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Garimpeiro

Machine Head: Agressividade com maior maturidade

Resenha - Unto The Locust - Machine Head

Por João Paulo Linhares Gonçalves
Fonte: ripandohistoriarock
Em 14/11/11

Nota: 9

Vamos falar sobre o novo disco do Machine Head, "Unto The Locust", lançado no fim de setembro. Claro que você já ouviu sobre este disco em outros lugares, mas sempre gosto de dar um tempo aos discos sobre os quais vou opinar, para ser justo. Umas poucas escutadas não me garantem se o disco é bom ou ruim (e este novo do Machine Head tenho escutado bastante...).

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O Machine Head chegou a ser questionado musicalmente quando flertou com o tão condenado nu metal no final dos anos 90, mas depois dos dois últimos discos de grande qualidade, a expectativa pro lançamento deste álbum era alta. Especialmente porque o disco anterior, "The Blackening", é uma coleção de oito petardos muito potentes, que elevaram o nível de composição da banda. Parte da expectativa pode ser atribuída também ao longo tempo de espera - quatro anos. Mas toda a espera valeu a pena. A banda nos trouxe um grande registro, mais um na sequência, mostrando definitivamente que estes californianos não estão pra brincadeira e já estão com seu nome cravado no time de grandes bandas de metal da atualidade. Não à toa, a banda já teve sua participação garantida para a edição de 2012 do grande festival Wacken Open Air.

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Neste novo disco, a banda evoluiu seu som, mantendo a pegada pesada e de composições mais longas (quase todas as músicas beiram sete minutos ou mais), porém com trechos mais complexos e trabalhados, demonstrando forte influência de NWOBHM (New Wave Of British Heavy Metal, bandas como Iron Maiden, Saxon, Angel Witch, etc), das bandas do Big Four (Anthrax, Metallica, Megadeth e Slayer), dentre outras influências (Flynn chegou a declarar que o disco anterior tinha influência de Rush. Pelo tamanho das músicas, o progressivo também deve ser considerado como influência). São sete novas músicas que trazem a tradicional agressividade da banda aliada a uma maior maturidade nas composições. O principal compositor da banda continua sendo seu líder e vocalista, Robb Flynn, mas Phil Demmel entra como parceiro em diversas canções. Destaco também o trabalho de bateria de Dave McClain, que cresceu muito em meu conceito após este disco. Vamos às minhas impressões, faixa a faixa:

1 - "I Am Hell (Sonata in C#)" - um começo diferente, uma espécie de cantata, esconde o grande petardo que abre este disco. Rapidamente, um riff poderoso e pesado toma conta da canção, com Flynn cantando numa voz mais gutural, e logo a seguir a música acelera com um riff supersônico. Dividida em três partes ("Sangre Sani", "I Am Hell" e "Ashes To The Sky"), esta primeira canção mostra como a banda evoluiu sua composição em termos de complexidade, sem perder a qualidade, o peso e velocidade características. Excelente começo!!

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2 - "Be Still And Know" - a introdução desta música me faz lembrar o clássico "Wasted Years" do Iron Maiden, e sua estrutura tem fortes influências da banda de Steve Harris (até o trabalho de bateria me lembrou Nicko McBrain). Mas depois da intro, rapidamente a canção ganha um peso que a diferencia. Com um refrão de boa melodia, segura o nível do álbum lá em cima. Belo trabalho de guitarras da dupla Flynn/Demmel.

3 - "Locust" - primeiro single do disco, começa com um dedilhado suave que rapidamente é acompanhado pela poderosa bateria de Dave McClain. Aí a canção se torna um fantástico petardo em que um riff poderoso a conduz muito bem, com trechos mais melódicos intercalados. No meio da música, um trecho mais lento, inicialmente com peso e depois mais suave, uma espécie de introdução para os solos dos guitarristas, que se revezam, numa espécie de duelo. Grande canção, talvez a melhor do disco. Com o tempo, esta deve ser chamada de clássico...

