Carcass: a proposta da banda é simples, metal sem frescuras

Resenha - Surgical Steel - Carcass

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Por Guilherme Niehues
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


17 anos após seu último álbum de estúdio, a banda CARCASS retorna com um novo álbum e também com uma nova formação. Hoje a banda conta com Jeff Walker no baixo e vocais, Bill Steer na guitarra e vocais e Daniel Wilding na bateria. E a banda que participou do movimento para popularizar o Grindcore e também o Death Metal melódico, agora colhe os frutos de um som mais consistente e direto, sem muitas firulas.
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Originalmente escrito para Horns Up:
http://www.hornsup.com.br

A proposta da banda nesse álbum é bastante simples: executar um metal sem frescuras.

E quando a introdução "1985" ecoa nos altos falantes, aquele frio na barriga toma conta e aguardamos o que está por vir, e se os 17 anos de espera valeram a pena. Aliás, uma bela introdução com riffs de guitarras que antecedem a excelente Thrasher's Abattoir, que demonstra o que estará por vir nos quase 50 minutos deste álbum. Apesar de ser a música mais curta do álbum (tirando a introdução), ela é violenta do inicio ao fim, e mostra que a nova formação está em grande sintonia, porém aqui os destaques ficam pelas ótimas vozes e pelos solos de guitarra que aparecem aqui e ali.

Em seguida, a violência continua com "Cadaver Pouch Conveyor System", e então, meus caros amigos apenas nos primeiros acordes dessa música, você percebe que o CARCASS ainda não perdeu o jeito de fazer um som brutal, mas cativante. E essa música define bem o que é a banda hoje, uma nova banda com uma roupagem mais direta e brutal que ainda flerta com o melódico em alguns momentos, especialmente nos ótimos solos executados. Aliás, ainda temos a participação de Ken Owen executando vocais nesta faixa.

A dobradinha "A Congealed Clot Of Blood" e "The Master Butcher's Apron" retratam um pouco mais o flerte com o melódico em algumas passagens durante ambas as músicas, porém sem deixar o ouvinte esfriar, e o que era bom, ficou ainda melhor. A banda conseguiu amadurecer a pegada e encaixou muito bem a transação da parte melódica com a brutal, formando na música uma proposta mais densa e não caindo na mesmisse de sempre.

"Noncompliance to ASTM F 899-12 Standard" é a segunda música mais longa do álbum, e começa com ótimos riffs de introdução para entrar na pauleira já conhecida, e que aqui podemos apreciar um mais o baterista que está com a banda desde 2012. Os famosos blast beats voltam, bem como a utilização de pedal duplo é mais presente. Daniel Wilding é um baterista que não para, sempre aproveitando a mudança da pegada, formando um verdadeiro arsenal aliado aos poderosos vocais e baixo de Jeff. E, caso o ouvinte não preste atenção, achara que por volta dos 4 minutos já esta ouvindo outra música do álbum.

Logo nos deparamos com a "The Granulating Dark Satanic Mills" que precede as últimas pauleiras que encontraremos neste álbum, e é uma música mais cadenciada ao melodismo tanto nos instrumental, quanto na parte vocal. De todo modo, a música ainda assim possui ótimos riffs e um solo de deixar qualquer satisfeito.

E mais para o fim do álbum temos a "Unfit For Human Consumption" e a "316 L Grade Surgical Steel" que repete em partes toda a fórmula imposta neste álbum, transformando-as em grandes peças de artes, não por apresentar uma nova ideia da banda, mas também por remeter em alguns momentos ao velho CARCASS. E é preciso comentar que, mesmo após 17 anos, Bill não perdeu o jeito e ainda sabe criar riffs memoráveis que você não vai esquecer tão cedo (aliás, a última vez que ouvi o álbum fora a 4 horas atrás, e eu estou com o riff de introdução da Unfit For Human Consumption na cabeça). Ah, antes que me esqueça, na música Unfit temos novamente Ken Owen ex-baterista do Carcass nos vocais novamente.

A penúltima música do disco é a "Captive Bolt Pistol", figurinha carimbada, afinal é o primeiro single liberado pela banda. Acredito que esta dispensa apresentações, pois foi a música que aumentou as expectativas de todo mundo em relação ao álbum e o que ele prometia.

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E por fim, chegamos a música que virou "xodó" de quem vos escreve, a mais longa do álbum: "Mount Of Execution". A música começa com uma introdução acústica e passa a apresentar uma linha de riffs semelhantes a introdução do álbum, para então... entrar na porradaria, é claro. Aqui a banda pega toda a fórmula que apresentou nesse álbum, acrescenta uma pitada do velho CARCASS e acrescenta uma dose a mais de melodismo e brutalismo, e "eureka". Por ser a música mais longa do álbum, apresenta uma maior quantidade de solos e riffs cadenciada entre o acústico, melódico e o violento. Algo que é costumeiro se ouvir da banda, e que não irá deixar a desejar em nenhum momento.

(In)felizmente não sou muito fã de resenhas, mas este é um disco que mereceu a minha tentativa de expor alguma coisa, e fica claro que até então, SURGICAL STEEL entraria fácil em qualquer TOP 10 de lançamentos deste ano. O álbum, é claro sairá somente no dia 13 de setembro, e ainda vai aumentar em muito a expectativa de quem ainda não pode colocar as mãos nessa belezinha.

Um álbum que deve ser degustado lentamente, e de preferência em vários momentos do seu dia sem quaisquer êxito e se possível, em um volume bem alto!

CARCASS:
Jeff Walker - baixo, vocal
Bill Steer - guitarra, vocal
Daniel Wilding - bateria

SURGICAL STEEL, 13 de setembro de 2013, via Nuclear Blast:
1. 1985
2. Thrasher's Abbatoir
3. Cadaver Pouch Conveyor System
4. A Congealed Clot of Blood
5. The Master Butcher's Apron
6. Noncompliance to ASTM F 899-12 Standard
7. The Granulating Dark Satanic Mills
8. Unfit for Human Consumption
9. 316 L Grade Surgical Steel
10. Captive Bolt Pistol
11. Mount of Execution

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