Resenha - Sound Of Perseverance - Death

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Por Mateus Pascoal
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Nota: 8

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


O Death é considerado um dos grandes responsáveis pela evolução do Death Metal, Chuck Schuldiner segundo alguns relatam, foi um dos primeiros vocalistas a usar a técnica gutural fixa. E é por causa desse cara que eu estou fazendo esta resenha, pois em 13 de dezembro de 2011 fez exatamente 10 anos de sua morte, quando faleceu por causa de um tumor raro no cérebro.

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Chuck foi um grande guitarrista, influenciou muita gente com seu jeito de tocar e cantar, tem uma legião de fãs até hoje, que não o esqueceram, e melhor, muitos que se tornaram fã do cara depois de sua morte. E é em homenagem a esse grande guitarrista e vocalista que eu trago para vocês essa resenha do álbum The Sound Of Perseverance, último álbum do Death.

Começamos com Scavenger Of Human Sorrow, ótima intro para um começo de álbum, bateria quebrando tudo (aliás, esse é um dos grandes destaques do disco), guitarras pesadas, o vocal de Chuck é algo muito poderoso e traz uma força incrível para suas faixas. Instrumental perfeito, entrosamento espetacular da banda. O primeiro solo de Chuck no álbum, o primeiro ótimo de muitos solos desse disco. É um pouco longa, não sei se é a certa para abrir o CD, mas isso apenas trata de detalhes que deixam o disco mais agradável, não tira o crédito de ser uma grande faixa e que merece estar no álbum.

A segunda faixa é Bite The Pain, intro muito boa, as guitarras emocionam, Chuck começa cantando, tudo se encaixa perfeito! A música fica mais pesada e perde o feeling um pouco melódico da intro com as guitarras. O som soa tão cru, que se você é uma pessoa que não gosta de coisas mais tecnológicas nas músicas, deve gostar muito dessa faixa (e do álbum por inteiro). Grande solo do Senhor Schuldiner. A faixa se mantém em uma certa igualdade, talvez isso canse o ouvinte nas primeiras audições, o riff se repete bastante, isso vai mais pelo gosto da pessoa, boa música.

Spirit Crusher começa com um riff de baixo, logo depois entra Chuck com seus grunhídos junto com sua guitarra e com seu companheiro de 6 cordas, Shannon Hamm. Chuck começa cantar um novo trecho, a música fica rápida por uns segundos, a bateria arrebenta, momento alto na canção. A participação do baixo de Scott Clendenin nessa faixa é muito boa, dando ritmo aos riffs das guitarras da dupla Chuck e Shannon. As guitarras aumentam e vem outra parte alta na música, com uma parte bem parecida com o começo de Unholly Confessions do Avenged Sevenfold (Spirit Crusher como podem ver, é de um álbum de 1998, já Unholly Confessions está no Walking The Fallen, álbum de 2003 dos Avengers), a música fica bem empolgada. Logo a seguir vem o solo, e é impossível não falar de praticamente todos os solos deste album, pois todos estão otimos, muita técnica e velocidade. Death é assim como o Pantera, uma das bandas que tem os riffs que eu mais gosto, e nessa faixa não é diferente, grandes riffs. A parte que lembra Unholly Confessions (Unholly Confessions que parece com Spirit Crusher, seria o correto!) volta para o final. Uma das minhas favoritas do álbum.

Story To Tell é a faixa seguinte, mini-solo no começo muito legal. Bateria sendo um dos pontos altos, grandes partes da dupla de guitarrista, Chuck Schuldiner e Shannon Hamm, até um ponto mais pro final, aonde Chuck lança mais um tremendo solo de suas mangas. Uma passagem muito boa dá continuação a canção, mostrando que barulho tem quer ser bem feito, e o Death era mestre nisso. Solo final é tão grandioso quanto o primeiro, uma das melhores do album também.

