Anvil: A nova chance concedida a Lips & Cia

Resenha - Juggernaut of Justice - Anvil

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Por Paulo Finatto Jr.
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Nota: 6

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No cenário rock/metal, poucas bandas recebem uma segunda oportunidade. Os canadenses do ANVIL, que iniciaram a sua trajetória na década de oitenta sem nenhuma perspectiva, permaneceriam esquecidos no underground se não fosse o documentário “Anvil! The Story of Anvil” (2008). A repercussão extremamente positiva do filme, sobretudo na revista norte-americana Rolling Stone, permitiu que o power-trio conquistasse pela primeira vez os seus cinco minutos de fama. O disco “Juggernaut of Justice”, décimo sexto registro de estúdio dos caras, é a principal consequência dessa nova chance concedida a Lips & Cia.
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Por mais que o documentário “Anvil! The Story of Anvil” (2008) tenha mostrado a sinceridade com que Steve “Lips” Kudlow (vocal e guitarra), Glenn Five (baixo) e Robb Reiner (bateria) sempre encararam o thrash/speed metal adotado pelo conjunto, a verdade é que a banda nunca poderia ser considerada uma vítima. O filme evidenciou todas as peripécias que o grupo precisou enfrentar até chegar ao recente “Juggernaut of Justice”, como pequenas intrigas internas e muita falta de profissionalismo ao longo dos anos. No entanto, a vontade do ANVIL em reverter esse quadro é ainda mais clara durante o documentário. O trio canadense, pela primeira vez, teve calma para gravar um disco o mais homogêneo possível, com o renome do produtor Bob Marlette (ALICE COOPER e SEBASTIAN BACH). A nova chance dada a Lips & Cia. tinha tudo para projetar a banda ao mainstream, se não fosse um empecilho: o disco esbarra em um repertório limitado e pouco inspirado.

O curioso na carreira do ANVIL é que nem mesmo o maior sucesso comercial do grupo, o álbum “Strength of Steel” (1987), é uma unanimidade. Portanto, não é de se surpreender o fato de que o recente “Juggernaut of Justice” também divida opiniões. Por mais que a sonoridade do disco mantenha uma forte referência aos anos oitenta, justamente relembrando todo o período áureo da NWOBHM, faltam criatividade e profundidade no repertório que inicia com pouco brilho, com a faixa-título do CD. A obra assinada por Lips & Cia. só não se torna um balde de água fria – até mesmo para os mais otimistas – porque há uma ou outra música acima da média perdida no novo track-list: a speed “When Hell Breaks Loose” é o principal exemplo disso.

Não há como afirmar que “Juggernaut of Justice” é um disco desastroso. Entretanto, o ANVIL permanece aqui com o estigma de ser uma banda apenas razoável, que mesmo mostrando uma competência técnica ímpar, carece – e muito – de criatividade. A faixa “New Orleans Voo Doo” e “Fuken Eh!” até podem ser escaladas no time de boas surpresas, mas a dobradinha “On Fire” e “Turn It Up” é de um senso comum gigante e que prejudica por demais o resultado final da obra. A impressão que fica é de que o ANVIL corre muito em cerca de cinquenta minutos de música, mas pouco sai do lugar. Outras faixas, como “This Ride” e “Not Afraid”, pouco impressionam também e corroboram ainda mais com toda a crítica feita ao power-trio canadense. Para não dizer que o álbum encerra de maneira decepcionante com a estranha “Paranormal”, a speed “Running” é o último momento que merece uma honraria dentro da obra.

Não restam dúvidas de que, realmente, poucas bandas recebem uma segunda chance. Os canadenses do ANVIL, infelizmente, não souberam aproveitar a oportunidade concedida a eles em “Juggernaut of Justice”. O álbum, que não ultrapassa o status de ser apenas razoável, é ainda previsível do início ao fim. A banda liderada por Steve “Lips” Kudlow, curiosamente, não conta com nenhum disco de sucesso, pelo menos como a repercussão atingida pelo filme biográfico “Anvil! The Story of Anvil” (2008). Por mais que o grupo seja determinando e persistente com o seu speed/thrash old school, é pouquíssimo provável que, mesmo depois de trinta anos de carreira, consiga um reconhecimento mais consistente para além do underground.

Track-list:

01. Juggernaut of Justice
02. When Hell Breaks Loose
03. New Orleans Voo Doo
04. On Fire
05. Fuken Eh!
06. Turn It Up
07. This Ride
08. Not Afraid
09. Conspiracy
10. Running
11. Paranormal
12. Swing Thing

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Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

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