Iron Maiden: se fosse de outra banda, teria sido melhor

Resenha - Virtual XI - Iron Maiden

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Por Carlos Cesare
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Nota: 8

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Iniciar uma matéria sobre o IRON MAIDEN falando de sua importância e qualidades é chover no molhado. Já, falar de seus problemas e momentos conturbados é garantia de polêmica. Talvez por isso mesmo alguns episódios por muitas vezes sejam deixados de lado e, consequentemente, mal analisados. Quando se trata então (e isso não vale apenas para o Maiden) de algum trabalho mal aceito, a certeza é de que muitas coisas não fiquem claras. Praticamente todas as bandas têm aquele trabalho "ruim", detonados diante da má aceitação do público e da crítica especializada. Mas, será que sempre é justo esse tipo de condenação? Pegando um exemplo do próprio Maiden, temos o álbum de estreia de Blaze Bayley nos vocais da banda, The X Factor. Em seu lançamento, fez com que os fãs torcessem o nariz e recebeu inúmeros ataques da mídia especializada. Porém, quase 20 anos após o seu lançamento, é admirado por muitos fãs e ganha ares de "cult".
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É fazendo essa breve comparação que inicio a análise de Virtual XI, que sem dúvidas é o álbum mais criticado da banda. Não irei ficar escrevendo sobre os problemas que a banda passava na época pois seria apenas remoer o que está disponível em diversos sites. Agora, se buscarmos críticas sobre o álbum de fato, veremos que muitas focam mais nos problemas internos que o grupo passava para justificar a análise, o que, a meu ver, acaba prejudicando a própria musicalidade desse trabalho. Aliás, se hoje fizermos uma comparação da "Era Bayley" com o Maiden pós-Brave New World, podemos perceber que a sonoridade da banda se manteve numa mesma linha, com cada vez mais composições longas e elementos progressivos.

Pois bem, ao contrário do antecessor, Virtual XI começa com uma faixa bem rápida, Futureal. A performance de Bayley é excelente e faz lembrar um pouco Man on the Edge. Murray e Gers mandam ótimos riffs e devido aos seus 2:55 dá vontade de dar "repeat" nesta canção. Porém, fica evidente um dos problemas de Virtual XI: essa excelente faixa destoará de todo o restante do álbum. Não se tratando de qualidade, mas sim da própria estrutura do trabalho. A segunda faixa, The Angel and The Gambler, remete ao clima mais soturno das canções do álbum antecessor. Com quase 10 minutos, a canção é um pouco quebrada e traz momentos mais introspectivos. O refrão é bom, mas repetido de forma extremamente exaustiva. A sensação que dá é de que as coisas poderiam funcionar se a faixa fosse menor, o que pode ser comprovado com a versão do single, com pouco mais de 3 minutos. Lightning Strikes Twice é mais direta. Inicia com um solo de guitarra e desbanca para as boas passagens velozes do Maiden. Uma canção que se assemelha bastante a momentos do Fear of the Dark. E sim, essa canção é mais um exemplar de que o som da banda e o vocal de Blaze poderiam fluir de forma bastante satisfatória.

O álbum segue com mais uma canção excelente, e que está ao lado dos clássicos da banda para muitos fãs, The Clansman. Outra faixa épica, com 9 minutos, seu maior mérito é a sua emocionante estrutura, com um breve começo introspectivo e uma sonoridade crescente, com o baixo galopante de Steve Harris provando porque ele é um dos baixistas mais admirados do heavy metal. Em seguida, temos When Two Worlds Collide, onde mais uma vez as linhas de baixo ficam bem presentes. Mais uma vez, temos o início lento e em seguida riffs guiados pelo evidente baixo. Há também uma boa presença dos teclados nessa faixa. Mas o que antes era apenas um pequeno detalhe se torna um dos principais problemas do álbum: a extensão das canções. When Two Worlds Collide é uma boa faixa com bom refrão, mas sua repetição incomoda, assim como em The Angel and The Gambler. The Educated Fool segue na mesma linha, mas sem a inspiração das duas anteriores. Realmente, uma faixa maçante.

Don't Look to the Eyes of a Stranger é a mais incomum do álbum. Inicia com coesas linhas de guitarra acompanhadas de orquestrações e segue com bons vocais de Bayley. E, mais uma vez, fica bastante notável como a sua longa duração prejudica o resultado final. Encerrando o álbum temos a semi-balada Como Estais Amigos, na qual os vocais de Bayley se encaixam muito bem à atmosfera da canção. Pena que devido aos erros das três faixas anteriores a empolgação até esse desfecho não seja das maiores.

Pois bem, depois de uma audição de Virtual XI fica claramente perceptível um erro principal: a duração do álbum. São pouco mais de 53 minutos, o que não é nada tão absurdo para o heavy metal. O problema é que este espaço é preenchido por apenas 8 canções. Assim como The Angel fica mais aceitável em sua versão single por ter seus exageros corrigidos pelos cortes na música, possivelmente três ou quatro canções daqui poderiam melhorar bastante desta forma. Mas dizer que este é um trabalho péssimo é uma injustiça. Obviamente era um "Iron Maiden diferente". Mas, por acaso há uma semelhança tão absurda assim entre os outros álbuns? Por acaso Somewhere in Time é um trabalho que se encaixa perfeitamente ao que a banda fez em The Number of The Beast e Powerslave? E o que dizer então de trabalhos como A Matter of Life and Death (que, na minha opinião, possuí mais exageros do que este álbum que analisei), cujas repetições são mais exaustivas?

De fato há elementos que pesam nessas comparações. Óbvio que Bayley não é um vocalista tão espetacular e com tanto talento quanto Bruce Dickinson, mas isso não o torna um mau cantor (muito longe disso, e sua carreira solo está aí para provar isto). Também é compreensível que o clima da banda e dos próprios indivíduos influenciou o processo de composição de um trabalho bem mais soturno e distante de épocas mais vívidas e radiantes. Mas definitivamente um trabalho que possuí tantos momentos interessantes e até mesmo canções que permaneceram sendo executadas pela banda após a saída de Bayley não pode ser considerado um "péssimo álbum". Porém, sabemos como o nome Iron Maiden pesa. E, apesar de saber o quanto isso é clichê, vale aquela comparação nesse caso: se este álbum tivesse sido lançado por uma outra banda, ele teria sido considerado melhor...

Formação:

Blaze Bayley – Vocais
Dave Murray – Guitarra
Janick Gers – Guitarra
Steve Harris – Baixo
Nicko McBrain – Bateria

Tracklist:

Futureal
The Angel and The Gambler
Lightning Strikes Twice
The Clansman
When Two Worlds Collide
The Educated Fool
Don't Look to the Eyes of a Stranger
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