As faixas podem soar um pouco compridas, ainda mais para uma banda de Death Metal. Em minha visão, o álbum precisa ser ouvido mais vezes, como todos os álbuns de música, é totalmente impossível você desgustar absolutamente tudo de um álbum apenas em uma única audição. Quando você decorar todos esses riffs, grunhidos e batucadas, duvido que não vá querer ouvir outros trabalhos desses caras!

Uma intro muito boa dá o ar a quinta faixa, Flesh And The Power It Holds, que riffs! É a faixa mais comprida do CD(mais de 8 minutos), as guitarras começam liderando o instrumental, groove incrível que essa faixa se torna. A música fica grande e bem pesada, mas não perdendo o feeling das guitarras. Uma passagem com o baixo de Scott Clendenin é um dos pontos mais legais da música, pois logo entra Schuldiner e faz um solo maravilhoso, um dos melhores solos do álbum. A guitarra acaba seu solo, mas o baixo continua ali, com seu riff infernal. Todos os instrumentos se juntam outra vez e fazem uma pauleira de primeira, Chuck volta para o grande refrão da canção. Grande faixa, talvez ela não precisa-se ser tão grande assim, mas não tem importância, você vai ficar mexendo a cabeça com os riffs a toda hora.

A seguinte é Voice Of The Soul, faixa instrumental, mostrando toda a competência e genialidade de Chuck Schuldiner, a melhor do álbum para mim, simplesmente genial.

A penúltima canção é To Forgive Is To Suffer, que possui uma intro boa, bateria dando o ar da graça, até aparecer os ruídos lindos de Chuck. Um riff espetâcular, que mais parece um mini-solo, ficou otimo! E vale ressaltar mais uma vez, como que tudo soa tão perfeito, tudo se encaixa com tudo, parece que os caras tocam juntos faz 5 encarnações. Outro solo espetacular de Chuck, que fica como o ponto alto da música, que solo! Voltamos ao riff bem quando acaba o solo, sem palavras para descrever. E que refrão é esse? Ainda mais no final, que quando acaba a parte principal vem um solo bem rápido, espetâcular, uma das melhores do CD!

Em uns momentos você poderá achar que certas coisas soam muito igual no álbum, pois elas são pauleiras longas, a maioria tem 6 minutos de duração ou um pouco mais. Mas apenas ouça com um pouco mais de vontade, cada faixa está cheia de entrosamento e musicalidade muito bem executada, talvez todas as faixas juntas e nas primeiras vezes você não se sinta tão empolgado, mas depois isso melhora, pois Chuck e sua trupe mandaram super bem!

O disco versão normal acaba com A Moment Of Clarity, começo poderoso, outro riff bem legal. E uma observação legal é que em todo momento, na maioria das faixas em geral, tocam em certos pedaços um mesmo riff, o que faz soar mais épico, e não igual e sem criatividade, grande ponto nesse disco. O vocal de Chuck está excelente nesta faixa(ainda mais a parte que fica perto do final). Solo mágico, a guitarra de Chuck toma conta da música, faz dela uma faixa muito poderosa e empolgante, merece destaque nesse álbum.

O disco ainda possuí uma versão Cover do Judas Priest, lendário grupo de Heavy Metal Britânico, e a música é a pesada Painkiller. Essa canção do Judas faz totalmente a cara do Death, faixa muito bem escolhida para Bonus Track, ainda mais para uma voz tão poderosa quão é a de Chuck Schuldiner, tanto quando a de Rob Halford. O cover ficou muito bom, otima faixa.

The Sound Of Perseverance mostra um grupo muito bem entrosado e provando que todos ali sabem muito de música (para os preconceituosos de música mais extrema). Chuck Schuldiner foi um excelente músico, e ele mostra isso nesse álbum, sendo que ele compôs todas as canções do disco (tirando, é claro, Painkiller), e fez isso com grande maestría.

Descanse em Paz, Chuck.

"A simbólica e frágil arte da existência nada mais é que o som da perseverança"


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