Mahavishnu Orchestra: em 1971, uma obra prima do jazz-rock
Resenha - Inner Mounting Flame - Mahavishnu Orchestra
Por Thiago Pimentel
Postado em 04 de julho de 2012
Fruto da incessante musicalidade de John McLaughlin, 'The Inner Mounting Flame' marca um dos passos mais ousados do guitarrista britânico como compositor. Sim, McLaughlin assina todas as composições do álbum de estréia do Mahavishnu Orchestra - a primeira palavra (Mahavishnu) é uma versão mística/religiosa de seu nome, a propósito.
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Tendo realizado parceria com o lendário jazzista Miles Davis, a contribuição de McLaughlin para com o surgimento do jazz fusion, no final dos anos 60, foi vital. Entretanto, um dos maiores passos para a consolidação do gênero, viria alguns anos depois; no começo da década de 70, para ser específico.
O debut, aqui resenhado, fora gravado por músicos renomados como Rick Laird (baixo), Jerry Goodman (violinos elétrico e acústico), Jan Hammer (piano elétrico, sintetizadores) e o assustador Billy Cobham (bateria). Com essa formação, o Mahavishnu Orchestra entrelaçou experimentalismos tanto ao universo do jazz quanto do rock de uma forma, até então, jamais imaginada e que até em dias atuais, chama atenção.
O disco tem seu início de forma intensa com a fenomenal "Meeting of the Spirits". Desde a primeira composição, nota-se o investimento na sonoridade exótica em meio a longas sessões gerais de improviso que soam quase como 'som ambiente'. A segunda faixa ("Dawn") investe em nuances mais cadenciadas. Em oposição, a terceira música ("Noonward Race") é totalmente frenética mostrando toda a perícia da banda - e, principalmente, do monstro Billy Cobham - em tempos quebrados.
Seguimos com a "A Lotus on Irish Streams" que é uma das mais belas composições do disco. Melodicamente exótica e pouco usual, aqui McLaughlin se distancia das distorções e transita em belas sonoridades acústicas - aliás, no futuro ele mergulharia de vez nesse universo - que, em conjunto com o violino e teclado montam toda uma atmosfera rica e envolvente.
A próxima música ("Vital Transformation"), traz de volta o ritmo roqueiro frenético sob a ótica virtuosa jazzística. Bem, o quão estranho isso pode soar? Imagine na época. Novamente, destaca-se o entrosamento entre os músicos. Após essa 'humilde' sequência, você, possível ouvinte, poderá ser agraciado com "The Dance of Maya" que é uma das mais fantásticas - e bizarras, no bom sentido - composições desse registro. Nessa música o ritmo é lento, pouco usual e pesado; John McLaughlin investe, como em boa parte do disco, em sonoridades exóticas, porém dissonantes. Sem dúvidas, o destaque é o momento em que a a música transforma-se em um blues regado a wah wah.
The Inner Mounting Flame' tem seu encerramento com as 'curtas' - a maioria das faixas do disco ultrapassam cinco minutos - "You Know, You Know" e "Awakening". A primeira, com destaque de Rick Laird, é uma das mais introspectivas músicas do disco. Bastante climática, remete ao rock progressivo setentista, todavia há as esperadas doses de ousadia do grupo. Curiosamente, a música foi sampleada por bandas como 'Massive Attack'. Já a segunda, traz de volto o ritmo intenso e frenético do início do disco. Fica até difícil selecionar um destaque individual, mas Billy Cobham se supera realizando um solo impressionante no final da música.
No futuro, a formação que gravou esse registro lançaria ainda álbuns clássicos como "Birds of Fire" (1973) e o ao vivo "Between Nothingness and Eternity" (1973). McLaughlin reformulou a banda várias vezes ao longo dos anos, sempre mudando sua sonoridade. Em 1999 foi lançado um álbum intitulado "The Lost Trident Sessions" que resgata material 'perdido' dessa fase.
Enfim, um clássico. Acredito que qualquer pessoa que admire a ousadia e intensidade na música poderá gostar dessa obra. Pessoalmente, conheci o jazz fusion através do trabalho de McLaughlin - com o clássico 'Birds of Fire' (1973) - e passei a valorizar mais este álbum com o passar do tempo. É normal que esse tipo de música (instrumental e complexa) soe estranha ou até mesmo desinteressante na primeira audição, porém ao ter-se ideia do que está 'se passando' as composições ganham outro nível, outro sentido. Resumindo: o tipo de disco pra se ouvir atentanddo - e admirando - todos os detalhes que o compõe.
Músicas-chave:
"The Dance of Maya" ; "Meeting of the Spirits" ; "Noonward Race"
Formação:
John McLaughlin - guitarra
Rick Laird - baixo
Billy Cobham - bateria, percussão
Jan Hammer - teclado, órgão
Jerry Goodman - violino
Tracklist:
01. "Meeting of the Spirits" – 6:52
02. "Dawn" – 5:18
03. "Noonward Race" – 6:28
04. "A Lotus on Irish Streams" – 5:39
05. "Vital Transformation" – 6:16
06. "The Dance of Maya" – 7:17
07. "You Know You Know" – 5:07
08. "Awakening" – 3:32
Publicado originalmente em:
http://hangover-music.blogspot.com.br/2012/06/resenha-mahavishnu-orchestra-inner.html
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