Jeff Healey: Fúria rocker e momentos de sublime inspiração
Resenha - Cover to Cover - Jeff Healey
Por Paulo Severo da Costa
Postado em 17 de junho de 2012
Nota: 10 ![]()
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Rock n´roll e futebol são, definitivamente os espaços mais democráticos para a aparição do quesito talento. Tanto o esporte bretão quanto o estilo inventado por LITTLE RICHARD e CHUCK BERRY tem como característica a incorporação do talento puro, independente de cor, classe social e outros "atributos". E, assim como no futebol brilham baixos e altos, gordos e magros, na música aparecem, de tempos em tempos, figuras diferentes, fora dos padrões, que deixam seu nome gravado na pedra que não cria limo.
JEFF HEALEY nasceu em 1966 em Toronto, Canadá. Ainda recém nascido,desenvolveu uma espécie rara de câncer que lhe retiraria por completo a visão. Assim como RAY CHARLES que décadas antes fundiu o divino e o profano, misturando gospel e blues na mesma coqueteleira, HEALEY desenvolveu uma forma inédita de tocar guitarra, abordando o instrumento como a um piano - batizado jocosamente de estilo "lap top".
Fã de blues, jazz e rock and roll, HEALEY criou a JEFF HEALEY BAND em 1985. Seu estilo de tocar era absolutamente peculiar; uma "trombada" de frente entre ALBERT KING, HENDRIX e passagens cromáticas de jazz, reproduzidos a enésima força, encharcado de distorção e sensibilidade. Sendo igualmente versado no trompete, o guitarrista canadense intercalava a fúria rocker com momentos de sublime inspiração, nitidamente transferidos da vibração de um instrumento para outro.
Após lançar três discos autorais (no qual vale destacar o ótimo "See the Light" de 1988), em 1995 sai "Cover to Cover", um álbum de....covers!! Na verdade, HEALEY recria clássicos de rock e blues a partir de sua própria perspectiva, injetando um gás novo e fantástico nas quatorze pauladas presentes no disco.
"Shapes of things" do YARDBYRDS vem embrulhada em uma versão instrumental das boas, assim como a recriação de "Comunication Breakdown" que tem uma esperta dobradinha guitarra/gaita substituindo a linha vocal original do LED. A reverência ao "pai da matéria" também esta lá: " Angel" e "Freddom" fazem jus a HENDRIX em interpretação emocionada de HEALEY.
As gravações fogem do óbvio: versões de repertório menos manjado dos mestres aparecem em "Yer Blues"( LENNON), "Run trough the Jungle"( CREEDENCE) e "Badge" (CLAPTON E HARRISON). As duas primeiras foram totalmente viradas do avesso, com destaque para o clima quase demoníaco da segunda. Os velhos e bons blues também comparecem com estilo em "As the years go passing by"( ALBERT KING) e "I´m ready" ("comendo" o slide) de MUDDY WATERS . Quando encarnavam o blues, HEALEY e STEVE RAY VAUGHAN fizeram, definitivamente o par `Top 1´dos anos 80( basta ver o vídeo de ambos tocando "Look at the little sister" no YouTube!!!). O disco fecha com "Me and my crazy self" no melhor estilo delta blues com voz e violão, cru, sem instrumental de base e com muito talento.
Seguindo a tradição "os bons vão antes do combinado" HEALEY faleceu em 2008, aos 41 anos, vítima de câncer. Entretanto, clássicos como esse vão deixar o rastro da história desse legítimo guitar hero na passagem por esse mundão.
Track List:
1. "Shapes of Things"
2. "Freedom"
3."Yer Blues"
4. "Stop Breakin' Down"
5. "Angel"
6."Evil"
7. "Stuck in the Middle with You"
8."I Got a Line On You"
9. "Run Through the Jungle"
10. "As the Years Go Passing By"
11. "I'm Ready"
12. "Badge"
13. "Communication Breakdown"
14. "Me and My Crazy Self"
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