Deny Bonfante: Obra coesa e muito técnica ao mesmo tempo

Resenha - Midnight Star - Deny Bonfante

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Por Paulo Finatto Jr.
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Embora pouco disseminada pelo país, a música instrumental vem aos poucos aumentando o seu número de adeptos. O guitarrista DENY BONFANTE, que construiu uma carreira sólida ao lado do PERPETUAL DREAMS, é mais um exemplo e o disco "Midnight Star" é o primeiro fruto do seu projeto paralelo dedicado às seis cordas. Com um repertório que passeia pelo rock e pelo metal com a mesma facilidade que absorve influências do blues e do jazz, o debut solo do músico catarinense tem tudo para figurar entre os melhores do gênero.

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Por mais que DENY BONFANTE seja o principal destaque de Midnight Star, a banda que o acompanha, formada pelo tecladista Jan Findeiss (também integrante do PERPETUAL DREAMS) e pelos bateristas Julio Kuhlewein e Rike Frainer (que se revezam durante o repertório), molda o disco de maneira excepcional do início ao fim. Com isso, o primeiro álbum solo do artista catarinense – que assina todos os instrumentos de corda – não acaba se tornando apenas um grande emaranhado de solos de guitarra executados a toda velocidade. O que existe por trás de "Midnight Star" é um verdadeiro intuito coletivo no sentido de criar uma obra coesa e muito técnica ao mesmo tempo. O resultado final é mais do que satisfatório.

O groove que contorna boa parte de "Midnight Star" é provavelmente uma das grandes virtudes da obra. Com um toque bem típico do jazz e do blues, "The Alligator’s Jam" alia à eletricidade da guitarra o que de mais refinado os instrumentos de sopro (saxofone e trompete) podem oferecer. O resultado dessa mistura é uma faixa nada enjoativa e que evidencia todo o seu aspecto mais vibrante. O trabalho realizado de maneira impecável em estúdio é também uma das principais marcas do álbum e pode ser conferido na maneira límpida em que os espetaculares riffs de DENY BONFANTE soam em "Miss Misunderstood". A capacidade do guitarrista catarinense em casar ótimas bases a solos inspiradíssimos é outra característica do material – e em especial da faixa "Why" – outro ponto alto do repertório.

O sucesso da música instrumental – dentro do rock e do metal – depende praticamente de um único fator: o cuidado para não transformar todas as linhas de guitarra em uma sequência cansativa de acordes estridentes. O repertório de "Midnight Star", que bate na marca de quarenta minutos e não ultrapassa esse número, mostra o quanto que DENY BONFANTE é um guitarrista consciente e inteligente. O álbum até conta com faixas emotivas: "Sacred Palce" é a sua principal representante. Porém, com pouco mais de três minutos, até mesmo o que há de mais técnico não excede o limite do bom gosto. O mesmo pode ser dito a respeito de "The Wizard’s Ride", justamente a faixa que mais aproxima o trabalho de DENY BONFANTE ao gênero tipicamente melódico/veloz capitaneado por ninguém menos do que YNGWIE MALMSTEEN.

A interessante "At Sunrise" funciona de maneira perfeita como encerramento da obra. Com ótimas bases e certa influência da música atmosférica executada durante a década de oitenta, os sete minutos da música passam rápido e ainda mostram que DENY BONFANTE se sai bem também com o baixo. O solo de teclado assinado por Jean Findeiss – que é outra constante dentro da obra – deixa claro o entendimento que o guitarrista tem da música instrumental: a complexidade sonora deve privilegiar todos os instrumentos. Para muitos, "Mignight Star" pode até ser uma agradável surpresa. Entretanto, o disco na verdade comprova que todo o sucesso de DENY BONFANTE – com o PERPETUAL DREAMS ou agora em carreira solo – não é por acaso.

Site: www.denybonfante.com

Track-list:

01. The Alligator’s Jam
02. Miss Misunderstood
03. Magic Circle
04. Why
05. Sacred Place
06. Passion
07. The Wizard’s Ride
08. Escape in GM
09. At Sunrise
10. Miss Misunderstood (Video)
11. The Wizard’s Ride (Video)
12. Sacred Place (Video)


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Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

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