Lin: Requisitos para agradar de imediato o público gospel
Resenha - Estrada de Sonhos - Lin
Por Paulo Finatto Jr.
Postado em 11 de fevereiro de 2012
Nota: 8 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Com pouco destaque na mídia especializada, o rock católico conquistou a sua independência, e possui atualmente nomes de muita representatividade para o cenário brasileiro, como as bandas OFICINA G3 e ROSA DE SARON. Com o intuito de construir uma carreira de sucesso, muitos artistas investem em uma proposta semelhante, como é o caso do mineiro LIN. O músico, que gravou em 2009 o seu primeiro álbum, intitulado "Estrada de Sonhos", mostra todos os pré-requisitos necessários para que o seu pop/rock possa agradar de imediato o público gospel.
Em carreira artística desde que tinha quinze anos, LIN já passou por uma série de ministérios de música gospel e integrou, na década de noventa, a banda MARANATHA, como vocalista e baixista. Por conta de toda essa bagagem, o álbum "Estrada de Sonhos" – o primeiro registro solo do mineiro chamado Lindemberg Albino – pode ser definido como o resultado mais plausível do seu amadurecimento musical, já que muitas das músicas encontradas no disco foram escritas – e até mesmo gravadas – entre o final dos anos oitenta e o início da década de noventa. De certo modo, "Estrada de Sonhos" falam muito também sobre o próprio artista, que em 2009 finalmente concretizou o grande desejo de ver o seu primeiro CD pronto, mesmo que de modo independente.
O repertório de "Estrada de Sonhos" é extremamente simples, mas contagiante na medida certa. Por investir em uma sonoridade mais próxima do pop e às vezes distante dos elementos mais marcantes do rock n’ roll, o primeiro álbum de LIN tem, provavelmente, o intuito de se inserir numa perspectiva comercial. A tentativa de agradar um público mais heterogêneo até poderia ser entendida como uma simples jogada de marketing, se não fosse o fato do o músico contornar toda a sua obra com uma boa dose de sinceridade. Portanto, o resultado de "Estrada de Sonhos" é capaz de convencer o ouvinte de imediato, mesmo com todos os elementos radifônicos e imprescindíveis da música pop. O que se sobressai em uma hora de um pop/rock é o bom gosto de Lindemberg Albino como compositor e a sua consciência para lapidar todo o repertório até o ponto certo/necessário.
Com uma voz até que potente para o pop, LIN abdicou de executar demais instrumentos para se concentrar na sua performance como cantor. A escolha dos músicos de estúdio – Nanji (violão/guitarra), Raone Franco (baixo/teclado/bateria) e Ale Romano (piano) – certamente contribuiu para que "Estrada de Sonhos" soe de maneira extremamente agradável. No entanto, o disco apresenta uma falha: a ausência de um timbre mais adequado para os momentos mais rock n’ roll. A abertura da obra, com a faixa "Antes que os Montes Nascessem", evidencia muito bem isso: as melodias mais cadenciadas ficaram ótimas, mas na hora de inserir uma carga emotiva (e instrumental mais intensa) durante o refrão, faltou um pouco de clareza sonora. A vantagem é que o problema do CD fica restrito apenas a esse ponto técnico.
Como citado anteriormente, a principal virtude do álbum é justamente a de apresentar músicas de qualidade, mas de muita simplicidade também. Com uma pegada mais blues, "Louve ao Senhor" é extremamente reta, mas funciona muitíssimo bem, assim como "Coração Adorador", que conta ainda com um bonito solo de guitarra e um toque quase que típico do reggae. Porém, é a pesada "Povo Forte" que desponta como o melhor momento do disco. Por mais que a voz de LIN evidencie certa dificuldade em se enquadrar a uma proposta instrumentalmente mais agressiva – vide a faixa "Greg" – o feeling de "Povo Forte" é o que prevalece. Para complementar o espectro destacável, "Estrada de Sonhos" passeia de modo natural em toda a versatilidade rítmica do disco – a balada que empresta o nome ao álbum é também outro momento ímpar dentro da obra, assim como a bonita "Quero Te Buscar".
O encerramento de "Estrada de Sonhos" é em grande estilo. Embora as quatro últimas faixas instrumentais sejam aparentemente desnecessárias, já que perdem as boas melodias proporcionadas pela voz de LIN, a acústica "O Nome do Senhor" é mais uma música que pode ser mencionada como um destaque à parte. Em cerca de uma hora, o mineiro Lindemberg Albino construiu um ótimo debut, mesmo que o álbum provavelmente fique restrito aos adeptos da música evangélica. De qualquer maneira, o pop/rock de bom gosto é o que se sobressai e o que contorna "Estrada de Sonhos" do início ao fim. O primeiro registro do mineiro LIN é fruto de muito trabalho e não pode ser rotulado apenas com o estigma de "sorte de principiante".
Track-list:
01. Antes que os Montes Nascessem
02. Inclina-Me
03. Louve ao Senhor
04. De Todo Coração
05. Coração Adorador
06. Greg
07. Estrada de Snhos
08. Povo Forte
09. Quero Te Buscar
10. Santo Espírito
11. O Nome do Senhor
12. Doxologia
13. Estrada de Snhos (Playback)
14. Quero Te Buscar (Playback)
15. Santo Espírito (Playback)
16. O Nome do Senhor (Playback)
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Iron Maiden anuncia reta final da "Run for Your Lives" e confirma que não fará shows em 2027
Sepultura lança "The Place", primeira balada da carreira, com presença de vocal limpo
Mikael Åkerfeldt (Opeth) não conseguiria nem ser amigo de quem gosta de Offspring
Rock and Roll Hall of Fame anuncia indicados para edição 2026
O músico que Sammy Hagar queria dar um soco na cara: "O que acha que vou fazer?"
Por que Joe Perry quase perdeu a amizade com Slash, segundo o próprio
Indireta? Fabio Lione fala em "ninho de cobras" e "banda de palhaços" após show do AC/DC
Alex Skolnick entende por que Testament não faz parte do Big Four do thrash metal
Jaqueta de Dinho é encontrada preservada em exumação e integrará memorial dos Mamonas Assassinas
Show do AC/DC no Brasil é elogiado em resenha do G1; "A espera valeu a pena"
Derrick Green explica o significado da nova música do Sepultura
Segurança de Bob Dylan revela hábitos inusitados do cantor nas madrugadas brasileiras
Bruce Dickinson, do Iron Maiden, já desceu a mamona do Rock and Roll Hall of Fame
O ator que estragou uma canção de rock clássico, de acordo com Jack Black; "hedionda"
Folha cita "barriga enorme" de Brian Johnson em resenha sobre show do AC/DC em SP
Como saída de Bruce Dickinson do Iron Maiden poderia ser evitada, segundo Steve Harris
O hit dos anos 1990 que fez muito sucesso e ficou maior que a banda que o gravou
Slash aponta qual foi o último herói da guitarra que surgiu no rock



"Ritual" e o espetáculo sensorial que marcou a história do metal nacional
Blasfemador entrega speed/black agressivo e rápido no bom "Malleus Maleficarum"
Tierramystica - Um panegírico a "Trinity"
GaiaBeta - uma grata revelação da cena nacional
Before The Dawn retorna com muito death metal melódico em "Cold Flare Eternal"
CPM 22: "Suor e Sacrifício", o álbum mais Hardcore da banda
Clássicos imortais: os 30 anos de Rust In Peace, uma das poucas unanimidades do metal



