Rotting Christ: o novo capítulo da reinvenção da banda
Resenha - Kata Ton Daimona Eaytoy - Rotting Christ
Por Ricardo Seelig
Postado em 07 de março de 2013
Nota: 8 ![]()
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Décimo-primeiro álbum da banda grega Rotting Christ, "Κατά τον Δαίμονον Εαυτού" ("Kata Ton Daimona Eaytoy") foi lançado no último dia 1º de março pela gravadora francesa Season of Mist, um dos principais selos dedicados ao metal extremo em todo o mundo. O título é uma releitura da célebre frase "do what thou wilt", do controverso ocultista inglês Aleister Crowley, imortalizada no Brasil como "faço o que tu queres" pela dupla Raul Seixas e Paulo Coelho.
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O trabalho é o sucessor do ótimo "Theogonia" (2007) e do fantástico "Aealo" (2010), álbuns que marcaram o nascimento de uma nova sonoridade para o Rotting Christ, rica em melodias e elementos étnicos que realçam a milenar cultura de seu país de origem. "Κατά τον Δαίμονον Εαυτού" é a continuação, o novo capítulo dessa reinvenção.
Produzido pelo vocalista, guitarrista e líder Sakis Tolis ao lado de Jens Bogren (Kreator, Leprous, Paradise Lost), o disco traz dez faixas originais, mais "Welcome to Hell" como bônus. Em uma comparação direta com "Aealo", "Κατά τον Δαίμονον Εαυτού" soa mais sombrio e menos "alegre", além de nitidamente mais pesado. Como já havia acontecido no álbum anterior, a inserção de elementos étnicos tornou a música do Rotting Christ mais assustadora, com um clima sobrenatural onipresente. Soma-se isso ao constante uso de coros em quase todas as composições, e a sensação que temos ao ouvir o disco é o de estar presenciando, ao vivo e bem diante de nossos olhos, a uma cerimônia de magia negra ou algo do gênero.
José Ricardo Peret | Gustavo Anunciação Lenza | Roberto Luis Pertsew | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Luis Alberto Braga Rodrigues | Reginaldo Manuel Soares de Faria | Paulo Eduardo Farias | Thomas Wisiak | Rogerio Antonio dos Anjos | Miguel Angelo Leal | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
O efeito dramático dessa união de elementos é avassalador, construindo um experiência que poucos álbuns conseguem entregar. Há velocidade, há peso, há agressividade, há violência sonora, mas tudo converge para o mesmo ponto, em composições extremamente visuais e cinematográficas, que trazem à tona o que está escondido ao nosso redor.
Ótimas melodias navegam sobre uma base com fartos blast beats e ritmos variados, e o resultado é uma das sonoridades mais originais surgidas no metal nos últimos anos. Um dos principais destaques é o exemplar trabalho de guitarras, a cargo de Sakis e George Emmanuel, elaborando intrincados e inspirados trechos. Completam o quarteto o baixista Vaggelis Karzis e o irmão de Sakis, Themis Tolis, na bateria. O rico instrumental apresentado não só em "Κατά τον Δαίμονον Εαυτού", mas também nos últimos trabalhos do Rotting Christ, faz parecer piada os tempos em que a banda era ridicularizada por não dominar os seus instrumentos. Hoje, o que se ouve é de um requinte e de um bom gosto raros dentro do universo do heavy metal.
Faixas excelentes se sucedem, reafirmando o quanto o Rotting Christ é uma banda rara, que, apesar de estar na estrada desde 1987, vive o seu auge criativo e artístico no topo de duas décadas de história. Músicas como "In Yumen-Xibalta", "P’unchaw Kachun-Tuta Kachun", "Grandis Spiritus Diavolos" e a sensacional faixa-título mostram como o grupo está voando alto. Repetindo um expediente já apresentado em "Aealo", o uso de um vocal feminino em "Cine Iubeste Si Lasa" realça ainda mais a dramaticidade dos fatos, colocando a qualidade do trabalho nas alturas. A assustadora "Rusalka" é outro destaque, alternando vocais guturais com arrepiantes vozes sussurradas.
Dona de uma originalidade inegável, como já dito, a sonoridade atual do Rotting Christ porém parece, às vezes, presa dentro de seus próprios limites. Isso é perceptível em faixas como "Iwa Voodoo" e "Gilgames", que apenas repetem ideias apresentadas com muito mais brilhantismo pela própria banda em seus últimos discos. A sensação se repete, porém em doses menores, no par que fecha o álbum, "Ahura Mazda-Azra Mainiuu" e "666".
"Κατά τον Δαίμονον Εαυτού" é um dos melhores discos da carreira do Rotting Christ e reafirma o ótimo momento vivido pela banda nos últimos anos. Dono de uma musicalidade embasbacante, apesar de soar repetitivo em alguns momentos, atesta o status dos gregos como, senão a principal, uma das mais relevantes bandas do metal extremo atual.
Um ligeiro ajuste no time, que vem ganhando de goleada nos últimos anos, garantirá a continuação dessa jornada de golpes certeiros por um longo período.
Faixas:
1 In Yumen-Xibalta
2 P’unchaw Kachun-Tuta Kachun
3 Grandis Spiritus Diavolos
4 Kata Ton Daimona Eaytoy
5 Cine Iubeste Si Lasa
6 Iwa Voodoo
7 Gilgames
8 Rusalka
9 Ahura Mazda-Azra Mainiuu
10 666
11 Welcome to Hell
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