” representa tudo o que “Resilient” é e já está lá em cima com os maiores épicos já feitos por Rolf Kasparek. Um hino inabalável que sintetiza o que é o RUNNING WILD, causando-nos um sentimento de alívio e “quero mais”. Basta dizer que este épico tem tudo o que fãs esperam, começando com uma introdução temática característica, o farfalhar das ondas, o coro pirata, convidando a todos os fãs a navegarem de volta à bonança! A música é uma tempestade emocionante de solos, riffs e refrões atemporais, coisas grandes que não eram ouvidas desde “Genesis”, de 1994.

As faixas bônus são “Payola & Shenaningans” e “Premonition”. Ambas de forma alguma com cara de bônus, principalmente “Payola & Shenanigans, que se figurasse no lugar de “Down To The Wire” resultaria numa qualificação mais alta para o álbum. O problema com certas decisões de Kasparek a respeito das faixas bônus permanece um mistério. Parece que em muitos casos o líder da banda tem um surto de criatividade e inspiração tão grande que até mesmo as faixas bônus são tidas em alta conta pelos fãs, como este que vos fala!

"Resilient", na pior das hipóteses, é RUNNING WILD tocando RUNNING WILD. A despeito da ausência de composições velozes, Rock N´Rolf parece ter encontrado novamente a alegria para tocar o tipo de música que os fãs esperam.

RUNNING WILD – Resilient (2013) (SPV GmbH)

Formação:

Rolf Kasparek – Voz, guitarra, baixo
Peter Jordan – Guitarra

Track list

1 – Soldiers Of Fortune
2 – Resilient
3 – Adventure Highway
4 – The Drift
5 – Desert Rose
6 – Fireheart
7 – Run Riot
8 – Down To The Wire
9 – Crystal Gold
10 – Bloody Island

Bônus Track

11 – Payola & Shenaningans
12 - Premonition

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