Carcass: Último álbum explodiu cabeças e membros
Resenha - Surgical Steel - Carcass
Por Daniel Both
Postado em 22 de fevereiro de 2014
Nota: 9 ![]()
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Após uma longa espera, CARCASS não decepcionou. Surgical Steel é tudo que se pode querer de um álbum de Death Metal: do tema à execução, uma obra prima do som pesado. Mescla o som clássico da banda que deu origem ao seu séquito de fãs e agrega o melhor dos seus trabalhos mais modernos. Não é por menos que foi considerado um dos melhores lançamentos de 2013.
Os ingleses da CARCASS são uma banda histórica. Formada em meados dos anos '80, deu luz ao seu debut Reek of Putrefation em 1988 (Earache Records), dentro da formula mais simples do Death/Grindcore: músicas curtas, vocais monstruosos, som pesado e temática brutal. O nome das faixas já é um choque — Genital Grinder, Carbonized Eye Socket, Malignant Defecation e por aí afora —, e o som foi mais impactante ainda, colocando os caras no panteão da música desumana como um exemplo de gênero extremo, ladeados por figuras como NAPALM DEATH e CANNIBAL CORPSE.
Entre sua estréia e o ano de 1996, os caras lançaram outros quatro álbuns de estúdio, todos de grande qualidade. Solidificaram uma base de fãs fervorosos. Mas analisando com cuidado, vemos algo curioso: o som deles sofreu mudanças drásticas com o tempo. Symphonies of Sickness (1989, Earache Records) e Necroticism - Descanting the Insalubrious (1991, Earache Records) dão continuidade ao seu estilo, mas mudam a distribuição de tempo e desenvolvimento musical das faixas. Há mais espaço para proezas instrumentais, e os grunhidos disformes da linha de vocal dão espaço a palavras quase inteligíveis, sem trair o estilo ao qual a banda apadrinhava.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
A grande virada veio, sem dúvida, com Heartwork (1993, Earache Records). A mudança de estilo foi considerável: músicas agora eram peças completas, desenvolvidas e muito afastadas de seus primeiros trabalhos. Instrumentalmente, o grupo estava em seu ápice — Michael Amott (em sua última participação oficial com a banda; Arch Enemy, Spiritual Beggars) e Bill Steer destroem com suas linhas de guitarra, e os vocais de Jeff Walker entram em sua melhor etapa. Três anos depois, Swansong (1996, Earache Records) deu continuidade ao estilo que foi chamado por alguns de Death'n'Roll. Mais fraco que Hartwork, ainda assim o CD angariou bons comentários.
E então, silêncio na sala de operações. A banda apareceu em shows, compilações foram lançadas, havia movimento, mas o hiato oficial continuava. E se manteve por 17 anos. Isso mesmo, foram DEZESSETE ANOS até o glorioso retorno do quarteto à corrente sanguínea da cena metal, e não poderia ter ocorrido de forma melhor.
A line up sofreu pouca modificação: Jeff Walker nos vocais e baixo, Bill Steer na guitarra, e a adição de Dan Wilding na bateria (Ben Ash assumiu as guitarras após a gravação do álbum). O estilo, no entanto, é Carcass do início ao fim.
A personalidade de Surgical Steel é a mesma iniciada em Heartwork - músicas bem trabalhadas, instrumental desenvolvido e vocal forte. O estilo Death'n'Roll adquirido em seus últimos trabalhos é o mais presente, mas há uma brutalidade bem distribuída no release inteiro. Uma volta gloriosa, com elementos fortes de seu início de carreira — um espírito nostálgico — mesclados a forma mais madura da banda não formam um monstro disforme, mas sim um transplante das melhores partes para um corpo só.
"1985", faixa instrumental, é a intro calma que não se espera de um disco da Carcass, mas apresenta a distorção das guitarras que destruirá os ouvidos em "Thrasher's Abbatoir" — um ataque cirúrgico, curto e preciso. "Cadaver Pouch Conveyor System" é a primeira faixa completa e mostra o cuidado extremo com a produção. "A Congealed Clot of Blood" é lenta e maligna, um monstro se erguendo assustadoramente; encontra continuidade em "The Master Butcher's Apron", de bateria forte e ritmo implacável.
"Noncompliance to ASTM F899-12 Standard" é uma escolha interessante de nome — o Padrão ASTM F899-12 é uma norma (no estilo ABNT) para instrumentos de aço forjado utilizados em procedimentos cirúrgicos, relação óbvia com o nome do álbum. Relação também presente na convoluta faixa "316L Grade Surgical Steel": 316L é um dos padrões de manufatura de aço cirúrgico (especificamente, de acordo com o padrão ASTM F128). Além disso tudo, "Unfit for Human Consumption" recebeu uma clipe extremamente maneiro, que demonstra bem o tema:
"Captive Bolt Pistol" foi a primeira música a ter teaser, lyric video e lançamento oficial em antecipação ao disco. Considerada carro chefe da campanha publicitária de retorno da banda, é energética e uma grande síntese do trabalho dos caras. Em seguida, "Mount of Execution" fecha o álbum de forma épica: início acústico, seguido de uma melodia harmoniosa (para os padrões de CARCASS) e ritmo crescente, que finaliza em solos fodas. São mais de oito minutos suturando esta operação grandiosa que foi Surgical Steel.
O balanço do álbum não é apenas positivo - é simplesmente tudo aquilo que os fãs de longa data poderiam esperar, e mais um pouco. A mescla do som clássico da banda em seu auge, aliado a uma produção cuidadosa e excelência musical, presenteiam até mesmo quem nunca ouviu a banda com um trabalho digno dos anais do metal extremo. Um dos melhores álbuns de 2013, e certamente será lembrado por longos anos. Que venham outros trabalhos, e que demorem menos no futuro - não é bom deixar os pacientes esperando!
Nota: 9 de 10 extremidades mutiladas.
Tracklist:
01. 1985 - 01:15
02. Thrasher's Abattoir - 01:50
03. Cadaver Pouch Conveyor System - 04:02
04. A Congealed Clot of Blood - 04:14
05. The Master Butcher's Apron - 04:01
06. Noncompliance to ASTM F899-12 Standard - 06:07
07. The Granulating Dark Satanic Mills - 04:10
08. Unfit for Human Consumption - 04:25
09. 316L Grade Surgical Steel - 05:20
10. Captive Bolt Pistol - 03:17
11. Mount of Execution - 08:25
Bônus tracks:
12. Intensive Battery Broodin - 4:43
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