Ancesttral: Único defeito do EP é ter poucas músicas
Resenha - Bloodshed and Violence - Ancesttral
Por Marcos Garcia
Postado em 25 de março de 2012
Nota: 9 ![]()
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O Thrash Metal é um dos estilos de Metal que tem menos subdivisões, já que só temos três possibilidades sonoras dentro deles: o mais cadenciado e melodioso nos moldes de muitas bandas da Bay Area de San Francisco, o outro mais pelo do feeling vindo da música negra americana (influência esta que muitos aqui no país chamam simplesmente de ‘groove’), e aquele mais rasgado e agressivo, que mesmo quando tem muito trabalho musical em estruturas harmônicas mais complexas, sangra em vitalidade. Outras sonoridades dentro do estilo recaem dentro desses moldes. E é muito interessante ver o revival que o estilo tem tido nos últimos dez anos, pois passou a década de 90 quase que inteira como morto ou relegado aos porões mais profundos do underground mundial, tendo por único expoente de peso o finado PANTERA, já que os outros modificaram sua estilística para se adaptarem aos tempos modernos, alguns inclusive deixando os fãs desesperados. E aqui, não é necessário citar exemplos, cabendo ao leitor observar e analisar por si mesmo quais seriam.
Mas existem bandas que conseguem dar uma reforçada nos velhos padrões, e mesmo sem serem originais, fazem trabalhos fantásticos, dignos de menção honrosa e elogios, como o ótimo quarteto paulistano ANCESTTRAL, que pratica um Thrash Metal extremante brutal, técnico e rasgadaço, mas que tem ótimas melodias, num autêntico açoite, sem ser datado como muitas bandas do estilo atualmente, que chega até nós por meio de seu ótimo EP, ‘Bloodshed and Violence’.
Produzido muito bem tanto em termos gráficos (pois capa e arte são muito esmeradas e antenadas com o conteúdo lírico) como em termos sonoros (feita pelo próprio grupo mais a mixagem e masterização de Paulo Ahaia, e é brilhante, perfeita e pesada o tempo todo), este disquinho é um grande aperitivo para um futuro CD, o que deixará os fãs com água na boca.
Três faixas mostram o poder de fogo desse quarteto de thrashers: ‘Bloodshed and Violence’, uma faixa que varia de andamentos mais empolgantes e cadenciados a outros mais velozes, mas sempre mantendo a técnica e vigor sonoros durante todo tempo, especialmente pela ótima cozinha de Renato e André, que tem técnica absurda; ‘Trust’, é um pouco mais lenta, mantendo peso e empolgação, com guitarras rascantes até os ossos em bases e solos técnicos por parte de Alexandre e Leonardo, e grandes vocalizações de Alexandre, que mostra ter uma voz bem agressiva e com leves toques de melodia, em uma linha bem ‘billyana’, mas sem ser cópia; e uma ótima versão para ‘I’ do sagrado BLACK SABBATH, perfeito nos mínimos detalhes, mas cuja execução é bem personalizada, com aquela pegada pesada da banda original e a força thrasher do ANCESTTRAL, inclusive no solo, já que fazer algo que o mestre Iommi já fez é um desafio daqueles, e eles se saem muito bem.
Mas este EP tem um defeito claro: ter poucas músicas, pois fica uma impressão de ‘quero mais’ enorme, que só poderá ser saciada por um CD novo, que torçamos para que saia em breve.
Uma banda que já não precisa provar nada a quem quer que seja, mas que nos dá um EP tão bom merece elogios até cansar a língua (ou os dedos, no caso deste que vos escreve).
Bloodshed and Violence – Ancesttral
(2012 – Independente – Nacional)
Tracklist:
01. Bloodshed and Violence
02. Trust
03. I
Formação:
Alexandre Grunheidt – Vocais e guitarras
Leonardo Brito – Guitarras
Renato Canônico – Baixo
Rafael Ros – Bateria
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