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Dorsal Atlântica: um dos maiores expoentes do Metal brasileiro

Resenha - Dorsal Atlântica - Dorsal Atlântica

Por Leonardo M. Brauna
Postado em 28 de dezembro de 2012

Nota: 7

Como muitos 'Headbangers' da minha época, eu sempre tive a DORSAL ATLÂNTICA como um dos maiores expoentes do Metal Brasileiro. O sempre polêmico CARLOS "VÂNDALO" LOPES, nos anos de 1990 conquistou a simpatia dos mais ecléticos e a "insatisfação" dos mais radicais com suas declarações "bombásticas" em relação à cena metálica e o surgimento de seus novos projetos, MUSTANG e USINA LE BLOND, porém o 'Rock 'n' Roll' da primeira e o 'Funk' da segunda só mostram a ilimitação criativa desse grande ser humano que, ainda divide as suas tarefas com atividades literárias. No ano de 2012 ele resolveu "chutar o balde" e chamou os integrantes clássicos, CLÁUDIO "CRO-MAGNON" LOPES e RABICÓ "HARDCORE" para uma volta triunfal da "velha" DORSAL e ainda contou com a participação fundamental dos fãs da banda para a realização desse "sonho".

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O álbum é auto intitulado e eu o recebi das mãos do 'Headbanger' de São Paulo e Brother de infância, Daniel "Mamute" Avelino que participou contribuindo pra a campanha de lançamento que superou em 30% do esperado. O formato é 'Digipack' e conta com uma bela ilustração lembrando até as cores do clássico "Dividir e Conquistar" (1988). Doze faixas compõem esse 'Play' entre as quais, duas são bônus e o kit completo do lançamento só recebeu aquelas pessoas que tiveram envolvimento direto com a ação coletiva, inclusive com os seus nomes grafados no folheto.

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A produção é algo que se pode esperar da maioria das obras independentes, sem recursos "mascarados" da tecnologia a música ficou bastante crua, onde percebemos um resgate do padrão oitentista de se fazer 'Thrash Metal', aliás, com o "revival" contínuo de bandas desse estilo desde a chegada do novo milênio esse tipo de produção tem sido essencial para as novas canções. Mas claro, a evolução é inevitável e musicalmente os três senhores estão bem mais afiados em seus instrumentos. A primeira faixa, "Meu Filho Me Vingará", por exemplo, tem um solo de guitarra brilhante, palhetadas típicas de um "bonded by blood" e o tema escolhido foi a tragédia do triângulo amoroso que envolveu o Jornalista Euclides da Cunha.

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As influências do 'Hardcore' já começam com a segunda faixa, "Stalingrado", um pequeno hino de guerra antecede o riff "nervoso" que serve de base para uma letra onde aponta a frustrada invasão alemã ao território russo.

O "Thrashão" volta em cena com a "Invasão do Brasil", CARLOS LOPES aqui faz uma crítica à imigração estrangeira que vê o território brasileiro como uma terra de oportunidades para os seus interesses. O solo da música merece destaque e as partes cadenciadas também elevam o gosto do ouvinte.

"Eu Minto, Todo Mundo Mente" não é das mais criativas, sinceramente essa faixa me lembra até algo dos TITÃS na época do álbum "Titanomaquia" (1993), as bases são bem expressivas e a pegada 'Crossover' lhe caiu muito bem.

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A "pancada" 'Hardcore' volta em "Colonizado Entreguista", que é um relato da relação país pobre/país rico. A letra fala dos diferentes tipos de exploração econômica num pequeno resumo do crescimento de alguns e estagnação de outros. Essa parte lírica segue bem o tema instrumental.

A sexta faixa, "Corrupto Corruptor" é bem empolgante e uma das mais elaboradas por seus riffs e solo que agem em perfeita nuance. O efeito nostálgico que ela causa pode lembrar a "pegada" do clássico "Lucrécia Borgia" em alguns momentos, no entanto, a letra não traz nada relativo à família romana.

Sétima faixa, um movimento instrumental que não chega aos quarenta segundos, o momento é puxado nas cordas do violão e foi batizado de "168 BPM". O que vem depois é "Contenda", que mais parece um desabafo ou um alerta para as difíceis aprovações que causam temor aos sonhadores.

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A minha preferida é "Comissão da Verdade". Essa retrata os maus tratos físicos e psicológicos de quem foi vítima da tortura. CARLOS, na letra, entende que a procura aos nomes de culpados na época da ditadura não se faz mais necessário, mas sim a resolução dos problemas sociais vividos pela população que necessita de atenção. O melhor momento da canção está representado num trecho de discurso da presidente Dilma Rousseff, onde ela fala que mentir sob a tortura salva a vida de seus "iguais".

"Operação Brother Sam" é o nome da décima faixa que retrata a situação tensa que o Brasil vivia durante o golpe de 1964 onde resultou no exílio do ex-presidente João Goulart. Essa canção é uma das mais fieis aos anos oitenta que apresenta riffs com palhetadas "secas", seguras e um ótimo "feeling", talvez o que não caiu bem foi uma pequena citação da ciranda "Marcha Soldado" que a meu ver não teve bom enquadramento na música, apesar da letra se referir a um ataque militar.

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A penúltima, "Jango Goulart", conta a história que complementa o tema anterior, mais uma vez o poder musical exprime muito peso e fidelidade ao verdadeiro metal e a interpretação do vocalista mostra uma narração perfeita de todo esse desencadeamento.

A última composição é a "Imortais", uma clara homenagem que a banda faz a seus fãs pelo apoio e espera desse grande acontecimento, a final essa era uma das reuniões mais esperadas pelo público brasileiro que só aconteceu devido a participação direta dos mais ávidos.

Num contexto geral, esse trabalho surpreende pela inovação musical da banda, mas para alguns as letras podem parecer maçantes devido ao grande número de fatos contidos nos temas e como eles são abordados nos dando uma impressão de estarmos ouvindo uma aula de história. Digo que fiquei mais empolgado na primeira audição onde foi se moderando mais a partir da segunda, situação que em nada compromete o meu respeito pelos "Mestres".

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O "crowd funding" do álbum foi um sucesso, no "Portal R7" ele já figura entre os sete melhores lançamentos de 2012, (http://entretenimento.r7.com/blogs/luiz-pimentel/2012/12/14/os-r7-melhores-discos-nacionais-de-2012/) agora resta-nos esperar por mais novidades e se a banda vai seguir a diante com apresentações completando a felicidade de cada fã que a segue. FORÇA DORSAL!

Lançamento: Independente/Coletivo.

Line Up:
CARLOS LOPES – vocal e guitarra;
CLÁUDIO LOPES – baixo;
HARDCORE – bateria.

Track List:
01 – Meu Filho Me Vingará 5: 12;
02 – Stalingrado 4: 41;
03 – A Invasão do Brasil 4: 33;
04 – Eu Minto, Todo Mundo Mente 1: 45;
05 – Colonizado Entreguista 4: 41;
06 – Corrupto Corruptor 3: 21;
07 – 168 BPM 0: 34;
08 – Contenda 4: 24;
09 – Comissão da Verdade 4: 52;
10 – Operação Brother Sam 5: 18;
11 – Jango Goulart 3: 51;
12 – Imortais 5: 25.

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Sobre Leonardo M. Brauna

Leonardo M. Brauna é cearense de Maracanaú e desde adolescente vive a cultura do Rock/Metal. Além do Whiplash, o redator escreve para a revista Roadie Crew e é assessor de imprensa da Roadie Metal. A sua dedicação se define na busca constante por boas novidades e tesouros ainda obscuros.
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