Rotting Christ: beleza mórbida que cativa na primeira audição
Resenha - Kata Ton Daimona Eaytoy - Rotting Christ
Por Junior Frascá
Postado em 18 de março de 2013
Nota: 9 ![]()
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Todos que acompanham a fase mais recente do ROTTING CHRIST sabem que a banda, há muito tempo, deixou de praticar simplesmente Black Metal, criando uma sonoridade muito mais ampla e diversificada, que até então não se enquadra em nenhum dos rótulos criados pela mídia. Mas, independente disso, é fato que, a cada lançamento, a banda consegue surpreender o ouvinte, desafiando limites e sempre extrapolando no quesito qualidade.
Se desde o começo de sua carreira a banda já se mostrava inquieta quanto a novos experimentos, embora optasse por algo mais voltado às raízes da música negra, desde o disco "Theogonia" a banda resolveu escancarar essa tendência, que chegou ao auge com o magistral "Aealo", uma das obras mais instigantes dos últimos tempos no metal extremo. Mas, mesmo assim, a banda não deixou de evoluir ainda mais.
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E nesse novo disco a coisa não é diferente, pois temos aqui uma verdadeira aula de musicalidade. A dupla Sakis e Themis Tolis realmente estava inspirada, criando faixas altamente complexas, mas ao mesmo tempo de fácil assimilação, com uma riqueza de arranjos impressionantes, e estruturas rítmicas que fazem até mesmo os mais leigos tirarem o chapéu. Além disso, as melodias criadas são fantásticas, seja nos momentos mais épicos e grandiosos, seja nos mais voltados ao metal, em que as guitarras de Sakis se destacam, com solos marcantes e riffs variados e cativantes.
Há também que se mencionar o excelente trabalho de vozes em todo o material, principalmente nos excelentes coros, que criam uma aura macabra e melancólica que chega a assustar.
Gustavo Anunciação Lenza | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Luis Alberto Braga Rodrigues | Reginaldo Manuel Soares de Faria | Paulo Eduardo Farias | Thomas Wisiak | Rogerio Antonio dos Anjos | Miguel Angelo Leal | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
Todas as 10 faixas criadas (11 na versão especial do disco) possuem uma beleza mórbida que cativa o ouvinte logo na primeira audição, trazendo enraizados diversos elementos da música grega, com um tom introspectivo que chama a atenção. Mas cumpre salientar que a banda não deixou de lado o peso, pois o disco é um dos mais agressivos e brutais de sua carreira, embora, como dito, fuja dos padrões do Black Metal tradicional.
Logo na abertura do material, com "In Yumen – Xibalba", os gregos já demonstram que se trata de um material diferenciado e que foge do lugar comum, levando o ouvinte por uma viagem sombria e devastadora. Na sequência," P'unchaw Kachun - Tuta Kachun" e "Grandis Spiritus Diavolos" mantém o clima épico e brutal do material, com uma aura de ritual sombrio e macabro, embora repletas de melodias acessíveis.
E o disco segue nessa sequência destruidora até o final, destacando-se ainda as faixas , "Cine Iubeste Si Lasa" (com os melhores riffs de guitarra do disco), "Gilgameš" e "Ahura Mazda-Azra Mainiuu", que fazem desse disco uma das obras mais marcantes do metal contemporâneo.
Uma curiosidade acerca do nome do álbum, que apesar de estranho, significa "Kata Ton Daimona Eaytoy", uma releitura da frase "do what thou wilt" ("faço o que tu queres"), do mestre do ocultismo, Aleister Crowley, e retrata com maestria a proposta lírica da banda.
Destaque também para a excelente produção do material, que ficou a cargo de Sakis e Jens Bogren, com uma excelência que contribuiu muito para o maravilhoso resultado final da sonoridade de "Κατά τον Δαίμονον Εαυτού".
Vale citar ainda que o disco possui uma belíssima versão deluxe, que além do disco em digipack, com uma faixa bônus, ainda traz uma medalha de prata e um banner da banda, tudo isso embalado em um lindo box.
Assim, fica claro que o ROTTING CHRIST está em sua fase mais criativa, diversificando sua sonoridade como poucas bandas conseguem, o que fatalmente afastará diversos de seus antigos fãs (em especial os apreciadores do Black metal mais tradicional), mas que por outro lado lhe angariará ainda mais admiradores. Ainda é cedo para afirmar com certeza, mas temos aqui um forte candidato a melhor disco de 2013, indicado não apenas para os fãs de black metal, mas para todos os amantes da música extrema de qualidade. Brilhante!
Κατά τον Δαίμονον Εαυτού – Rotting Christ
(2013 – Season of Mist – Importado)
Formação:
Sakis Tolis - Guitarras, baixo, vocais, teclados, letras
Themis Tolis - Bateria
George Emmanuel - Guitarra solo (músico de estúdio)
Tracklist:
01. In Yumen - Xibalba
02. P'unchaw Kachun - Tuta Kachun
03. Grandis Spiritus Diavolos
04. Κατά τον δαίμονα του εαυτού (Kata Ton Daimona Eaytoy)
05. Cine Iubeste Si Lasa
06. Iwa Voodoo
07. Gilgameš
08. Русалка
09. Ahura Mazda-Azra Mainiuu
10. Χ ξ ς (666)
11. Welcome To Hell (Bonus Track)
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