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4 - "This Is The End" - outra que começa com um dedilhado (banda de metal adora isso, né?) e depois evolui para uma porrada na orelha de primeira. Com bela estrutura e trabalho de guitarra muito bom, é outra grande música deste discaço. A grande característica, comum a todas as canções até aqui, é a maior complexidade das composições, e também sua qualidade. Dentro de uma canção, temos diversos riffs matadores e todas são longas. Por isso minha opinião de influência de rock progressivo.

5 - "Darkness Within" - esta canção deve ser o mais perto que o Machine Head consegue chegar de uma tradicional balada. Os solos deste disco estão inspirados, e aqui não é diferente. As letras de Flynn também são um destaque, gostei do refrão desta canção: "We build cathedrals to our pain/Establish monuments to attain/Freedom from all of the scars and the sins/Lest we drown in the darkness within", que traduzindo fica mais ou menos assim: "Vamos construir catedrais para nossa dor/Estabelecer monumentos para atingir/A liberdade de todas as cicatrizes e os pecados/Para não se afogar dentro da escuridão". Mais uma canção de grande qualidade!

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6 - "Pearls Before The Swine" - esta começa com alta rotação, e mais uma vez a variedade de riffs, todos de qualidade, impressiona. A esta altura, quem escuta o disco já se pergunta o que pode separar o Machine Head do grande sucesso que ele merece. Talvez apenas o passar do tempo...

7 - "Who We Are" - o coral de crianças que canta a introdução desta música é composto pelos filhos dos guitarristas Robb Flynn e Phil Demmel e do engenheiro do disco Juan Urteaga (e se você pesquisar pela Internet, vai ver que muita gente reclamou deste inocente coral como introdução...). Mas não se engane, rapidamente Flynn assume os vocais e o bicho pega. Mais um riff super inspirado e de grande qualidade eleva esta canção para a estratosfera, para fecharmos o disco em grande estilo.

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Fica difícil dizer qual a melhor canção deste álbum, tamanha competição entre as sete faixas. Eu gostei muito de todas, mas se tivesse que escolher apenas uma, neste momento, ficaria com "Locust". Deixe sua opinião abaixo sobre sua música preferida deste disco.

Também foram gravadas músicas extra, algumas covers, para servirem de bônus de edições especiais: "The Sentinel", do Judas Priest e "Witch Hunt", do Rush (olha aí a influência de progressivo...). O álbum conseguiu chegar na posição mais alta que um disco da banda chegou na parada americana: 22º lugar. Em alguns países europeus (Alemanha, Áustria, Finlândia), a banda chegou a ficar no Top 10. Vejam a evolução dos últimos álbuns da banda em termos de posição na parada americana:

"Supercharger" (2001) - 115º lugar;
"Through The Ashes Of Empires" (2004) - 88º lugar;
"The Blackening" (2007) - 54º lugar;
"Unto The Locust" (2011) - 22º lugar.

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Isto mostra claramente o crescimento da banda. Não só na qualidade dos discos, mas também no reconhecimento pelo seu público. Eles estão comendo pelas beiradas e, em breve, acredito que estarão como headliners dos festivais europeus. Talento eles já têm de sobra. É só dar tempo para que o grande público de metal os conheça mais e reconheça seu grande valor.

Alguns "vídeos" com músicas do álbum (na verdade somente o áudio, sem filmagem nenhuma):

"I Am Hell (Sonata In C#)":

"Locust":

Como consegui viver de Rock e Heavy Metal

"Pearls Before The Swine":

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http://ripandohistoriarock.blogspot.com/


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Sobre João Paulo Linhares Gonçalves

Roqueiro convicto, de carteirinha, desde os treze anos de idade. Já tive diversas bandas preferidas: de Iron Maiden, Metallica e Black Sabbath a The Who, Pink Floyd e Rolling Stones. O heavy metal sempre me atraiu muito, mas o rock praticado nos anos 60 e 70 é fascinante e estou sempre escutando. De vez em quando, dou chance ao punk, rock alternativo, blues, até ao jazz e MPB, pra variar.

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