Iron Maiden: O início do período das vacas magras do grupo
Resenha - No Prayer for the Dying - Iron Maiden
Por Fabrício Luiz
Postado em 23 de março de 2012
Nota: 8 ![]()
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A década de 90 foi um tempo de boas safras para o heavy metal em geral, bons álbuns foram lançados nesse período como Painkiller do Judas priest, Rust in Peace do Megadeth e o disco homônimo do Metallica são apenas alguns exemplos do que essa época nos forneceu. O mesmo não se pode dizer do Iron Maiden, que lançou apenas álbuns medianos (sim, Fear of The Dark foi duramente criticado) e sem muitos alardes na mídia especializada. No Prayer for the Dying é o disco que abre as portas aos tempos de "vacas magras" no Iron Maiden.
Para compreender o que esse álbum representou, vamos voltar ao tempo. Dois anos antes de No Prayer for the Dying ser lançado, o mundo conhecia o magnífico Seventh Son of a Seventh Son, um disco caracterizado pela temática baseada na lenda do sétimo filho, visões e poderes sobrenaturais que lhes renderam boas críticas, registros em vídeo (Maiden England) e uma nova legião de fãs.
A intenção do disco seguinte era trazer o Maiden aos velhos tempos, dos quais foram marcados por canções simples e diretas, e é claro retirar os sintetizadores largamente explorados nos dois trabalhos anteriores, o já citado Seven Son e o Somewhere in Time, entretanto o guitarrista Adrian Smith não estava disposto a passar por tal mudança, já que a sonoridade em que o Iron Maiden estava até aquele momento lhe agradava, então voltar ao som praticado no passado não lhe era uma opção, resultado: Smith saiu durante o processo primário de composição do álbum e acabou formando o ASAP (Adrian Smith& Project).
Para ocupar a vaga deixada por ele, foi sugerido um nome: "Janick Gers", guitarrista que havia trabalhado no primeiro disco solo de Bruce Dickinson, o Tattooed Millionaire de 1989, Janick apresentava um estilo mais despojado do que os fãs do Iron Maiden estavam acostumados a ouvir, porém sua presença de palco era algo indiscutível. No teste de audição, foi solicitado que ele tocasse as músicas "The trooper", "Iron maiden", "The prisioner" e "Children of the Damned", e já nos primeiros acordes de The Trooper todos sabiam que Janick era a pessoa certa. Então... com Nicko McBrain na bateria, Steve Harris no contrabaixo, o novato Janick Gers na guitarra com seu mais novo companheiro Dave Muray e Bruce Dickinson nos vocais, lá se foi o Iron Maiden rumo ao estúdio!
As sessões de gravação do álbum foram no estúdio particular de Harris, situado em seu sítio na Inglaterra, o que resultou em uma produção ruim e descompromissada com a qualidade mesmo com a produção de Martin Birch, algo que o próprio Bruce afirmou: "Era uma merda! Soava como merda! Eu desejei que não fosse feito desse modo", pois bem... vamos às músicas.
Tailgunner abre o álbum conforme o prometido, realmente se ouve um Iron mais direto e agressivo, porém ainda não é o Iron em que estávamos acostumados a ouvir ate então. Em seguida Holy Smoke começa a mostrar todo o seu sarcasmo e humor. Foi escrita baseada nas baboseiras que a TV diz e contradiz a respeito do Iron Maiden, digamos... que essa foi a sua represália.
A faixa-titulo é a terceira música a figurar no player. Escrita por Steve Harris, essa faixa traz andamentos duplos, porém sem grandes alardes. Na seguinte, parece que Dave Murray "deu luz a outro elefante" Public Enema Number One é um dos destaques do álbum, embora atualmente esquecida pela banda.
Fates Warning, The assassin, Run Silent Run Deep, não chegam a dar ênfase ao ouvinte, podendo ser consideradas músicas neutras.
Lembram que eu havia dito que Adrian Smith saiu durante o processo de composição? Pois aqui esta sua parte: Hooks in You é um Hard Rock bem feito que deixa em evidência a mudança de timbre de voz de Bruce Dickinson, nota-se que ela está um pouco rasgada e rouca, resultado da má produção ou uma segunda puberdade do cantor?
Bring Your Daughter... To the Slaughter deve ser a canção mais conhecida desse disco. Foi composta por Dickinson para figurar como trilha Sonora do filme "A Hora do Pesadelo 5: O Maior Horror de Freddy", mas Harris achou ela perfeita para os novos ares que sua banda procurava, então a regravou, dando origem a uma ótima música.
Mother Russia fecha o disco de forma interessante, com um fato curioso: é possível ouvir sintetizadores ao fundo, estaria Steve Harris se contradizendo? Ela chega a lembrar o clássico Powerslave em alguns momentos.
Conclusão: A ideia não vingou, a reputação do Maiden caiu em muitos países embora o single "Bring Your Daughter... to the Slaughter" alcançasse o numero um nas paradas britânicas. A turnê de divulgação do álbum não foi das melhores, e o público também, nota-se que em todos os lugares em que a banda estava os fãs apareciam timidamente.
Sim, Harris você se enganou, certas coisas não foram feitas para serem mudadas.
Tracklist:
Tailgunner
Holy Smoke
No Prayer for the Dying
Public Enema Number One
Fates Warning
The Assassin
Run Silent Run Deep
Hooks in You
Bring Your Daughter... to the Slaughter
Mother Russia
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