Graveyard: Datado sem deixar de lado elementos modernos

Resenha - Hisingen Blues - Graveyard

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Por Paulo Finatto Jr.
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Nota: 9

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


O aviso na contracapa de “Hisingen Blues” é um indicativo claro do que se pode esperar do mais novo álbum do GRAVEYARD: “nós sugerimos que você escute o disco no volume mais alto possível para apreciar a completude do nosso som”. Com uma carreira meteórica e recheada de elogios da mídia especializada, o quarteto sueco mostra muita desenvoltura e criatividade no seu segundo registro de estúdio: o rock típico dos anos setenta ganha uma releitura ousada com a inclusão de elementos que se estendem pelo hard rock e pela obscuridade do stoner. A parceria Nuclear Blast/Hellion Records é a responsável pela estreia do grupo aqui no Brasil.
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Como nos dois recentes trabalhos do também sueco PAIN OF SALVATION, intitulados “Road Salt One” e “Road Salt Two”, o GRAVEYEARD retoma em “Hising Blues” um estilo datado, é verdade, mas sem deixar de adicionar elementos modernos. A pegada dos anos setenta, que ainda conta com toques de música progressiva da época, é facilmente encontrada nos quarenta minutos de repertório. No entanto, o peso e a proximidade com blues e com o stoner é o que torna o novo disco do quarteto sueco uma das obras mais aclamadas da atualidade. O trabalho de Joakim Nilsson (vocal e guitarra), Jonatan Larocca Ramm (guitarra), Rikard Edlund (baixo) e Axel Sjoberg (bateria) evidencia muita personalidade e a coragem de uma banda iniciante, que investiu todas as suas fichas em uma mistura sonora um pouco difícil de ser digerida, mas que esbanja competência e o desejo de não se enquadrar em gêneros pré-definidos. Por isso, é impossível não rotular “Hising Blues” como uma das mais interessantes surpresas que desembarcaram no Brasil recentemente.

A abertura do álbum – com a faixa “Ain’t Fit to Live Here” – poderia ser considerada um resumo da proposta do GRAVEYARD no seu mais novo disco. Com melodias simples e uma pegada agressiva que lembra muito o LED ZEPPELIN dos anos setenta, o quarteto sueco abre um leque de influências e de climas densos e psicodélicos, que passa por cima de “No Good, Mr. Holden” e “Hisingen Blues”. A homogeneidade do álbum é uma virtude que precisa ser destacada: as melodias mais próximas do blues se revezam com elementos do hard rock sem causar um caos no cérebro de quem ouve o GRAVEYARD pela primeira vez. Pelo contrário, a mistura rítmica – assim que digerida e/ou compreendida – torna-se o norte em todo o repertório de “Hising Blues”. A faixa-título é uma boa pedida para quem quiser entender como toda a gama de referências funciona na prática.

Com um timbre extremamente característico do rock setentista, Joakim Nilsson é sem dúvida o grande nome à frente do GRAVEYARD. Com uma voz que possui marcas do seu conterrâneo Daniel GIldenlow (PAIN OF SALVATION) e de ícones como Robert Plant (LED ZEPPELIN) e David Coverdale (WHITESANKE), as músicas de “Hising Blues” ganham um bom destaque por conta da performance praticamente visceral do seu frontman. A faixa “Uncomfortably Numb” mistura muito bem intensidade e emotividade, mas é na hora do peso que tudo funciona a favor do GRAVEYARD. Com simplicidade e um toque do rock progressivo, “Buying Truth (Tack & Forlat)” é outra música que aparece bem no disco. Porém, a folk e instrumental “Longing” pode ser apontada como o único item de impasse dentro da obra, sobretudo porque o quarteto sueco mostra em quarenta minutos de música que é capaz de criar ambientes sonoros muito melhores que o apresentado aqui.

O peso retorna com um toque um tanto quanto obscuro em “Ungrateful are the Dead”. A proposta não possui o mesmo impacto que as faixas mais rasgadas e viscerais, mas mesmo assim não pode ser descartada dentro do contexto de “Hisingen Blues”. Por deixar para o final as faixas mais experimentais, o GRAVEYARD passa uma ideia quase que equivocada sobre a sua proposta, que seria mais indie e menos hard rock. Não há dúvidas de que o track-list do novo álbum poderia dosar melhor as diferentes temáticas da música ampla e complexa do conjunto. Porém, isso não é nada que compromete o trabalho e o resultado final, já que “Rss” e “The Siren” foram muito bem elaboradas para atingirem o clímax individual em momentos específicos. Com um quê de LED ZEPPELIN e uma performance sensacional de Joakim Nilsson, “The Siren” pode, inclusive, ser apontada como a melhor música de todo “Hisingen Blues”.

A versão nacional do disco conta ainda com uma faixa bônus: “Cooking Brew”, que possui os mesmos elementos mais animados do blues/rock progressivo de outrora. O resultado atingido pela música extra, assim como por todo o “Hisingen Blues”, é excelente. Os suecos do GRAVEYARD andam por um caminho ainda pouco explorado por bandas de hard rock: a retomada do rock dos anos setenta com uma roupagem totalmente século XXI. Não há dúvidas de que a criatividade de Joakim Nilsson & Cia. ainda não atingiu o seu limite aqui. O grupo ainda tem muito pela frente e o ótimo “Hisingen Blues” – disponível na maioria das lojas em todo o Brasil – é uma boa pedida para quem ficou curioso em conhecer uma banda competente e inovadora na medida certa.

Track-list:

01. Ain’t Fit to Live Here
02. No Good, Mr. Holden
03. Hisingen Blues
04. Uncomfortably Numb
05. Buying Truth (Tack & Forlat)
06. Longing
07. Ungrateful are the Dead
08. Rss
09. The Siren
10. Cooking Brew

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Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

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