Iron Maiden: Virtual XI não é nem oito, nem oitenta

Resenha - Virtual XI - Iron Maiden

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Por Mateus Ribeiro
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Nota: 7

Em 1998, o IRON MAIDEN lançou "Virtual XI", seu décimo primeiro álbum de estúdio, e o segundo (ou último, como preferir) a contar com Blaze Bayley nos vocais.

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Depois da repercussão não tão positiva de "The X Factor", a banda esperava que o novo trabalho fosse bem aceito pelos fãs, que por outro lado, esperavam um disco mais impactante. No final das contas, o elevador de "Virtual XI" não sobe aos céus, mas não desce até o inferno, apesar das fracas posições nas paradas mundo afora.

A principal razão para o disco não ser o amor da vida dos fãs da donzela você provavelmente conhece, mas vou dar uma colher de chá: começa com "vo" e termina com "cal". Qualquer fã de música pesada com mais de vinte e cinco anos sabe que Blaze nunca foi exatamente bem aceito como o substituto de Bruce Dickinson, e que seus trabalhos com a banda sempre iriam gerar dúvidas, comparações e polêmicas.

É totalmente compreensível que os fanáticos pela banda sentissem a falta da voz de Bruce nas composições, afinal de contas, não estamos falando de um principiante. Por outro lado, Blaze também não era um novato. Acontece que sua voz era (ainda é) BEM diferente do que a de Bruce. Isso é ruim? Depende da maneira que você resolve encarar "Virtual XI". Se for com a idéia fixa de que "SÓ BRUCE CANTA NO MAIDEN", a experiência vai ser terrível. Agora, se você for um pouco consciente e abrir sua cabeça um pouco, vai se divertir bastante.

Começando por duas músicas que são de fato muito boas,e são as primeiras que pintam na nossa cabeça quando falamos do disco: "Futureal" e "The Clansman". A primeira é uma espécie de "Be Quick Or Be Dead", rápida, direta e empolgante. A segunda, uma canção longa, épica, com o carimbo da banda.

O clima um pouco mais "dark" e pesado de "The X Factor" se faz presente na subestimada "When Two Worlds Collide", que se fosse gravada em algum disco com a voz de Bruce Dickinson, talvez fosse muito mais respeitada. "Don't Look to The Eyes Of a Stranger" também é muito agradável, e seu clima permite imaginar que ela caberia tranquilamente no lançamento posterior, o aclamado "Brave New World". O mesmo vale para "The Educated Fool", principalmente pelo seu solo (que por sinal, é típico do Iron Maiden, e serviria para a maioria das músicas da banda).

A fraquinha "The Angel And The Gambler" tem um clima um pouco mais "feliz", e seu início com clima de festa pode ser um pouco constrangedor, dependendo do ouvido. Por fim, "Lightning Strikes Twice" (uma das raras composições que contam com a participação de Dave Murray) é pesada, com grande refrão e um solo muito bem construído. O disco acaba muito bem, com a melancólica "Como Estais Amigos".

Chega a ser uma afirmação um tanto quanto batida, mas "Virtual XI" sofre daquele mal eternizado anos antes por "Load", do METALLICA, e dito por onze entre dez "entendidos" da coisa: "...se fosse de outra banda, seria legal". Troque o outra banda por "...o Bruce cantando". E de fato, talvez, se fosse o então ex vocalista cantando, tudo poderia ser melhor.Ou pior.

Não, não estamos diante de um disco que mereça ser comparado com "Powerslave", ou com "The Number Of The Beast". Mas, até aí, "Dance Of Death", por exemplo, também passa longe. Porém, nesse último, o frontman da banda tinha (ainda tem) muito crédito, coisa que Blaze não tinha.

Na dúvida, ouça o disco, e decida se entre a diversão e a corneta.


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Sobre Mateus Ribeiro

Fanático por Ramones, In Flames e Soilwork. Limeirense com muito orgulho (e sotaque).

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